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Ensaios-->ENSAIO POLÍTICO -- 07/09/2006 - 21:14 (Domingos Oliveira Medeiros) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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TERRA Á VISTA
(Por Domingos Oliveira Medeiros)

Já se passaram mais de quinhentos anos. Tudo aconteceu entre 1492 e 1500, segundo os historiadores. Em pleno Século XV, justo na época dos grandes navegadores. Dos grandes heróis portugueses, espanhóis, franceses, holandeses e ingleses, entre tantos que disputavam a hegemonia dos mares; atrás de aventuras e de riquezas, mar a dentro, em busca do desconhecido, arriscando suas vidas, em meio aos perigos dos mares bravios, revoltos e cheio de monstros lendários surgidos do imaginário da época.

Dois nomes são aqui lembrados: Cabral e Colombo. Nossos velhos conhecidos. Há indícios de que eles inauguraram algumas questões de nossos dias como o nepotismo, as fraudes, os escândalos e o famoso “toma lá dá cá”; temas constantes de várias CPIs (as badaladas Comissões Parlamentares de Inquérito) cá no Brasil, e de polêmicas junto a ONU, a nível internacional, patrocinadas, principalmente, pelas chamadas potências mundiais. Nos dias de hoje, se Cabral fosse vivo, estaria sendo indiciado na CPI do Pau-Brasil, entre outras.

Foi assim que começou a história que, séculos depois, daria origem aos escândalos políticos e econômicos de nossos dias; e a ladainha das promessas de um futuro promissor; de que estamos no rumo certo; em busca de novos caminhos que nos levarão ao milagre econômico do desenvolvimento sustentável; e coisas do estilo.

Promessas, aliás, não cumpridas até hoje. Não só não encontramos o caminho para as Índias, como deixamos de lado a busca por especiarias e outras riquezas do tipo cravo e canela, que pudessem adoçar o bolo que, depois de crescido, seria distribuído para todos os brasileiros.

O interesse mudou a posição da bússola, alterou caminhos e costumes, e passou a se concentrar na destruição da natureza, na busca obsessiva do ouro e de petróleo; de olho, também, na flora e na fauna da Amazônia; e toda a sua biodiversidade, aí incluídos nossas pedras preciosas, plantas medicinais, frutos tropicais, borboletas, jacarés e ararinhas azuis; tartarugas, cobras e lagartos, enfim.

Colombo, por sua vez, optou por descobrir a América, que, séculos depois, seria o berço da grande potência, os Estados Unidos da América, símbolo das liberdades e da justiça social, da democracia e do respeito à soberania dos povos; sem contar, é claro, com os dois presidentes Bush, pai e filho, responsáveis por três guerras mal resolvidas: a do Vietnã, comandada por Bush pai; e as do Afeganistão e do Iraque, de autoria do Bush filho.

A América de Bush filho, à revelia da ONU, órgão criado para intermediar negociações e conflitos com vistas à garantia da soberania e à manutenção da paz entre as nações, resolveu invadir o Afeganistão, sob o pretexto de combater o terrorismo; não satisfeito, interferiu até mesmo na cultura milenar daquele povo, a fim de que o Afeganistão adotasse o regime democrático. A democracia do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, bem entendido.

Deu no que deu. Violência gera violência. E o onze de setembro aconteceu. Para sofrimento da maioria do povo americano que, a rigor, não aprovou a medida violenta e extremada de seu presidente, cujo interesse de fundo seria colocar as mãos no ouro negro, a energia do século: o petróleo. E alargar a hegemonia política, econômica e bélica do grande império americano.

E qual o resultado disso tudo? Mortes e destruição. A natureza negligenciada. Bilhões de dólares desperdiçados. A troco de uma placa afixada em algum lugar da insensatez e da selvageria dos homens, com os dizeres: “Procura-se Bin Laden. Vivo ou morto. Paga-se bem. E a guerra voltou-se para o Iraque. Outra questão mal resolvida. Tal pai, tal filho. O Vietnã, infelizmente, e o Afeganistão, ao que parece, não serviram de aprendizado.

Mas voltemos à Terra de Vera Cruz. Quando o marujo deu o seu primeiro grito, anunciado terra à vista. O que se via era um belo quadro pintado pela natureza: um mar de águas cristalinas e azuis que realçavam o verde exuberante das matas que se avistavam das caravelas, balanceando ao vento, dando as boas vindas aos estrangeiros. Só podia ser coisa de Deus. Daí, provavelmente, o segundo nome das terras descobertas: Terra de Santa Cruz. E as três caravelas ali aportaram, entre a curiosidade e o medo de seus tripulantes.

Não demorou para que os donos da terra aparecessem. Nus e pintados. Pele bronzeada. Penas coloridas em volta do pescoço e penduradas nas orelhas e nos cabelos dos selvagens mansos e bem intencionados. Era o “povo” do lugar. Sem direitos adquiridos e sem a tal da cidadania. Ainda não existia, entre eles, a figura do voto. E nem a dos políticos. Talvez, por isso, demonstrassem, em seus semblantes, tanta paz e felicidade interior. Na verdade, nem sabiam que seriam os primeiros “descamisados” e os ”pés-descalços” do novo continente.

Foi então que os experientes navegadores perceberam que o povo era bom e pacífico. Ingênuos, de certa forma, e de sorrisos e gestos largos. E o comandante da frota não perdeu tempo: na tentativa de conseguir apoio e aliados para o seu intento, mandou oferecer presentes para os representantes da terra: espelhos, pentes, carteiras e pequenas maletas. Surgia naquele instante a idéia do Mensalão. E a prática do “toma lá dá cá”, tão comum em nosso dias, em busca da compra de opinião. E da escravização do povo.

O tempo corria. E descobriu-se o Pau-Brasil, árvore nativa da qual se retirava uma tinta vermelha, utilizada na coloração de tecidos; daí a origem das cores da bandeira do PT, partido político que, séculos depois, “amarelaria”, envolto em falcatruas e escândalos envolvendo militantes do chamado grupo majoritário.

Grupo que, junto com empresários, marqueteiros e doleiros, entres outros personagens da tragédia política nacional, formariam o grupo dos que não sabiam, não souberam, não sabem e nunca ouviram falar de mensalão, de cuecas forradas de dólares, de malas abarrotadas de notas não contabilizadas, de paraísos fiscais, de contas internacionais, e outras “cositas” mais.

Descobriram, logo em seguida, que a terra era boa; e que em se plantando,- e desde que alguém nela trabalhando como escravo ou com um salário mínimo que fosse - tudo daria. E assim nasceu a idéia da capitania. As Capitanias Hereditárias. A raiz do nepotismo e da grilagem de terras. Que passavam de pai para filho. E que foram distribuídas entre os amigos do rei. E que deu início ao problema que se arrasta até os nossos dias: a falta de uma política agrária, de justiça na distribuição de terras para quem nela, efetivamente, pudesse trabalhar e produzir alimentos. Para exportar e para o próprio sustento. E evitar, no futuro, as invasões e os massacres de índios e trabalhadores do campo.

Foi durante esta fase que surgiu a figura dos coronéis, do voto de cabresto, da indústria da seca, entre outras mazelas da politicagem nacional.

E os grandes ciclos se reproduziram: do café ao da cana-de-açúcar. Sem esquecer do ciclo da borracha. Dos seringais que não voltam mais. A não ser em forma de pneus. Importados, e a preço de dólar superfaturado.

E o tempo foi passando. E não demorou para que a força de trabalho fosse forçada a trabalhar à força. A troco de pão e água. E, vez por outra, de algumas chicotadas. Começava, literalmente, a escravidão do povo trabalhador. E nossos irmãos negros, do continente africano, foram os primeiros a serem “convocados” para o trabalho escravo.

E vieram as fases da exploração do interior das terras e riquezas descobertas. Entradas e Bandeiras avançaram continente a dentro, nunca dantes caminhado. Alguns nomes são até hoje lembrados. Fernão Dias Paes Leme, em busca de esmeraldas. Borba Gato, e tantos outros, atrás de pedras preciosas. O ciclo do ouro. Dos diamantes. A roubalheira era geral. De cada três barras de ouro, uma ficava no Brasil e duas iam para Portugal. A mando do rei Dom Manuel que de “mané” não tinha nada. Era até muito esperto. E, pasmem, não é piada. Este fato registra o primeira conexão de interesses escusos entre o Brasil e Portugal. A despeito de não haver, na época, empresas de telecomunicações que despertassem o interesse de políticos e empresários do ramo de publicidade e comunicações.

Foi então que surgiu a primeira ala de esquerda. De oposição ao governo. Comandada por Tiradentes, um pacato cidadão, formado em odontologia, sentindo as dores da exploração e da injustiça social, resolveu, ele mesmo, abrir a boca. Naquela época ainda não havia o trombone para ele colocar sua boca. E o resultado todos sabemos: foi morto e esquartejado. Seu corpo, exposto em praça pública. Para servir de exemplo. A primeira queima de arquivo. E, provavelmente, o primeiro bode expiatório de que se tem notícia.

O grande jornalista Carlos Chagas, em sua obra intitulada “O Brasil Sem Retoque”, dois volumes, nos dá conta de que de 1500 a 1808, não havia imprensa, razão, provavelmente, do início da alienação e desinformação do povo brasileiro, em relação às decisões e verdadeiras intenções dos governantes. No dizer do citado jornalista: “do descobrimento à chegada de D. João VI ao Brasil, éramos regidos pela vontade dos monarcas portugueses e pelos interesses econômicos da Metrópole, ainda que aqui e ali explosões de inconformismo se registrassem na nação que se formava”. (...) A vida econômica, política, cultural e militar dependia de Lisboa. Assim, não tivemos imprensa no Brasil enquanto a família real não cruzou o Atlântico...Até então era proibido imprimir qualquer coisa na Colônia...(...) As Ordenações Filipinas, de 1576, e depois, as Manuelinas e as Afonsinas, decretos absolutistas dos réis, aos quais se referiam, (espécies de decretos-leis, atualmente as nossas conhecidas medidas provisórias, assim entendo), segundo o jornalista, dispunham que “a impressão de livros e escritos depende de autorização do Paço”. Mais adiante: “”Em 1706, no Recife, instalou-se uma impressora, “permitida apenas de imprimir letras de câmbio e orações devotas”.

E a família real veio para o Brasil. Depois de um mês em Salvador, e não havendo ainda o Carnaval dos trios elétricos, o grupo do Chiclete com Banana, Asas de Águia, Dodô e Osmar, Daniela, Ivete e o Axé do Olodum, a família real e a Corte partem para o Rio de Janeiro. Em Salvador, D. João VI deixou criada, por decreto, “uma escola de medicina, uma fábrica de pólvora, uma fundição para canhões e uma fábrica de vidro”, conforme nos relata Carlos Chagas em sua obra já mencionada. Muito provavelmente, depois dessas realizações, tempos depois, tenha surgido as filas do INSS, os erros médicos, a Previdência Social, as primeiras armas de fogo que hoje estão nas mãos dos bandidos, e sendo retiradas da população em geral, via consulta sobre o desarmamento, e, em relação ao vidro, a idéia de blindagem dos futuros automóveis, face ao aumento da violência.

Estamos no Rio de Janeiro, sede da Corte Imperial. Fofocas e mais fofocas. A burguesia começava a feder. Pedro I, com sua fama de “mulherengo”, foi a primeira autoridade “galinha” do Brasil. E muita água rolou por debaixo dos panos. Até que o caldo engrossou. Abriram a CPI do Imperador. Que terminou em pizza, da melhor que se podia encontrar em São Paulo, à beira do riacho Ipiranga, no episódio conhecido como o Dia do Fico.

Surgia, naquele momento, o verbo “ficar”, no sentido do namoro-relâmpago. Sem a contrapartida da responsabilidade intra-uterina que do ato fosse gerado. Até que todo mundo foi enganado. E colocaram o seu irmão, Pedro II, o menor abandonado, para dar continuidade ao reinado. Foi o primeiro faz-de-conta da nossa história. Pedro II recebeu, de direito, a coroa; mas quem, de fato, governava, eram seus aliados, numa boa.

E, finalmente, surgiram os primeiros movimentos populares. As primeiras lideranças sindicais, digamos assim. Os que resolveram levantar a voz contra a escravidão dos trabalhadores, que não tinham carteira assinada e nem recebiam um mínimo de salário. Daí a idéia do salário mínimo que, desde aquela época, já dava o que falar.

E os movimentos se organizaram e aumentaram as pressões. Apoiados pelos abolicionistas, acumularam vitórias, até que conseguiram o primeiro impeachment da história brasileira; e a turma de Portugal voltou para sua terra natal.

E foi proclamada a República. Assim mesmo, de repente, à moda do Chapolim Colorado: “sem querer, querendo”. Sem muita pompa; e, para variar, sem a presença maciça da população. Que ainda não tinha o poder da voto.

No Campo de Santana, na Cidade do Rio de Janeiro, o marechal Deodoro anunciou: Viva a República! Pronto. Terminava o Império. Com um detalhe: sem povo e sem bandeira. A falta de planejamento, portanto, é coisa antiga. E, como até hoje, prevalece o improviso nas decisões e ações governamentais. Carlos Chagas, em sua obra já citada, volume I, página 178, assim se expressa: “Entre os republicanos, surge uma pergunta de última hora: E sob que bandeira viajará o imperador para a Europa?” Dada a surpresa com que a República fora proclamada, ninguém tinha pensado na bandeira do novo regime. (...) Uma costureira é convocada às pressas. Desenha-se a nova bandeira, por coincidência uma cópia da bandeira dos Estados Unidos, com listras horizontais verdes e amarelas, sendo confeccionada e despachada para o cruzador Parnaíba, que conduzirá o imperador ao largo da ilha Grande. Lá, o navio de passageiros Alagoas aguardava a comitiva para viajar à França. A nova bandeira é transferida. Semanas depois, (...)a bandeira nacional voltará a ser a antiga, do Império, apenas com os brasões postos fora e substituídos, no centro, por um círculo com as estrelas do hemisfério Sul e a faixa com os dizeres “Ordem e Progresso, lema do positivismo tão em moda na época, que pregava a “ditadura da razão” (...) a ordem por base e o progresso como fim”.

E vieram as Constituições. As emendas intermináveis. Os Poderes constituídos. A Câmara e o Senado. Os políticos. O povo. O processo eleitoral. As fraudes contestadas. As recontagens de votos. As reformas políticas. Os embates entre situação e oposição. As promessas de campanhas. As pesquisas de opinião. Adequadas aos diversos contextos. A imprensa escrita. A televisão, em preto e branco, um pouco contida. Depois colorida, e mais atrevida.

Surgiam, aos poucos, os partidos, com suas cores e seus propósitos. Seus atores. Suas promessas. Panfletos e militantes. Financiamento de campanhas. Por dentro e por fora. Caixas um e dois. E tantas outras formas de financiamento “não contabilizados”.

Marqueteiros de plantão, publicitários, empresários, parentes e amigos aliados. Tataravô, bisavô e avô de Marcos, de Josés, de Dudas, de Lúbios e de Valérios, entre tantos ditos políticos sérios. Gente de fraca memória: não sabem, não ouviram falar, e têm raiva de quem sabe. Não se lembram de terem sacado milhões em notas de dez e de cinqüenta. E quando são lembrados, todos apontam para o Tesoureiro. Único a saber e a operar todo o esquema. Um gênio. O pai do teorema..

E o tempo passa depressa. A política é lida e praticada às avessas. A esquerda assume a direita. E a direita assume a esquerda. E nada muda de lugar. O futebol, o samba, o suor e a lágrima dão o tom da rotina. Do país do futuro. Do futebol e de gente em cima do muro. Futuro que nunca chega.

Já pisamos na lua, já visitamos o planeta Marte, já perdemos quase todas as ararinhas azuis, e a fome continua. E o nosso presidente insiste em pleitear uma cadeira permanente na ONU. Talvez porque a sua, cá no Brasil, cada vez mais, tudo indica, não durará até depois de 2006. E vamos acabar com esta história de mensalinho e de mensalão. De malas voadoras, de fraudes em licitação. De empréstimos milionários, a empresários, sem garantias da transação. Sem essa de paraísos fiscais. De juros altos. De buracos nas estradas. O que vale é o controle da inflação. Que nos garante o milagre do crescimento sustentado. Às custas da fome e da miséria de todos nós, os verdadeiros coitados. E culpados. Por anos de erros dos seus candidatos mais votados. Basta ajudar na limpeza. Em 2006, aprenda a usar a vassoura; não vote em candidato mal falado, indiciado, ou acusado que renunciou ao seu mandato; ou que não disse nada do que devia. Ou que recebeu propina e não sabia; O sonho não acabou. .Alguma coisa ainda resta.

Sempre haverá um jeito. Basta ajudar na faxina. Com a vassoura na mão, nas eleições que se avizinham. Vamos aguardar o resultado das Comissões Parlamentares de Inquérito. Vamos ver quantos políticos serão cassados. Quantos empresários serão presos. Quantos brasileiros serão enganados. Quantas pizzarias serão inauguradas.

E vivas para a nossa economia. Para a nossa República! Quem sabe, para o social, um dia?

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