Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
205 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 58142 )
Cartas ( 21211)
Contos (12862)
Cordel (10239)
Crônicas (22086)
Discursos (3147)
Ensaios - (9227)
Erótico (13452)
Frases (45294)
Humor (18937)
Infantil (4159)
Infanto Juvenil (3232)
Letras de Música (5506)
Peça de Teatro (1328)
Poesias (138712)
Redação (2995)
Roteiro de Filme ou Novela (1058)
Teses / Monologos (2417)
Textos Jurídicos (1934)
Textos Religiosos/Sermões (5251)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Ensaios-->PC, OU A ARAPUCA DA SUBLITERATURA II -- 02/04/2005 - 14:39 (Francisco Miguel de Moura) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
PC, OU A ARAPUCA DA SUBLITERATURA

Francisco Miguel de Moura*

II - PARTE




Ele, o Paulo Coelho, sabe muito bem é ser “marqueteiro”. Errou de profissão. Como escritor não é rico nem jamais vendeu 65 milhões de livros. Essa é uma história para a própria mídia, que o eudeusa, desvendar no amanhã. Embora diga que tenha pagado um jantar em Paris para os escritores brasileiros que o ignoraram lá, numa certa festa de cultura internacional.
Mago, ele gostava de dizer que fez chover. Fez chover sim, mas dinheiro no prato dele, caído das mãos ingênuas dos que o vão ler, para ficarem na mesma ou pior, além de perderem seu precioso tempo.
Você acredita, caro leitor, naquela história de que Bill Clinton é seu leitor? Vai ver que ele se deixou fotografar com um exemplar de “O Alquimista”, porque sua filha pediu-lhe, sendo como é uma das jovens fãs do PC, como outros jovens por aí afora. E assim, através da Chelsea – filha do Bill Clinton – que não é nada famosa, Paulo Coelho se enche de orgulho e tem a oportunidade de dizer que Bill Clinton, o ex-presidente americano, se tornou seu leitor. Não acho nisto vantagem nenhuma, pois se o americano comum já é culturalmente fraco, pois que envenenado pela mídia, imagine-se a cultura de um político, que por mais que leia, lê apenas as palavras e frases assinaladas nos jornais por suas secretárias.
O jornalista Will Smith, entrevistador do escritor (vide “Páginas Amarelas” de uma edição de “Veja” recente e programa do entrevistador americano David Letterman), gosta de citar a frase “todo o universo está contido num grão de areia”, que, na verdade, é uma citação do poeta britânico William Blake (1757 – 1827), conforme anotou a própria “Veja” (23-3-2005). Isto prova o quê? Ou que não há outra frase melhor no livro do “Mago” ou que seus leitores (Madona, Sharon Stone, Will Smith, Clinton, Chelsea e outros) não o leram como deviam.
E por falar na atriz Sharon Stone, ninguém me fará acreditar que ela teria confundido a data de um encontro com o PC, num bar de hotel e que ali fora e esperara muito por ele. Depois de tanto esperar foi embora e mandou-lhe um breve e-mail: “Senti sua falta. Love. Sharon”.Alguma coisa pode ter havido porque “onde há fumaça há fogo”, mas muita coisa foi acrescentada ou escondida nesse episódio todo, em favor do próprio interessado. Tudo para que a mídia tenha o que falar sobre ele.
As personalidades importantes que lêem Paulo Coelho são vocês, meus ingênuos leitores. Mas seríamos muito mais importantes se não perdêssemos o tempo nessa subliteratura e passássemos a ler os grandes escritores, patrimônios da humanidade (personalidades e obras), a começar pelos nossos Euclides da Cunha (de “Os Sertões”), Machado de Assis (de “D. Casmurro”, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Memorial de Aires” e “Quincas Borba”), Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Raquel de Queirós e Érico Veríssimo, entre tantos outros. Dos estrangeiros, recomendam-se de imediato Balzac, Flaubert, Dostoiévski, Faulkner, Heminguey, Tolstói (de quem estou lendo “Ana Karênina”), Proust, Sartre e Albert Camus, entre tantos mais, e peço perdão aos vivos daqui e de além mar por não os ter citado.
Sobre o artigo de Oton Lustosa “O Código da Vinci e a minha insignificante indiferença”, no “Diário do Povo” (24-3-2005), quero acreditar que é uma das melhores manifestações em desagrado aos “best-sellers”, aparecidas recentemente na imprensa. No importante artigo, Oton Lustosa – que é um romancista de grandes recursos e conhecedor profundo da língua e da nossa realidade, já dono de um estilo que bem se pode adivinhar o sucesso que fará no futuro – há citações de escritores atuais. Sobre estes também foi publicado o estudo “Brasilidade: Teresina, Piauí”, de Wanderson Lima (revista “Discutindo Literatura”, nº 2), focalizando especialmente as duas mais jovens gerações de escritores do Piauí, como que integradas no contexto nacional os quais suprem, pelo menos em parte, a minha falta de espaço (mas não de interesse) para falar sobre os nossos escritores, inclusive os da província (mas não provincianos). Mas creio que não faltarei noutra oportunidade.
Agora, com relação aos best-sellers, garanto a meus leitores que demorarei muito ou talvez nunca volte. Porque eles não merecem. É gastar muita vela com defuntos ruins. Mesmo que a boa, a verdadeira literatura venha a morrer no mundo por falta de leitores, não pretendo mais nenhuma concessão.


_____________________________
*Francisco Miguel de Moura é membro da Academia Piauiense de Letras e escritor brasileiro, mora em Teresina e tem endereço virtual: e-mail – franciscomigueldemoura@superig.com .br

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui