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Contos-->Gostosa69 -- 15/11/2002 - 13:31 (Antonio Perdizes) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
“gostosa69”

-Ele

Estava ali parado, olhando pela janela, como se quisesse voar de tanta ansiedade. Não era para menos, foram três meses de troca de e-mails. No começo pequenas insinuações tipo “te quero, um beijo naquele lugar” e, depois, as mais quentes “... e nós dois embaixo do chuveiro, minha boca descendo mordiscando sua barriga até chegar....”.
Haviam marcado outros encontros, mas ela sempre desistia na última hora por isso estava com o computador ligado e o correio aberto, se não recebesse nada em 10 minutos tudo estaria certo. Depois de tudo ela não poderia desistir novamente.
Nos últimos tempos as coisas ficaram assim: chegava no escritório .. correio, meio dia ...correio, depois do almoço ...correio, fim de expediente ...correio, em casa ...correio, e, às vezes, acordava no meia da noite e ... correio. Não porque trocassem tantas mensagens, ele sempre estava esperando, pronto para responder, pronto para provocar. Imaginava aquela mulher sempre quente, voluptuosa, abrasadora e incansável. O seu corpo, seios, cabelos era tudo o que ele arquitetava numa mulher perfeita. Nunca estivera tão ativo, possuía Lucia Helena, sua mulher, com toda a volúpia, procurando fazer todas as posições que fantasiava com a outra, apelido “gostosa69”. Alugara vídeos pornôs na locadora para aprender mais, tentar tirar algum conhecimento que pudesse ajudá-lo a satisfazer aquela mulher. Lucia Helena, que não entendia o marido e essa súbita paixão sexual, começou a inventar as usuais enxaquecas femininas, tão utilizadas pelas mulheres para disfarçar a falta de libido e fugir do assédio dos maridos.
Carlos não se deixou abater, passou a se masturbar e, muitas vezes, na frente do computador, lendo e relendo os e-mails da “gostosa69”. Tinha até escondido, atrás da impressora, um rolo de papel higiênico para não melar nada. Andava com tanta tesão, que até se surpreendeu olhando a bunda de Paula, sua secretaria, enquanto ela se afastava da sala. E olha que, Paula era enorme e tinha um bundão daqueles em que um pau se perde lá dentro e só pode ser encontrado dias depois. Tentava ler, nas entrelinhas de cada mensagem, o significado de cada palavra, algo oculto, mais revelador e, então, fantasiava, criava e era levado para o mundo da ficção sexual. Poderia bem ter sido um escritor de sucesso nessa modalidade literária se tivesse feito todos os registros das estórias que inventava.
Nos momentos finais da espera eram os pensamentos negativos que surgiam e devastavam sua cabeça. E, se ela fosse uma “mocréia”? Ou. com aquela aparência pegajosa, pele sebosa que ele tanto detestava? Ou pior, se fosse uma bicha louca travestida de mulher querendo enganá-lo?
Fora uma extensa preparação até este dia. Precisava parecer do jeito que se descrevera, seus 44 anos deveriam parecer 38. Para isso, passou a fazer duas horas diárias de musculação na academia e uma dieta para baixar a barriga. Ela não diminuía, consultou, então, um cirurgião plástico. Queria fazer uma lipo, mas este, por ser um cara honesto e desapegado ao dinheiro, caso raro em tal profissão, desaconselhara a cirurgia. Foi numa esteticista e passou a usar um creme importado caríssimo, que ela mesmo lhe vendera, no rosto, mãos e pescoço. Pintou os cabelos com uma cor castanho artificial, retirou depois porque ninguém havia aprovado. Fez um implante de cabelo para disfarçar a calvice, ficou bom, apesar de parecer uma plantação de cenouras. Mudou o guarda roupa, agora só saía alinhado e, ainda, fez um curso para aprender a sorrir, ministrado por um guru de auto ajuda que viera de São Paulo. Todo o tempo disponível ficava na frente do espelho, fazendo exercícios e micagens para parecer mais jovial.
Tempo esgotado, receber mensagem... nada .
-Vamos lá, é hoje. Vai ser uma transa daquelas.



-Ela

Fora por uma boa causa que havia adiado os encontros com seu amigo virtual. Na frente do espelho, depois de experimentar a terceira combinação de calcinha e soutien, comemorava os resultados. Aquele implante de silicone nos seios fora a melhor coisa que fizera com a sobra do dinheiro da venda do seu Fiat Uno. Ricardo ficara seis meses buzinando no seu ouvido.
-Vamos vender seu carro, ele esta muito velho, estamos gastando muito com manutenção e, ainda mais, com a gasolina para dois carros etc.. etc..
De tanto ouvir falar teve de concordar; ficou a pé, sem a liberdade de ir e vir. Ia para o trabalho de ônibus, tudo de ônibus, porque o carro de Ricardo nunca estava disponível. Ele dissera que era provisório. Quando viu chegar em casa o computador novo com todos os acessórios possíveis, o “Super PC”, como ele se referia, entendeu o golpe.
Elaborou vários planos de vingança, até que, um dia, na repartição onde trabalhava, uma colega comentou da maravilha que eram os encontros virtuais pela Internet. No primeiro dia em que Ricardo conectou o micro na Cabo Mais, esperou ele começar a roncar e, então, correu para o “Super PC”. Começou a pesquisar os anúncios, colocou o seu com um perfil bem picante. No outro dia, quando abriu o correio, a cachorrada estava toda lá atrás da cadela no cio, ainda mais com o apelido “gostosa69”. Era todos os tipos de propostas, o tempo todo. Sentiu-se poderosa e sem medo, oculta no anonimato de um endereço virtual. A condição de casada, mas disponível, atiçara ainda mais a galera, cabelos loiros e compridos, corpo “certinho” e idade 35 anos, atraiu mais macho do que partida de futebol. E, completou geral, quando anunciou que faria tudo por uma boa transa. Até uma sapatona declarada lhe enviava mensagens diariamente. Respondia para alguns, mas não conseguia estabelecer uma relação satisfatória. Nas trocas de correspondência, todos queriam transar já, mas ela, apesar de querer se vingar, tinha um certo receio e queria ganhar confiança no homem com quem se encontraria.
Até que um dia, recebeu uma mensagem descompromissada de “romântico, solitário e bonito”. Era isso que ela estava precisando, um homem só e cheio de amor para dar, bonito era um ganho secundário. Respondeu dando uma pequena esperança e, depois, trocaram as mais ousadas palavras, sugerindo as mais divertidas e atrevidas formas de caricias. Para isso ela fora se instruir, comprara todas as revistas eróticas que encontrara na banca e foi lendo, aprendeu a usar novos termos sobre a “coisa”. Sabia usar as palavras, deixava sempre algo por desvendar, atiçando a curiosidade do parceiro.
Tudo isso foi deixando-a excitada e quando ele sugeriu o uso de um vibrador enquanto estivesse lendo os e-mails, imaginando, com certeza, que ela possuía uns dez, um de cada tipo, disponíveis na cabeceira da cama. Não teve dúvidas, botou a cara no sex shop, de lenço e óculos escuros, e comprou o seu. Foi uma vitória, aquele vibrador era como se fosse seu mais querido objeto de estimação. Com o tempo, desenvolveu as mais peculiares formas de tirar prazer, sendo quase flagrada por Ricardo, quando estava no banheiro, na posição que mais gostava, a de bailarina; de pé, perna direita levantada para o lado com o joelho dobrado e a ponta do pé no ar, quase tocando o seu joelho esquerdo. Era assim que a vibração era transmitida para todo o corpo. Não precisava de mais nada, já se sentia recompensada com a novidade, mas “romântico e etc” insistia no encontro e prometeu que, no primeiro encontro, não haveria sexo de jeito algum, seria só para se conhecerem, namorar um pouquinho, ficou convencida.
Foram dois meses de preparação; lifting, cremes para a celulite, bronzeamento, exercícios de ginástica localizada, cremes de todos os tipos e aplicações de botox em algumas rugas do rosto. Foi ao cabeleireiro, mais uma vez cabeleireiro, pintura no cabelo, mais uma vez pintura no cabelo, começou a praticar yoga com aqueles exercícios de massagem junto à vulva para ativar a circulação e fazerem os ovários produzirem hormônios. Foi também ao médico para iniciar a reposição hormonal, aos 40 anos precisava parecer mais jovem, ainda, do que os 35 do anúncio.
Ricardo nem imaginava como o dinheiro sumia e não reparava na transformação porque nunca ligara para ela. Só chiou com o silicone, mas teve de ceder depois que ela lhe jogara na cara o que ele fizera com o carro e o computador. Então, baixou a cabeça e tirou o seu time de campo, gostava mesmo era de seu “Super PC” com conexão rápida.
“Romântico e etc” insistia muito na troca de fotos e, quando seus seios ficaram prontos, preparou a máquina no melhor ângulo, colocou os longos e loiros cabelos pintados sobre parte deles, acariciou os mamilos e, quando estavam duros e firmes, disparou o obturador. Ele devolveu com uma foto de seu pau duro sobre o teclado do computador. Examinou-se novamente no espelho, colocou um conjunto de saia solta com uma blusa de botões e calcinha com soutien brancos e saiu para a parada de ônibus.


-O Encontro

Era um daqueles dias do mês de junho, em que nuvens carregadas ocasionavam uma chuva intermitente, que vinha forte e dava aquela paradinha, só para animar, voltando a chover novamente. Ele chegou adiantado e, antes de estacionar, dera umas três voltas no quarteirão na esperança de avistá-la antes do encontro. Desistiu pensando que ela poderia estar fazendo o mesmo, ficando na sua espreita e, então, resolveu estacionar. Havia combinado o encontro na avenida, próximo ao primeiro jardim. Era um local meio isolado e o dia estava ótimo porque, com a chuva, não havia ninguém caminhando no calçadão e na praia. Ele havia dado seu nome como sendo o de Luiz Cláudio e ela, simplesmente Maria. Olhou o relógio eram nove em ponto, não estava chovendo, desceu do carro e ficou parado no calçadão. O tempo passava, já estava ficava nervoso e começou a olhar para a praia. Quase não percebeu quando alguém, com uma voz suave, chamou nas suas costas.
- Luiz Cláudio?
Demorou uns segundos para perceber que era para ele, e então, virou-se. Custou mais diversos segundos para processar a imagem. Ficou parado, estático, nem ouvia o zum... zum... dos carros passando pela avenida. Ela também ficou inerte e sem graça. Apenas quando começou a desandar uma daquelas chuvas repentinas é que saíram da perplexidade em que se encontravam, e ele conseguiu enfim balbuciar.
- Eleonora, vamos entrar no carro para fugir da chuva?
Eleonora Rodrigues era a mulher de seu melhor amigo, Ricardão, e amiga de Lucia Helena. Moravam no mesmo prédio, dois andares acima do seu apartamento. Não se falavam muito, limitavam-se a comprimentos ou conversas formais quando se encontravam no elevador ou em alguma festa do prédio. Considerava-a como sendo uma pessoa recatada, quase sem graça, corpo franzino, daquelas que você nem nota, nem sabe que existe. Ricardão, sim, era seu amigo. Saiam para beber juntos, recentemente o havia ajudado na instalação de um programa no computador novo. Custava a acreditar que era ela, tudo parecia um sonho, uma verdadeira confusão.
A chuva caía. Ficaram parados olhando na direção do pára-brisa, vendo os grossos pingos que ali se arrebentavam. Não sabiam o que dizer, então, ele olhou de soslaio e pode ver, descendo o olhar pelo seu colo, a abertura da blusa e dois seis bonitos, fazendo volume lá dentro.
- Puxa, é igualzinho ao da foto, pensou.
Foi o pequeno inicio de um despertar. Ela se mexeu para tentar dizer alguma coisa, mas antes de falar, ele apanhou a mão esquerda dela, que estava no ar, e sentiu a frieza da mesma. Numa reação inesperada, quase por instinto, ela abaixou a mão, junto com a dele, até encostar na perna. Ele sentiu o calor da coxa que subiu velozmente, em forma de onda pelo braço, atingiu o cérebro onde rapidamente foi processado pelo lobo occipital que, instantaneamente, enviou para o parietal, passando pelo cerebelo e hipocampo e indo parar no lobo frontal, que comandou aquela reação imediata, o pau deu um pulo, tão imediata quanto inexplicável. Ainda hoje, a medicina não conseguiu explicar de que maneira isso funciona, já que existe uma distância entre o cérebro e o pau.
Dizem que foi daí que, o engenheiro eletrônico Paul Von Kchette, fez a maior descoberta do século passado, o controle remoto, teve essa idéia no dia em que, deslizando sua mão por baixo do vestido de sua secretaria, roçou os dedos nos mamilos, que enrijeceram. Com essa percepção, a reação do seu membro foi tão rápida que ele vislumbrou o aproveitamento de tal fenômeno na eletrônica, criando essa maravilha que aciona nossa tv, dvd e etc.
Ela não conseguia falar, logo César Andrade marido de Lucia Helena. Sempre o havia achado um sujeito prepotente, orgulhoso e, agora, bem mentiroso, pois ele não havia dito ser separado e que tinha um corpo atlético. Não dissera nada, também, quando ele soltou sua mão e, com o braço direito a enlaçou, puxando-a suavemente até o corpo se encaixar e a cabeça recostar no ombro. Então, apanhou a mão direita dela e a conduziu até tocar no membro, que já estava rijo. Ela enlaçou-o com os dedos e juntos iniciaram um movimento rítmico lento, apertando enquanto descia e afrouxando quando subia.
Também, não dissera nada quando ele, com o braço ao redor do seu corpo, escorregou a mão pelas pernas, afastando a saia solta que subiu, deixando-as a mostra. Teve uma contração quando sentiu a mão afastando a calcinha, mas, logo, ajudou abrindo as pernas para que ele se servisse. Os dedos desceram pelo púbis até percorrer os lábios vaginais, abrindo-os levemente e penetrando a vagina lubrificada. Explorou o clitóris, primeiro com força, depois, suavemente, apenas com a pontinha dos dedos, num movimento rotativo que aos poucos foi se acelerando.
Eleonora ficou com a garganta seca. Sentia a respiração dele e as mãos trabalhando um no outro até que uma dormência tomou conta do corpo, que primeiro se contraiu e, depois, relaxou todo se esticando, um pouco, no banco do carro. Estava sem forças quando sentiu o jato que melava sua mão. Afastou-se vagarosamente e se recompôs aos poucos. Olhou para ele. Percebeu o olhar fixo, deslumbrado e distante. Pensou:
-Agora estou vingada.
Olhou para fora do carro, continuava chovendo. Num movimento rápido e, também, sem falar nada, abriu a porta do carro e se precipitou para fora, atravessou correndo a avenida, sumindo na chuva. César não reagiu e ponderou:
- Bem, pelo menos não perdi a viagem.


Antonio Perdizes








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