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Ensaios-->O Buraco é Cá Embaixo -- 14/05/2003 - 11:52 (Domingos Oliveira Medeiros) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

O BURACO (DE OZÕNIO) É MAIS EMBAIXO
(por Domingos Oliveira Medeiros)
Revisto e Atualizado.


Os jornais dão conta, quase que diariamente. O tempo está ficando cada vez mais maluco. No mundo inteiro. E ninguém se arrisca, ou tem coragem para explicar as causas de tanta confusão na natureza; e tantos prejuízos que este fato vem causando. Pelo menos, a principal das causas, todos sabemos: o aquecimento do globo terrestre, que é fruto do famoso buraco de ozônio, nosso conhecido de longa data, mais conhecido pela alcunha de efeito estufa.

As secas no Sul do Brasil, as enchentes no Nordeste e em Minas Gerais, são cada vez mais freqüentes e mais intensas; e já fazem parte do calendário nacional de crises, não cabendo, portanto, a alegação de seu desconhecimento ou de surpresa, para justificar a falta de soluções preventivas.

Nem cabe, de idêntico modo, empurrar o problema para a frente, sob a alegação de que a responsabilidade pela solução estaria afeta aos governos estaduais e municipais, e parte, da União.

O Brasil, em casos como este, tem mais é que repartir responsabilidades e, de mãos dadas, enfrentar um problema, que, a rigor, é de ordem emergencial e, justamente por isso, não pode esperar.

Vamos seguir o exemplo da Malásia, que abandonou o auxílio e as orientações do FMI, proibiu a retirada de capitais estrangeiros, demitiu o então ministro da economia, a despeito de ter sido tachado de louco, irresponsável e autoritário. Entretanto, passado o surto de pressões iniciais, a Malásia pode baixar as taxas de juros e administrar o câmbio de acordo com as necessidades internas e específicas de sua economia.

As autoridades malásias assumiram a autonomia em relação à política econômica. Não ficou se repetindo. Achando que a solução é, sempre, àquela indicada pelos credores internacionais. Logicamente, sob a ótica de seus interesses.

A produção voltou a crescer. Em dois anos, aumentou a entrada de capitais produtivos. E pouca gente comemorou a ousadia que deu certo. Por que será?

Já está mais do que na hora de começarmos a resolver nossos problemas internos às nossas custas, quebrando, de uma vez por todas, a mania de andar com as pernas dos outros. Copiando tudo que vem lá de fora. Como se não soubéssemos, por exemplo, que o que é bom para os EUA, não necessariamente é bom para o Brasil.

Haja vista a prepotência do governo americano ao se recusar a assinar o protocolo de Kioto, comprometendo, dessa maneira, o equilíbrio ecológico de nosso globo, apenas para resguardar interesses de seus fabricantes da chamada “linha branca”.

Vale lembrar, também, o abandono dos americanos à Conferência na África do Sul, cuja temática era de fundamental importância para o combate à discriminação racial e ao racismo no mundo. Isto sem falar nas barreiras de ordem econômica, que prejudicam e colocam em desvantagem nossos produtos de exportação.

Muita gente, inclusive na própria América, já evidenciou que falta aos governantes americanos a necessária disponibilidade para o diálogo, para a negociação política, esgotando os meios diplomáticos e não querendo dividir o mundo, em duas partes: Contra ou a favor dos EUA. Haja vista as questões relacionadas aos conflitos com o Afeganistão e o Iraque.

Depois que o bicho papão do comunismo envelheceu, a democracia americana colocou as unhas de fora. Unhas, agora sabemos, postiças e afiadas; e sempre contra quem ele sentencia como seu inimigo ou desafeto. À revelia da lei e dos acordos internacionais. Contrariando, inclusive, as recomendações da Organização das Nações Unidas, da qual é o principal conselheiro, e que ajudou a fundar com o objetivo, exatamente, de dirimir conflitos de origem internacional.
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Se o tempo no Brasil e no mundo está quente, todas as causas têm que ser apuradas. E não adianta tampar o sol com a peneira. Pois, com gestos de indiferença iguais aos praticados pelos EUA, o tempo esquenta em todos os sentidos.

Não é por outra razão que estamos vivenciando tempos acalorados de violência em todas as suas facetas: o terrorismo, os desmatamentos, a poluição, as enchentes, os incêndios florestais, a seca, o desemprego, o contrabando de armas, de material bélico, de animais em extinção, de madeira - principalmente o mogno - de drogas, de prostituição - infantil e adulta-, enfim.

Não é por acaso que, recentemente, agentes de delegacia de crimes contra a fazenda pública, no Estado de Goiás, foram assinados a tiros, dentro do próprio carro. Que ex-dono e mais treze diretores do Banco Nacional foram presos por ordem judicial, no Rio de Janeiro, por gestão fraudulenta, maquiagens de balanços financeiros e divulgação de informações falsas. E o Banco Central, que tanto ajudou o Banco Nacional, com dinheiro do PROER, durante oito anos, tempo que durou a fraude, se quer desconfiou da mesma. Quando descobriu, já era tarde, ficou R$12 bilhões de prejuízo para a Viúva, a União Diante desses números, tem-se vergonha até de falar no bilhão e meio que foi parar na mão de um banqueiro mal gestor. Que está na Itália, foragido, gastando o nosso dinheiro. E o Sistema Financeiro, que seria afetado caso não houvesse dita (ou maldita) ajuda, continua no mesmo lugar, e lucrando como sempre.

Não é por outra razão, acredita-se, que um promotor de justiça foi assassinado em Belo /Horizonte, quando investigava a possibilidade de combinação de preços entre donos de postos de gasolina. E tem a morte do Prefeito Celso Daniel, de outro prefeito do Partido dos Trabalhadores, e tem os resultados das várias comissões parlamentares de inquérito, que ainda não chegaram ao seu término, mas que dão a exata dimensão do crime e do roubo que se praticam neste país, à revelia dos órgãos de supervisão e controle, por conta do clima ameno da impunidade, que tem beneficiado ladrões e mais ladrões de colarinho branco e até de toga, quando não com o distintivo de alguma corporação militar ou civil.

Enquanto não se consegue achar o Bin Laden – e mais recentemente o Saddam Hussein e suas armas químicas -, os jornais bem que poderiam deveriam dar cobertura semelhante àquela dispensada à guerra do Iraque, desta vez cobrindo, amplamente, o caso dos tentáculos do poder econômico, junto ao Congresso Americano, por conta da surpreendente falência da ENRON, uma gigante do mercado de energia, que faliu de forma suspeita, e que mantinha fortes ligações com o poder nos Estados Unidos, e que tem sido apontada como a responsável pela maioria das pomposas doações aos políticos americanos, senadores e deputados, inclusive para a campanha do atual presidente Bush.

E o Presidente Bush, pelo menos para salvar as aparências, bem que poderia tomar posição mais clara no sentido de acabar com o terrorismo que está cada vez mais quente, tanto do lado de Israel, como do lado da Palestina, ao invés de ficar, apenas, ameaçando o mundo inteiro.

Conclusão: o clima só é quente, mesmo, para quem fica cá em baixo, do outro lado da linha do Equador, enfrentando as enchentes e as quedas de barreiras, cujos desabrigados, mortos e feridos, ficam à mercê da disputa interna entre as três esferas de poder. E quem mais sofre é esta gente que não tem acesso ao mundo dos “Nasdaques” e dos “Dow Jones”. O Buraco de Ozônio é, realmente, bem mais embaixo.

Domingos Oliveira Medeiros

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