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Cordel-->Eita saudade danada do meu tempo de criança ! -- 19/09/2003 - 17:39 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Eita saudade danada do meu tempo de criança !
José de Sousa Dantas, em 19/09/2003

Toda a minha adolescência
vivi na área rural -
abundante e natural,
que marcou minha existência;
adquiri resistência,
cultivando a esperança,
mantendo a forte aliança
com a base enraizada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

O lugar que fui criado,
no meu querido sertão,
tem a mais bela visão,
o açude e o roçado,
o rio, o curral, o gado,
casa cheia de bonança,
nunca me sai da lembrança
aquela fase dourada!
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

O pião, a baladeira,
o meu cavalo de pau,
os brinquedos no jirau,
o machado, a roçadeira,
o chincho, a desnatadeira,
o moinho da herança,
as relíquias da estanca,
a chibanca e a enxada,...
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Eu me lembro da fazenda,
do silo, do petisqueiro,
do torno, do candeeiro
do gibão e da moenda,
do fuso de fazer renda,
do pilão para quebrança,
do arado e da balança,
da navalha e da espada,
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Quem se criou no sertão
amolou enxada e foice,
de jumenta levou coice,
carregou água em galão,
mergulhou em cacimbão,
já montou em vaca mansa,
já comprou cebola em trança,
branca, roxa e misturada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Lembro o pé de carrapeta,
de pinhão e mulungu,
de cardeiro e cumaru,
velame e Maria Preta,
e as nuvens de borboleta,
de besouro e de esperança,
formando aquela nuança,
junto com a bicharada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

As flores de camará,
de angico e juazeiro,
de mofumbo e marmeleiro,
aroeira e trapiá,
muçambê e de jucá,
jitirana e da ervança,
de jurema braba e mansa,
de catingueira florada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Papagaio e rolinha,
sofreu, cafute e concriz,
bem-te-vi e codorniz,
mãe da lua de mansinha,
graúna e lambu rouxinha,
na sua velha privança,
sagaz com qualquer raspança,
nos aceiros da estrada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Pica-pau e azulão,
anum, galo de campina,
pato, ave de rapina,
carcará e gavião,
curicaca e o cancão,
seriema na retrança,
periquitos na possança,
borrego dando marrada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

No tempo da invernada,
vi o riacho na enchente,
no campo nascer semente,
e a terra toda molhada,
ouvi de noite a toada
da chuva quando avança,
realizando a mudança,
no chão, fazendo enxurrada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Via a torre no nascente,
formando a barra da chuva,
no chão correndo saúva,
e o relâmpago incandescente,
daí a pouco a enchente,
para trazer abastança,
aumentando a esperança,
por força da invernada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

No inverno ia pra roça,
tirava cajá, umbu,
melancia, canapu,
pisando em monturo e poça,
depois vinha pra palhoça,
fazia aquela melança,
comida pra encher a pança,
embuzada e cajazada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Quem se criou no sertão,
pedia a Deus pra chover,
via a babugem crescer,
enfeitando todo o chão,
co’o verde da plantação,
chega a vista não alcança,
tendo DEUS na governança,
mantendo a terra molhada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Via a plantação crescer,
o verdume do vergel,
a abelha tirar mel
das flores no amanhecer;
a boneca aparecer
no milho formando trança,
que ela tem a semelhança
duma calunga enfeitada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Rapadura com farinha,
com filhós e gergelim,
garapa, cana, alfenim,
batata roxa e rainha,
tomar água de quartinha,
de milona, fez provança,
recebendo a ensinança
de pessoa tarimbada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Eu me criei foi comendo
farinha com rapadura,
no meio da agricultura,
participando e colhendo,
lutando e desenvolvendo,
com coragem e com pujança,
deleitando a abastança,
dessa área abençoada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

A gente acordava cedo,
satisfeito e animado,
papai ia pra o roçado,
lhe acompanhava sem medo,
por dentro do arvoredo,
realizando essa andança,
numa grande aventurança,
durante toda jornada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Eu ajudava a meus pais,
na cata de algodão,
de oiticica e de feijão,
pastorando os arrozais,
outros serviços rurais,
rotineiros da usança,
com brincadeira e folgança,
fazer verso de embolada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Casa cheia de fartura,
de milho, arroz e feijão,
com carne de criação,
leite, mel e rapadura,
queijo, farinha, a mistura
de fuba que dá sustança,
comida pra encher a pança,
nata, cuscuz e coalhada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Peixe, sopa, rubacão,
bolacha, fubá, cuscuz,
chá de cidreira e mastruz,
de alho e manjericão,
sarapatel e pirão,
quebra-queixo e malampança,
fazendo aquela melança,
pamonha, coco e salada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Gostava de passear;
buscar lenha pra fogueira,
caçar de baleadeira,
sem ter hora pra chegar.
Ouvir o galo cantar,
de casa e da vizinhança,
na hora, sem ter tardança,
no alto da madrugada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Uma vida prazenteira,
brincar de bola de gude,
tomar banho no açude,
no rio, na cachoeira,
toda a semana ir à feira,
comer doce, encher a pança,
ir a pé que não se cansa,
brincando com a meninada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Lembro a festa de São João,
do reisado e do rosário,
batizado e novenário,
de casamento e leilão,
da debulha de feijão,
brincadeira, jogo e dança,
todo tipo de festança,
vaquejada e farinhada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Quem se criou no sertão
pagou cota pra dançar,
viu sanfoneiro tocar
as músicas de Gonzagão,
rancheira, xote e baião,
que animava toda dança,
menina na requebrança,
debaixo de uma latada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Ciranda, adivinhação,
dia santo e romaria,
argolinha, cantoria,
cordel, terço e procissão,
histórias de Lampião,
de trancoso e de carrança,
de visagem e de romança,
indo até a madrugada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

De vez em quando eu me lembro
do tempo da juventude,
cheia de paz e saúde,
meu natalício em novembro;
quando chegava dezembro,
no natal, tanta pujança,
final do ano, a mudança
para nova temporada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Quer ver meu peito apertar,
me fale do meu sertão,
a primeira comunhão,
a cultura popular,
os costumes do lugar,
as relíquias da herança,
casa cheia de bonança,
que será sempre lembrada!
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Eu nunca vou esquecer,
durante toda existência,
a fase da adolescência,
que me faz envaidecer;
recordar é reviver,
tudo isso não me cansa,
minha mente faz cobrança,
lembrando a fase passada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Não me sai do pensamento
o meu tempo da infância,
cheia de tanta abundância,
de paz e divertimento,
me sinto nesse momento,
levado pela ordenança,
preservando a temperança,
daquela velha morada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

No sertão que fui criado,
aproveitei minha infância,
mesmo estando a distância,
fico emocionado,
relembrando esse passado,
toda a minha militança,
a tradição, a prestança,
naquela terra sagrada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

A gente sai do sertão,
e o sertão não sai da gente,
pra mim o maior presente,
é meu querido rincão;
tenho na recordação,
guardo tudo na lembrança,
que me dá mais segurança,
com a história recordada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Eu gosto de visitar
a fazenda dos meus pais,
ver no pátio os animais,
ouvir o pássaro cantar,
co’os vizinhos conversar,
aproveitar na estança,
o cheiro da naturança,
e do gado na malhada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

Quem é que não tem saudade
do seu tempo de menino,
seja urbano ou campesino,
lembra com sinceridade,
a sua propriedade,
o conforto, a confiança,
com os pais na liderança,
pra seguir a caminhada.
Eita saudade danada
do meu tempo de criança !

A história do lugar,
se acha num documento,
para consulta a contento,
de quem quer se deleitar,
aprender e recordar,
curtindo toda beleza,
conhecendo a fortaleza,
de uma área cristalina,
deslumbrante e genuína,
cheia de tanta riqueza.
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