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Ensaios-->PC, OU A ARAPUCA DA SUBLITERATURA I -- 02/04/2005 - 14:30 (Francisco Miguel de Moura) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
PC, OU A ARAPUCA DA SUBLITERATURA.

Francisco Miguel de Moura*

I - PARTE


Nós, os brasileiros, não precisamos mais de ler os best-sellers (bestas de sela, na expressão popular) americanos e de outros países que infestam as livrarias. Já temos o PC: Paulo Coelho. Deixemos, pois, de lado os Dan Brown, os John Grisham, os Sidney Sheldon et caterva. Basta o PC. É fraqueza demais num só “reescritor” de lendas árabes e de textos de auto-ajuda. Muitos escreveram-nas em linguagem mais cuidada. Olhem que falei linguagem, não estilo.
Esta matéria é uma concessão a meu público, pois a grande maioria dos escritores e críticos brasileiros simplesmente não ignoram o bom escritor de letras de músicas do Raul Seixas, mas não querem falar no prosador, “romancista” ou o que seja mais. Eu também o ignoro como escritor. Não estou fazendo um artigo ou ensaio sobre os livros de Paulo Coelho. Estas linhas são muito mais um aviso desesperado aos leitores desavisados do que nos querem meter de goela adentro como se fosse literatura. Há algum tempo li “O Alquimista”, por insistência de um amigo, portanto não preciso ler mais nenhum livro dele, nem mesmo esse “Zadir, que, segundo a mídia – revistas “Veja”, “Época”, “Isto É”, entre outros órgãos repetitivos – terá 8 milhões de cópias para distribuição em todo o mundo. A edição em português para o Brasil, de 320 mil exemplares, escreveram. Você acredita, leitor? Sinceramente eu também não creio.
E poucos sabem como se fazem os “best-sellers” no Brasil (e acredito que no mundo): A editora lança um livro, o autor e seus promotores pagam boa importância a quem quiser ir às livrarias comprá-lo, naturalmente uma importância bem maior que a de comprar o livro. Já não se fala nos parentes, estes vão disfarçados, um de cada vez, e sutilmente compram seus exemplares, muitas vezes para dar de presente. Daí a um mês, o livro está na cabeça da lista de um dos dez mais vendidos de “Folha de São Paulo”, do “Jornal do Brasil”, da revista “Veja”. E em poucos meses não fica um só na editora e esta já anuncia a segunda edição. Quem tem mais dinheiro, quem tem mais lábia, etc. etc. vende mais. Do valor, do mérito da obra ninguém quer saber. Aparecem os tradutores e traduções e editores noutros países. É assim no mundo globalizado.
Mas voltando ao que dissemos antes, da leitura do primeiro livro de Paulo Coelho tirei algumas conclusões. A primeira foi que o homem tem uma escrita mais frouxa do que roupa de palhaço, para comparar mal. Conseqüentemente não tem estilo, não sabe escrever como deve um escritor que se preza e preza a inteligência dos leitores. Por isto e por muitos outros motivos não passará para o cânon da literatura brasileira, muito menos para a universal, por mais que venda. E vende muito, embora não tanto quanto arrota através da mídia. Hoje, tem fama, sim. Adquirir fama é fácil, basta ser ousado, “marqueteiro”, ou não perder oportunidade por mais suja que seja. Difícil é assegurá-la para a posteridade como desejam as melhores cabeças pensantes, os melhores escritores, pois uma das funções da Arte (e a Literatura é Arte) é a ânsia, o desejo de imortalidade. Os participantes do “Big Brother Brasil” também ganham fama, por dias, meses... Que pobre fama! Daqui a pouco ninguém sabe quem foram, o que fizeram, os que traíram, os que foram traídos, ou para “o paredão”, e os que deixaram de ir.
O tempo dirá que assim acabarão os escritores como PC, tal como aconteceu com Eugene Sue e muitos outros, famosos em sua época, que hoje não figuram nos dicionários literários nem nas citações de artigos de jornais e pasquins. Embora o futuro a Deus pertença como diz o populacho, e ninguém possa adivinhá-lo, não se trata de adivinhação. Sobre PC, por sua idade e pelo que já publicou, faço uma afirmação e por ela meto a minha mão no fogo: a mídia deixá-lo-á em paz tão logo ele se vá para o “outro lado do mistério”. E quem pensa que assim digo é porque se trata de um meu inimigo (não se fala dos inimigos, a eles esquecemos, é a ética nos meios literários), está muito enganado. Ele é inimigo da Literatura, não meu.
Em reforço a tudo isto, pergunto: Por que será que Paulo Coelho tem medo de escrever sobre a realidade brasileira, das almas de seu país, dos nossos problemas, defeitos e qualidades, como fizeram Machado de Assis, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Guimarães Rosa e tantos outros?







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*Francisco Miguel de Moura, membro da Academia Piauiense de Letras, escritor brasileiro, mora em Teresina.
.e-mail: franciscomigueldemoura@superig. com.br
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