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Artigos-->511 anos de “descobrimento” Há 500 anos, o sol nascia virg -- 22/11/2011 - 10:18 (Alan Carlos Dias) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. 511 anos de “descobrimento”





Há 500 anos, o sol nascia virgem no horizonte náutico. O seu brilho, apenas encontrava o obstáculo da gaivota real, vigilante alado do paraíso do atlântico que guardava as verdadeiras terras do jardim do Éden.

Como era bom acordar pela manhã com o canto do bem-te-vi, que cantava no despontar de cada aurora no grande centro da mãe Oca. Como era lindo vê o maestro uirapuru regendo a orquestra natural que deliciava os ouvidos dos nativos com cantilenas tão bem elaboradas!

Certo dia, quando a aurora despontou na perspectiva do infinito mar, viu-se ao longe um brilho que a priore nos encanou de sonhos. Nunca tínhamos visto coisas de tamanha magnitude. Pensamos ser deuses que orgulhosos de nossa organização social, vinham nos mostrar seu contentamento, nos trazendo o favo do Jati.

Quando aqueles objetos longínquos se fizeram próximos e notamos as coloridas e gigantescas velas a mercê do vento norte, não tivemos dúvidas de que eles eram realmente deuses. Quem mais poderia voar sobre as águas, com aquela destreza e velocidade? Quem mais poderia construir canoas tão grandes? Quem mais, além dos deuses, ousaria enfrentar os perigos daquelas águas atlânticas?É eram grandiosos e coloridos e por isso nos conquistaram, desde os olhos a confiança.

Olhamos suas roupas, sentimos o cheiro deles e percebemos que em seus cabelos havia a força do fogo!

Deram-nos presentes e nos encantaram com seus gestos, dialetos estranhos, mas que a nós, leigos e nativos, soavam como vozes celestiais.

Logo após fazerem os primeiros contatos, eles já se sentiam à vontade em nossa terra, como se aqui já residissem há muito mais tempo. Prova disso é que foram logo tomando conta de nossas formosas filhas e mulheres, de nossas riquezas, crendices trabalho e nossos sonhos.

Quando percebemos que algo começara a ficar estranho e inocentes, pedimos a eles que não levassem todo o nosso pau-brasil, parte de nossa diversidade,pois precisávamos dele para colorir os nossos corpos nos festejos em honra a Tupã, eles, poderosos e altivos, de forma uníssona, falaram que toda aquela riqueza e diversidade a Portugal, agora pertencia.

Tolos de nós. Não eram deuses, eram demônios que sedentos de sangue e almas foram nos matando, como se faz com os insetos à beira da fogueira, cada vez que tentamos nos livrar deles.

Nossa armas, coitados de nós: machado de pedra lascada, tacape de andiroba, arco e flecha de bambu e um grande espírito guerreiro. Enquanto eles, “civilizados”, carregavam pau de fogo: mosquete, carabinas, canhões e uma cede insaciável pelo sinistro.

Essa desigualdade de poder, tivera uma conseqüência devastadora em nossas civilizações nativas. Pois, a cada português que abatíamos, sessenta, setenta e até oitenta de nós, deixavam de existir e se tornavam, sonhos!

Tentamos então, fugir do homem do cabelo de fogo que trazia a morte em seu olhar. Pobre de nós. Os demônios não admitiam uma única alma liberta, pois isso poderia enfraquecer o seu poder aterrorizador.

Contra eles, não tivemos a menor chance a exemplo de nossos irmãos Incas, Astecas e Maias que existem apenas em nossas lembranças e nos livros de histórias.

Fomos praticamente aniquilados por ousarmos enfrentar “os donos do mundo”.

Escravizaram-nos. Violentaram nossas mulheres e filhas e trouxeram outras tribos de lugares ainda mais distantes que a nossa. A esses “novos” índios que não usavam cocar, que não possuíam a pele avermelhada e não caçavam com arco e flecha, eles chamavam de “negros”. E esses receberam toda a plenitude de sua fúria dominante.

Com a vinda desses negros, a exploração desordenada do litoral brasileiro, acelerou de tal modo, que em questões de meses, já se podia avistar do alto do Monte Pascal, uma clarera tão grande nas matas do Brasil, que fazia chorar o sabiá sem ninho e o Uirapuru que se calara para sempre. Esses tais “descobridores”, iniciaram no Brasil o processo de extinção de várias espécies de nossa flora e fauna. Graças a eles, a maioria da população deste país não conhece o pau-brasil e parte de sua história. Graças a eles, civilizações inteiras tiveram sua trajetória ceifada bruscamente. Graças também a eles, o racismo, a desigualdade social e o apadrinhamento ( já constante na carta de Caminha), chegou e habitou em nosso meio.

Quando a então Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, libertando os escravos, pensamos que realmente teríamos liberdade e justiça social. Pobre de nós mais uma vez que acreditamos ser verdade tamanha aspiração da humanidade, mas como todo bem brasileiros, jamais desistimos em acreditar que tal conjuntura mudaria.

Hoje, vivemos a era da informação, do conhecimento e da aprendizagem, mas continuamos escravos, do consumismo, de falsas ideologias, do ceticismo religioso, do egoísmo e da exclusão social mesmo após a assinatura daquele documento tão importante e da publicação da constituição chamada de cidadã.

Sempre tivemos na história de nossa sociedade poucos com muito e muitos sem nada. Nada da tal dignidade humana.

Basta olhar, muitas vezes para o vizinho que mora a seu lado, para as pessoas que vivem em sua comunidade , em seu Município e em seu Estado que perceber-se-à as contribuições negativas da dominação européia para a formação de nossa identidade brasileira e amapaense.

A cada dia, os nossos financiadores internacionais, “os verdadeiros donos do Brasil”: O FMI, O BANCO MUNDIAL, O BLOCO do G 20, nos impõe condições para continuarmos existindo, como se eles, além de serem donos do país, também fossem donos de nossas vidas, se na verdade não o são.

O índio, ontem dono da terra, hoje é expulso até mesmo de nossas favelas e se teima a ficar, é queimado vivo como aconteceu com o Patacho em Brasília. O negro, até hoje tem muito pouco espaço nessa sociedade feita de branco mestiço e que teima em acreditar como adolf Hitler que se pode criar ou pertencer a uma raça pura. Jamais! Nosso país e nosso estado são produtos da miscigenação das culturas que hoje não apenas fazem parte de nossa história, mas que influenciam diretamente nosso modo de ser e de viver. Ainda que negativamente, influenciaram.

O Brasil tem muito a comemorar neste quinhentos e onze anos: a venda do patrimônio público, a submissão aos países ricos. De outro lado, pode também comemorar a riqueza de sua cultura em todas as suas linguagens e pluralidade, inclusive as contribuições de nossos algozes. Mesmo nos caos existe aprendizado.

A cada dia percebemos que o Brasil não é mais nosso e diferente daquela época (descobrimento), morremos hoje sem lar e sem pátria, gritando nos mais distantes rincões deste país por dignidade humana, inclusão social,respeito a diversidade e aos direitos fundamentais .













Há 500 anos, o sol nascia virgem no horizonte náutico. O seu brilho, apenas encontrava o obstáculo da gaivota real, vigilante alado do paraíso do atlântico que guardava as verdadeiras terras do jardim do Éden.

Como era bom acordar pela manhã com o canto do bem-te-vi, que cantava no despontar de cada aurora no grande centro da mãe Oca. Como era lindo vê o maestro uirapuru regendo a orquestra natural que deliciava os ouvidos dos nativos com cantilenas tão bem elaboradas!

Certo dia, quando a aurora despontou na perspectiva do infinito mar, viu-se ao longe um brilho que a priore nos encanou de sonhos. Nunca tínhamos visto coisas de tamanha magnitude. Pensamos ser deuses que orgulhosos de nossa organização social, vinham nos mostrar seu contentamento, nos trazendo o favo do Jati.

Quando aqueles objetos longínquos se fizeram próximos e notamos as coloridas e gigantescas velas a mercê do vento norte, não tivemos dúvidas de que eles eram realmente deuses. Quem mais poderia voar sobre as águas, com aquela destreza e velocidade? Quem mais poderia construir canoas tão grandes? Quem mais, além dos deuses, ousaria enfrentar os perigos daquelas águas atlânticas?É eram grandiosos e coloridos e por isso nos conquistaram, desde os olhos a confiança.

Olhamos suas roupas, sentimos o cheiro deles e percebemos que em seus cabelos havia a força do fogo!

Deram-nos presentes e nos encantaram com seus gestos, dialetos estranhos, mas que a nós, leigos e nativos, soavam como vozes celestiais.

Logo após fazerem os primeiros contatos, eles já se sentiam à vontade em nossa terra, como se aqui já residissem há muito mais tempo. Prova disso é que foram logo tomando conta de nossas formosas filhas e mulheres, de nossas riquezas, crendices trabalho e nossos sonhos.

Quando percebemos que algo começara a ficar estranho e inocentes, pedimos a eles que não levassem todo o nosso pau-brasil, parte de nossa diversidade,pois precisávamos dele para colorir os nossos corpos nos festejos em honra a Tupã, eles, poderosos e altivos, de forma uníssona, falaram que toda aquela riqueza e diversidade a Portugal, agora pertencia.

Tolos de nós. Não eram deuses, eram demônios que sedentos de sangue e almas foram nos matando, como se faz com os insetos à beira da fogueira, cada vez que tentamos nos livrar deles.

Nossa armas, coitados de nós: machado de pedra lascada, tacape de andiroba, arco e flecha de bambu e um grande espírito guerreiro. Enquanto eles, “civilizados”, carregavam pau de fogo: mosquete, carabinas, canhões e uma cede insaciável pelo sinistro.

Essa desigualdade de poder, tivera uma conseqüência devastadora em nossas civilizações nativas. Pois, a cada português que abatíamos, sessenta, setenta e até oitenta de nós, deixavam de existir e se tornavam, sonhos!

Tentamos então, fugir do homem do cabelo de fogo que trazia a morte em seu olhar. Pobre de nós. Os demônios não admitiam uma única alma liberta, pois isso poderia enfraquecer o seu poder aterrorizador.

Contra eles, não tivemos a menor chance a exemplo de nossos irmãos Incas, Astecas e Maias que existem apenas em nossas lembranças e nos livros de histórias.

Fomos praticamente aniquilados por ousarmos enfrentar “os donos do mundo”.

Escravizaram-nos. Violentaram nossas mulheres e filhas e trouxeram outras tribos de lugares ainda mais distantes que a nossa. A esses “novos” índios que não usavam cocar, que não possuíam a pele avermelhada e não caçavam com arco e flecha, eles chamavam de “negros”. E esses receberam toda a plenitude de sua fúria dominante.

Com a vinda desses negros, a exploração desordenada do litoral brasileiro, acelerou de tal modo, que em questões de meses, já se podia avistar do alto do Monte Pascal, uma clarera tão grande nas matas do Brasil, que fazia chorar o sabiá sem ninho e o Uirapuru que se calara para sempre. Esses tais “descobridores”, iniciaram no Brasil o processo de extinção de várias espécies de nossa flora e fauna. Graças a eles, a maioria da população deste país não conhece o pau-brasil e parte de sua história. Graças a eles, civilizações inteiras tiveram sua trajetória ceifada bruscamente. Graças também a eles, o racismo, a desigualdade social e o apadrinhamento ( já constante na carta de Caminha), chegou e habitou em nosso meio.

Quando a então Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, libertando os escravos, pensamos que realmente teríamos liberdade e justiça social. Pobre de nós mais uma vez que acreditamos ser verdade tamanha aspiração da humanidade, mas como todo bem brasileiros, jamais desistimos em acreditar que tal conjuntura mudaria.

Hoje, vivemos a era da informação, do conhecimento e da aprendizagem, mas continuamos escravos, do consumismo, de falsas ideologias, do ceticismo religioso, do egoísmo e da exclusão social mesmo após a assinatura daquele documento tão importante e da publicação da constituição chamada de cidadã.

Sempre tivemos na história de nossa sociedade poucos com muito e muitos sem nada. Nada da tal dignidade humana.

Basta olhar, muitas vezes para o vizinho que mora a seu lado, para as pessoas que vivem em sua comunidade , em seu Município e em seu Estado que perceber-se-à as contribuições negativas da dominação européia para a formação de nossa identidade brasileira e amapaense.

A cada dia, os nossos financiadores internacionais, “os verdadeiros donos do Brasil”: O FMI, O BANCO MUNDIAL, O BLOCO do G 20, nos impõe condições para continuarmos existindo, como se eles, além de serem donos do país, também fossem donos de nossas vidas, se na verdade não o são.

O índio, ontem dono da terra, hoje é expulso até mesmo de nossas favelas e se teima a ficar, é queimado vivo como aconteceu com o Patacho em Brasília. O negro, até hoje tem muito pouco espaço nessa sociedade feita de branco mestiço e que teima em acreditar como adolf Hitler que se pode criar ou pertencer a uma raça pura. Jamais! Nosso país e nosso estado são produtos da miscigenação das culturas que hoje não apenas fazem parte de nossa história, mas que influenciam diretamente nosso modo de ser e de viver. Ainda que negativamente, influenciaram.

O Brasil tem muito a comemorar neste quinhentos e onze anos: a venda do patrimônio público, a submissão aos países ricos. De outro lado, pode também comemorar a riqueza de sua cultura em todas as suas linguagens e pluralidade, inclusive as contribuições de nossos algozes. Mesmo nos caos existe aprendizado.

A cada dia percebemos que o Brasil não é mais nosso e diferente daquela época (descobrimento), morremos hoje sem lar e sem pátria, gritando nos mais distantes rincões deste país por dignidade humana, inclusão social,respeito a diversidade e aos direitos fundamentais .





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