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Ensaios-->F. MIGUEL ESTUDA O OBRA DE MOURA LIMA -- 04/06/2005 - 15:01 (Francisco Miguel de Moura) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

F. MIGUEL ESTUDA A OBRA DE MOURA LIMA


Emiliano Carvalho*



Com o livro de ensaio “MOURA LIMA: DO ROMANCE AO CONTO” – Travessia Fecunda pelos Sertões de Goiás e Tocantins, recentemente publicado na Internet, site: usinadeletras.com.br e, agora em livro, o escritor e crítico literário brasileiro Francisco Miguel de Moura apresenta um estudo acurado sobre estrutura verbal romanesca, a partir do romance “Serra dos Pilões – Jagunços e Tropeiros”, passando por “Veredão – Contos Regionais”, “Mucunã – Contos e Lendas do Sertão”, “Negro d’Água – Mitos e Lendas do Tocantins”, até o romance “Chão das Carabinas – Coronéis, Peões e Boiadas” – obras estas do festejado escritor Moura Lima. Apoiado, orientado e direcionado por objetivos definidos, o notável crítico literário, após criterioso desmonte da arquitetura verbal da obra literária do romancista tocantinense, recupera a unidade do texto, iluminando-o por intenso foco de luz, isto, por dentro, para a compreensão subjacente das leis de funcionamento que regem os mecanismos da criação literária do brilhante escritor, e seu regionalismo universal.
Não obstante o alinhavado acima, é bom que se diga que o ensaio de Francisco Miguel de Moura caracteriza-se pela análise intuitiva. O experiente crítico não se restringe a direções estabelecidas na alvitrante crítica superficial. Pelo contrário, ilimita-se ao colher suas emoções diante do texto mouriano, e introduzindo variantes e coordenadas que permitam uma visualização à luz da chama criadora do consagrado escritor em estudo. Não se trata de crítica sustentada em técnicas estereotipadas das velhas teorias que, muitas das vezes, transforma a sua exegese em prática filológica ou em corriqueiras análises da chamadas estruturas lingüísticas. Em Francisco Miguel de Moura, a crítica é viva. Desta forma, o ilustre crítico permite ao leitor o livre acesso aos mananciais do poder criador da prosa mouriana, em razão da depuração da análise.
Com obra profunda e bem elaborada, o ensaio revela os elos de sua unidade e prepara o leitor para os encantos da prosa vigorosa do escritor Moura Lima, numa salutar viagem pelos campos e chapadões do Tocantins.
Portanto, o autor do monumental ensaio, ao reunir a condição de romancista e de crítico literário, pôde assim, ao articular sua visão analítica, transpor as próprias barreiras da investigação da linguagem e elaborar, à luz do texto mouriano, uma rica e profunda análise da síntese narrativa. E, através do renomado crítico, Moura Lima recebe o seu primeiro estudo acadêmico, emergindo desse estudo apurado como senhor de um substancioso e amplo universo romanístico e contístico, com força de identificá-lo como um dos grandes ficcionistas da moderna literatura do século XXI. E essa assertiva vem corroborar com a opinião abalizada do grande crítico literário brasileiro Assis Brasil, que coloca Moura Lima entre Adonias Filho e Guimarães Rosa.
Ademais, a obra do crítico e professor Francisco Miguel de Moura, além de oferecer uma visão rigorosa do discurso e dos processos criativos e narrativos do escritor Moura Lima, autor do imortal “Serra dos Pilões”, revela ensinamentos preciosos acerca da obra geral do escritor tocantinense, cumprindo, desta forma, uma função didática de alto nível acadêmico, e passa a ser também um compêndio indispensável aos estudiosos da letras, professores e estudantes.
Francisco Miguel de Moura, nome conhecido e respeitado no cenário intelectual brasileiro, é formado em Letras, com pós-graduação em Teoria da Arte e do Romance, ex-professor de literatura e português, colabora nos jornais de sua terra, na imprensa de outros Estados e também em Portugal. Tem participação em antologias do Ceará ao Rio Grande do Sul. No exterior, foi convidado a participar de livros em Portugal, Espanha, França e Estados Unidos. Até então é mais conhecido como poeta e crítico literário, tendo sido incluído no livro “A Crítica Literária no Brasil”, de Wilson Martins; em “A Literatura no Brasil”, organizada por Afrânio Coutinho, e em vários dicionários e enciclopédias de literatura. É membro efetivo da Academia Piauiense de Letras, do Conselho Estadual de Cultura, da UBE-PI e UBE-SP. Dirigiu a revista “Cadernos de Teresina” por vários anos e editou a revista “Cirandinha” – ambas de feição cultural e literária.
Já publicou cerca de 20 livros, entre os quais destaca, por serem os primeiros, “Areias” (1966), “Linguagem e Comunicação em O.G. Rego de Carvalho” (1972) e “Estigmas” (1984). Outros: “Laços de Poder” (1991), (prefaciado por João Felício dos Santos), “Poesia in Completa” (1997) (por Nelly Novaes Coelho), “E a Vida se Fez Crônica” (1996), sucesso de venda, (prefaciado por William Palha Dias) e “Literatura do Piauí” (2001), pela grande contribuição que trouxe à interpretação histórica do fato literário, em sua terra.
Pelos dados delineados acima, o leitor poderá avaliar a grandeza do ensaio de Francisco Miguel de Moura, que passa a ser o primeiro e legítimo estudo acadêmico de uma obra literária do Tocantins. E assim o livro entra para a história literária do país e do patrimônio cultural do Estado do Tocantins. E quem ganha com esse trabalho de fôlego é a literatura do Tocantins e do Brasil que pode ufanar-se de ter um vulto ilustre, chamado Moura Lima, que soube como ninguém mostrar ao Brasil o cheiro moreno da terra e da cultura popular das veredas do Tocantins.

(Publicado no jornal “A FOLHA DA CIDADE”, Gurupi-TO, 27 de junho de 2002).



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*Emiliano Carvalho é professor e ensaísta tocantinense, mora em Gurupi – TO.

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