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Ensaios-->Para quê (ou para quem) Servem as Pesquisas? -- 03/10/2006 - 11:26 (Domingos Oliveira Medeiros) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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A INUTILIDADE DAS PESQUISAS ELEITORAIS
(Por Domingos Oliveira Medeiros)

Elaborar pesquisas a partir de cenários irreais, muito antes da realização das eleições, não me parece medida sensata. Até porque, não se sabe quais serão, de fato e de direito, os candidatos que participarão do processo eleitoral. Exagerar na quantidade de pesquisas e na divulgação - quase que diária – até o dia de comparecimento às urnas, relacionando a posição hipotética de nomes de supostos candidatos mais bem votados, como se fossem cavalos de corrida - numa análise combinatória de interesses matemáticos escusos - não faz o menor sentido. Além de levantar a suspeita de que existe, por trás dessas manobras apressadas, um comportamento tendencioso, seja da parte dos institutos de pesquisas e sondagens, seja por parte de segmentos da mídia, interessados em direcionar o pleito, confundindo e manipulando, de certa forma, a opinião dos eleitores menos avisados. Ademais, as pesquisas pecam pela falta de qualidade e diversidade de seus dados. Não se indaga dos entrevistados sobre os programas dos candidatos, nem sobre as razões de sua aprovação ou desaprovação por este o aquele pretendente ao cargo eletivo. Não se dá notícias sobre as variáveis que compuseram a amostragem empregada nas sondagens, em termos de classes sociais, grau de escolaridade e região, estado ou municípios onde foram realizados os trabalhos. Não há, salvo melhor juízo, nenhum compromisso com a qualidade das informações prestadas à população. Portanto, o meu modo de ver, as pesquisas em nada contribuem para ajudar ao eleitor a escolher, com maior propriedade, o seu mandatário maior. Sem falar na indiferença da mídia, de modo geral, em relação aos concorrentes aos cargos do Legislativo, tão ou mais importantes do que a escolha para o cargo de Presidente da República. Cada estado e município poderia dar a sua contribuição. E a mídia, a nível nacional, poderia melhorar a cobertura tímida em relação aos candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados, bem como prestar um serviço de informação ao povo, de modo geral, sobre as atribuições e importância dos membros do Congresso Nacional. No mínimo, se assim o fosse, estaríamos cumprindo com eficiência o direito à informação a que tem toda a população, nos termos de nosso Texto Maior.

Infelizmente não é assim que vem sendo feito. E a falta de informações de qualidade agrava o processo eleitoral, se considerarmos que no universo de mais de 125 milhões de eleitores, cerca de 76 milhões estão entre os analfabetos totais, funcionais e parciais, sem que estes, vale ressaltar, não completaram o primeiro grau de ensino.

Neste contexto, a pesquisa torna-se inócua. Serve apenas para confundir o eleitorado ou prestar serviço ao candidato “escolhido”, em tese, pelos representantes do poder. A realidade é, portanto, outra. As eleições não acontecem no tempo das pesquisas. Que, aliás, sempre fazem a ressalva: “Se as eleições fossem hoje”, fulano e beltrano seriam eleitos ainda no primeiro turno. Um chute no escuro. Um dado enganoso. Quando as eleições acontecem, a única certeza é a de que, naquela data, o povo, cada vez mais esclarecido, gato escaldado por vários escrutínios, farão a sua escolha, sem atentar para a classificação tendenciosa das pesquisas.. Àquela altura, a maioria dos eleitores já terá decidido em quem votar. Nada mais do que isso. Da boca-de-urna silenciosa é que ecoará o grito e o desejo de cada eleitor, preso na garganta.

Prova disso? Basta dar uma olhada no resultado das urnas deste primeiro turno. As pesquisas falharam de norte a sul do país. As urnas inverteram seus resultados, mudaram vencedores e vencidos, alteraram percentuais, para cima e para baixo, sem se preocuparem com as margens de erro e o rigor dos centésimos dos dados, tudo para impressionar o eleitor. Fez pior do que os serviços de meteorologia de alguns tempos passados, relativamente ao seu grau de incerteza e de acertos em relação às condições climáticas.

Vale lembrar, portanto: se as eleições tivessem ocorrido até o dia 30 de setembro, segundo as pesquisas, Lula seria eleito ainda no primeiro turno, com ampla vantagem em relação ao segundo colocado; Germano Rigotto, favorito para governador do Rio Grande do Sul, não chegou nem ao segundo turno. E a candidata do PSDB, Yeda Crusius, desconhecida pelos institutos de pesquisas, obteve o primeiro lugar na disputa pelo Executivo gaúcho. Na Bahia, a coisa não foi diferente, deu zebra das grandes. . Vitória de Jaques Wagner do PT., contrariando todas as previsões das pesquisas eleitorais; no rio de Janeiro, os dados para o Senado apontavam como certa a eleição de Jandira Feghali (PcdoB) e a derrota de Francisco Dornelles (PP) era tida como certa. O resultado foi exatamente o contrário.

Sem falar nas constantes subidas de Lula, paradoxalmente, toda vez que se anunciava um novo escândalo, com significativa melhora dos que consideram, segundo as pesquisas, o governo Lula bom ou ótimo. E, paralelamente, a queda imediata do segundo colocado, e a manutenção dos demais candidatos em patamares irrisórios.

PESQUISAS, NUNCA MAIS!.... Deveriam, as autoridades competentes, considerar este tema para a ocasião da reforma política. Limitar o número de pesquisas, agregar-lhe maior qualidade e diversidade de informações, retirar-lhe o caráter de desconfiança em relação à manipulação dos eleitores, principalmente de parte da grande mídia, impressa e eletrônica, que, de forma escandalosa, em alguns casos, tornaram-se verdadeiros cabos eleitorais da candidatura do pretenso melhor colocado nas pesquisas, a despeito e apesar de tudo.

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