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Ensaios-->O Conceito de Imagem e as Falácias -- 04/07/2004 - 08:55 (Georgina Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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As boas regras de convivência reportam-se atualmente ao imperativo do lucro. Livros e seminários batem na mesma tecla: seja gentil para vencer na vida! Chegam a configurar tal imposição como um 'ótimo negócio' a ser realizado. A possibilidade de lapidação da imagem pessoal, hoje comercializada por consultores especializados, objetivam os mais variados resultados. Na política, todos somos conhecedores dos pseudos-bons efeitos da engenhosa capacidade de se envernizar indivíduos. No entanto, essas influências calcadas em decálogos marqueteiros têm nos conduzido a uma restrição de autonomia no que toca a uma maior autenticidade enquanto seres humanos singulares.

Uma boa investigação através da Internet pode vir a ser denunciadora, para o que sente gosto em explorá-la, de propostas alternativas aos modelos impostos pelos poderosos e escusos interesses mercadológicos. O que seria, enfim, a construção de uma imagem? Necessitaria ela de padrões almofadinhas, regados à retórica artificialmente elaborada? Para prosseguirmos no assunto faz-se necessário traçar uma distinção entre auto-imagem e imagem, embora estejam interrelacionadas e resultem ambas da interação social.

Pequeninos bebês que fomos um dia, quando levados ao colo de nossas mães para a amamentação já estávamos em processo de construção da auto-imagem. Daí o alerta da esfera psicanalítica para os primeiros contatos significativos da criança. Alegam os estudiosos que, caso seja acolhida com 'olhar' amoroso, ela se perceberá como um 'bom objeto'. Do contrário, a hostilidade fará com que se sinta um 'objeto mau' e incapaz de despertar qualidade positiva de afeto, impressão que provavelmente afetará a manutenção posterior de sua auto-estima.

Partindo daí, os primeiros olhares que nos envolvem logo após o nascimento indicam os rumos de nossa auto-percepção, assim como da nossa relação com o próximo. O fato de nos apreciarmos negativamente impossibilita a sensação de sermos amados e isso resulta em prejuízo de nossa confiança no outro, num desgaste de energia que muitas vezes tende a se cristalizar, não sem ausência de sofrimento e desconforto existencial.

A formação da nossa imagem, como vemos, decorre de diversos fatores e consubstancia-se através de nossa subjetividade e articulação com o próximo. Ainda que o indivíduo se afaste de uma maior convivência social, a estará construindo em decorrência da distinção entre a sua postura e a adotada pelos demais. O outro sempre permanecerá como referência em nossas vidas e não é incomum procurarmos convivência com pessoas que ativam as nossas emoções mais remotas, numa tentativa de elaboração das antigas e mal digeridas vivências afetivas. Quantas vezes verificamos o fato de meninas, vítimas de violência paterna, buscarem inconscientemente parceiros com características semelhantes ou crianças mal-amadas reeditarem relacionamentos fadados ao insucesso?

Sendo o quadro complexo e dotado de raízes tão profundas, assustam-me os chavões de auto-ajuda que pregam a conquista da felicidade através de uma reformulação superficial de comportamento. Justifica-se o ato de se cumprimentar os demais, ou ceder lugar ao idoso, como um esforço para angariar simpatias. Não se ressaltam aí as danosas conseqüências advindas de um tombo na velhice, por exemplo, agravado este pela dificuldade de reconstrução óssea que o caracteriza. O exercício da gentileza, incluído entre os artífícios da técnica de sedução que tem sido sugerida, visa primordial e infelizmente a conquista de pretensas amizades e admiração. Imaginem esses pressupostos sendo repassados na educação de um filho... Ele fatalmente desistiria de exercê-los futuramente por um único motivo: eles não correspondem à realidade. Muitas vezes as mais altruístas qualidades geram hostilidade e inveja. Há inúmeros casos em que a delicadeza no trato social recolhe respostas abusivamente agressivas, confundidas que são com uma manifestação de fragilidade. Perante essas constatações, qual seria então a real sustentação dessas práticas de convivência? Certamente, a necessidade da manutenção dos princípios e preceitos éticos, em razão dos benefícios que trazem à sociedade e, por extensão, ao próprio agente que dela faz parte e os dissemina.

Princípios seriam aqueles pressupostos dos quais não abrimos mão de forma alguma, ainda que os resultados não nos sejam inteiramente favoráveis. São eles os facilitadores da consistência interna e coesão moral. Empatia, por sua vez, constitui-se na capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. Não destratamos os colegas de trabalho porque nos sentimos mal se o fazem conosco. Não roubamos porque, de acordo com os nossos princípios, não julgamos essa atitude correta, ainda que o grupo no qual estejamos inseridos desencoraje os nossos propósitos. E os valores a serem transmitidos àqueles pelos quais somos responsáveis deveriam ser permeados por essa ótica e não baseados em outras de fundo oportunista.

Estamos na era da superficialidade e da conveniência pessoal. Um maior compromisso com a reflexão certamente derrubaria parte dos inconsistentes paradigmas que vêm se mantendo às custas da ausência de discernimento. Caso isso não aconteça, serão incentivadas as falácias de cunho comercial dos que se afirmam detentores de receitas infalíveis para o alcance de prestígio e sucesso financeiro.



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