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Cordel-->EITA VIDA ATAREFADA DO CABOCO DO SERTÃO -- 16/10/2003 - 17:12 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
EITA VIDA ATAREFADA DO CABOCO DO SERTÃO
José de Sousa Dantas e José Aires de Oliveira, em 16/10/2003

Quem se criou no sertão,
não tinha medo de nada,
enfrentou vida pesada,
acordou de madrugada,
escutando a passarada,
botou o pé na estrada,
fazendo uma caminhada,
passando por encruzilhada,
pra trabalhar de enxada,
com a camisa arregaçada,....

Com uma calça desbotada,
toda ensopada e grudada,
ficava a mão calejada,
agüentando paulada,
estrepada e canelada,
espinhada e tropeçada,
e a cara toda arranhada,
levando sempre topada,
em pedra grande e afiada,
na terra quente e torrada,....

Todo dia essa pisada,
muitas vezes de empreitada,
enfrentava essa parada,
dentro da mata fechada
cortando vara entranhada,
vendo a roça encoivarada,
com a garganta inflamada,
levando mais ferroada,
de uma abelha enraivada,
vendo cobra envenenada,

Só vinha para latada,
tomar água armazenada,
que nunca estava gelada,
numa quartinha fechada,
que sempre estava encostada
numa árvore desfolhada,
na baixada ou na lombada,
de espinhos, levava furada,
na sua roça tratada,
que era fonte da mesada.

Retornava a caminhada,
de sol não se via nada,
mas a lua prateada,
iluminava a estrada,
junto com a gurizada,
sorridente e animada,
cumpria toda a jornada,
na luta sacrificada,
ter comida assegurada,
pra sustentar a cambada.

No terreiro a bicharada,
vendo o gado na malhada,
a porteira escancarada,
para passar a boiada,
um cachorro na calçada,
e uma jumenta aprumada,
que ficava encangalhada,
pra que a rapaziada,
que estava acostumada,
trouxesse ração forrada,
da vazante na baixada,
e água barrenta e salgada,

Levava mais uma marrada
de uma borrega enjeitada,
numa casa esburacada,
tinha uma galinha deitada
e outra com uma ninhada,
fazendo muita zoada,
com a sua pintarada.

Era uma vida apertada,
com sua mulher amada,
e junto toda a filharada,
numa mesa arrodeada,
a janta era preparada
com rapadura e coalhada,
farinha e nata dosada,
angu, batata e rabada,
cuscuz, arroz e buchada,
tripa seca e panelada,
com toucinho e carne assada,
pirão e carne guisada,

E tomava uma bicada
numa noite enluarada,
ia a uma farinhada,
cantoria acalorada,
rapaz com a namorada,
e dançava uma forrozada,
debaixo de uma latada,
na parede pendurada
lamparina enferrujada,
e a sanfona desafinada,
ia até de madrugada,
numa festa improvisada.

Ladainha era rezada,
a mãe ficava atinada,
sempre estava preparada,
naquela casa caiada,
com a filharada criada,
forte, firme e animada,
destemida e destacada,

Uma cama mal forrada,
com a palha misturada
com arroz e folha socada
de banana ressecada,
que ficava arrodeada,
maciça e bem costurada,
e ao lado da sua amada,
aumentava a criançada.

Feliz na sua morada,
deitava na rede armada,
às vezes estava rasgada,
era uma vida pesada,
mas a casa era sagrada,
naquela área encravada

Chega a nova temporada,
no período da invernada,
continuando a jornada,
toda a gente era criada,
desenvolvida e formada,
coerente e respeitada,
digna e considerada,
de peito e alma lavada,

Olhe aqui meu camarada,
observe essa chamada !

NÃO VENHA DIZER PIADA,
QUE A VIDA NÃO VALE NADA !?

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