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Ensaios-->A Usina de Letras e as mãos do Estado (?) -- 07/12/2002 - 17:58 (Georgina Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. O título de um texto aqui veiculado durante a semana, ao que parece já devidamente revisado, trouxe-nos a expressão “a mão invisível do Estado”, utilizada equivocadamente pelo seu autor. Creio que o colega enganou-se ao defender a idéia de que o próprio site acabaria por se regular, sem necessidade de nenhuma postura controladora por parte dos seus administradores.

Fiquei viajando na idéia e remeti-me ao sociólogo francês Pierre Bordieu, especificamente quando o mesmo trata simultaneamente de mãos e de Estado. Segundo ele, o Estado possui duas mãos. A esquerda é representada pelos trabalhadores sociais e a direita pelos burocratas do Estado. Os primeiros têm que exaurir-se para dar conta daquilo que seria dever daqueles elementos do governo e isso vem a gerar-lhes conflitos internos e revolta. Não quero alongar-me e não sei se estou sendo suficientemente clara, mas pretendo apenas dar uma pincelada para formar o paralelo pretendido.

Não podemos negar que, embasando-nos em Bordieu, os agentes da “ mão direita ” normalmente esforçam-se para alcançar eficiência na utilização da mídia , objetivando benesses e a manutenção nos cargos por eles ocupados ( aliás, o sociólogo era um ferrenho defensor do movimento antiglobalização ). Na administração pública, por exemplo, os feitos necessitam ser divulgados e ampliados para o prestígio de quem os realiza. É a política das vaidades...E os assistentes sociais, médicos, enfermeiros etc. ( direita ), ficam sobrecarregados com a dura realidade enfrentada em seus cotidianos. A estes, a ação ininterrupta e àqueles , a eterna reforma necessária, construída com as práticas verborrágicas e as ferinas críticas aos oponentes.

Reportando-nos agora à Usina, pertencemos a um site informal e democrático como nenhum outro conseguiu ou tencionou vir a ser. Há bons ou maus textos, dependendo do julgamento subjetivo ou acadêmico dos leitores, assim como de seus mecanismos de identificação ou projeção. Somando-se a isso, pressupõe-se que a página é potencialmente terapêutica, dada a catarse que aqui se opera.

Numa tentativa de ampliar e adequar o raciocínio do usineiro que atribuiu as mãos ao sujeito errado, seria muita “viagem” pressupor que a Usina de Letras também as possuiria, esquerda e direita? Teríamos por aqui alguns (esquerda) empenhados no prolongamento dessa iniciativa, tentando comunicar algo realmente significante através de sua escrita? A manutenção dessa postura poderia vir a atrair novos e numerosos colaboradores, renovando e arejando os vícios que normalmente surgem numa comunidade como a nossa?

Por outro lado, aqueles que ocupam-se apenas em propor excessivas auto-promoções, reformulações e queixas repetitivas...(direita) Estariam dispostos a destruir um cofre inteiro para alcançar as medíocres moedinhas do orgulho e da vaidade? Poderiam estar, com a progressão do tempo e a competição desleal e desenfreada, destruindo uma grande possibilidade de simplesmente escreverem e serem lidos?

Quando estamos num palco, a impressão que temos ao olhar para a platéia escura é a de que ninguém nos observa. Mas o nosso site está sendo avaliado a todo instante, inclusive por pessoas que teriam muito a nos dizer, se ousássemos permitir. Ou seria ele um mero espaço de bate-papos virtuais? Onde está a tão decantada democracia ao impedir que aqui ocorra a diversidade, para a qual outros possíveis escritores contribuiriam?

Dias atrás, acessei uma página que efetua duas publicações mensais de trabalhos enviados. Qual não foi a minha surpresa ao constatar que ali estavam vários dissidentes nossos, excelentes colaboradores que perdemos ao longo do tempo.

A questão que trago não se refere à imposição de uma censura oriunda dos organizadores. Não me reporto também a tópicos de moralidade descabida. O problema é que, sem uma reavaliação pessoal, a Usina vai se tornar cada vez mais enfadonha. Se o que escrevemos não é relevante, utilizemos o quadro de avisos. Aquele espaço , ao que me parece, está liberado para que possamos dar um murro no nariz do desconhecido. E quem vai até lá, sabendo disso, provavelmente vai relativizar as ofensas recebidas.

Termino com a ressalva de que não me refiro a ninguém especialmente. Trata-se apenas de uma crítica construtiva e tecida através de generalizações. Sempre que idealizo a Usina, imagino um grande laboratório. Aqui aprendi muito e não podemos prescindir das experiências dos colegas, por mais antagônicas que possam parecer. As vezes penso que aqueles que mais divergem por aqui são os que mais se amam . Creio que seria desesperador para um viver sem a contenda com o outro. (rs...).

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