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Cordel-->SABEDORIA POPULAR - 2ª PARTE -- 06/06/2003 - 17:13 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
SABEDORIA POPULAR - 2ª PARTE
Ditados metrificados
José de Sousa Dantas, em 06/06/2003

É duro ter que pagar
o pão que não foi comido,
Não se meta a ser sabido
querendo nos enrolar,
Só vendo pra acreditar,
Não há bela sem senão,....
Queima mais do que tição
Beijo roubado é mais doce
O qu’era doce acabou-se,
Azedo que só limão.

Antes penar que morrer
A paciência, o juízo
são chaves do paraíso,
Entre o dizer e o fazer
há muito o que acontecer,
Se quiser ser bom juiz,
ouça o que cada um diz,
Do trabalho e experiência,
aprende o homem a ciência,
Corta o mal pela raiz.

Quem acha que pode, pode,
Teima que só boi lavrado,
O chão tá seco, torrado,
Quem não pode se sacode,
O pai de chiqueiro é bode,
Passar a batata quente,
Diabo em forma de gente,
Foi não foi está beirando,
Assaltantes fazem bando,
Dói igual a dor de dente.

Filho feio não tem pai,
Por fora, filó, filó,
por dentro molambos só,
Mas um dia a casa cai,
Nem tudo que entra, sai,
Homem ateu, mulher à-toa,
Doçura demais enjoa,
Lá na casa do Gonçalo
a mulher canta de galo,
Quem ofende, não perdoa.

O tempo e a ocasião
não esperam por ninguém,
Ninguém perde o que não tem,
Branco é da cor de algodão,
Na ausência do patrão
bem se conhece o criado,
Tanto faz assim, assado,
Já em tempos adversos,
mal faz o poeta os versos,
Doutor deve ser letrado.

O invejoso esmagrece
de ver a gordura alheia,
Mulher feia, espelho odeia,
Quem apanha nunca esquece,
Quem ganha, depois merece,
Sei que o tempo tudo cura,
menos velhice e loucura,
Mulher e peixe no mar
são difíceis de achar,
A arte imita a natura.

Quem não vive pra servir,
não serve para viver,
Quem vive para sofrer,
não vive para sorrir,
Tropeçar não é cair,
Quem traz é bem recebido,
O dado não é vendido,
Uma andorinha não faz verão,
Roda mais do que pião,
Prece de pobre é pedido.

Jacaré comprou cadeira,
não tem bunda pra sentar,
Quem gosta de pechinchar,
demora comprar na feira,
Quem vive na bebedeira,
não tem hora pra chegar,
Tem sarna pra se coçar,
Não beba nada sem ver
e nada assine sem ler,
Quem te amar, fará chorar.

A cabeça é poderosa,
mas quem manda é o coração,
Mulher nova é tentação,
mulher madura é jeitosa,
A vida é muito espinhosa,
mas vale a pena viver,
Faz gosto a pessoa ler
um trabalho de valor,
construído com amor,
com coragem e com prazer.

Marido de mulher feia
não gosta de feriado,
Homem galinha é tarado,
Do couro sai a correia,
Quem não pode trapaceia,
Mesmo de terno e casaco,
macaco sempre é macaco,
gosta muito de banana,
Quem me mente não me engana,
Pau podre não dá cavaco.

Migalhas também é pão,
Não há domingo sem missa
nem segunda sem preguiça,
De Deus se tem o perdão,
mas da natureza, não,
Nunca será estimado,
quem só de si tem cuidado,
Bom de berço, bom de leito,
Não há nada tão bem feito,
que não seja melhorado.

O tolo faz a comida,
que o esperto vai comer,
Antes penar que morrer,
Pra tudo tem a saída,
Caipora é escondida,
Com santo, se faz promessa,
Devagar que eu tenho pressa,
Além da queda, tem coice,
Facão corta igual a foice,
Mato ruim cresce depressa.

Nenhum cego se conhece,
Quanto maior a ardência,
menor será a prudência,
Mas quem muito aparece
tanto lembra que aborrece,
Quem dá e torna a tirar,
ao inferno vai parar,
Osso é duro de roer,
Não há festa sem comer,
É preciso navegar.

A atividade é
a mãe da propriedade,
Bom princípio é metade,
Quem confia em Deus, tem fé,
Toda serra tem sopé,
Lua nova é trovejada,
trinta dias de molhada,
Ouve o que diz a prudência,
não se ponha em evidência,
Isso é o fim da picada.

Não há regra sem exceção,
Erva má depressa cresce,
Bem ama quem não esquece,
Vem do tempo de Adão,
Faz das tripas coração,
Se me aprova a consciência,
não ligo à maledicência,
Não há mal que sempre dure,
nem bem que sempre ature,
Leseira não é prudência.

Comida muito mexida
ou sai crua ou sai queimada
É sangria desatada,
Tudo se paga na vida,
Pôr o dedo na ferida;
Com a pedra no sapato,
Suga como um carrapato
Corta mais que roçadeira,
Ligeiro que só coceira,
Manteiga em venta de gato.

Hora boa de comer
é quando se estar com fome,
Bem jejua quem mal come,
Pior cego, o que não ver;
A vida, eterno dever,
Roma não se fez num dia,
Deus adiante, paz na guia,
Problema chamando, vem
Só não dá é quem não tem,
Prudência é sabedoria.

Quem espera sempre alcança,
Cão de caça vem de raça,
Quem quer caça, vai à praça,
Sempre alcança quem não cansa,
Fazer nada também cansa,
Tico-ticos e pardais,
Todos querem ser iguais,
De grão em grão a galinha,
enche o papo na cozinha,
O tempo não volta a trás.

Antes de pular, olhar,
Se a preguiça move, cansa,
a pobreza logo alcança,
O fácil de contentar
tem menos para chorar
Boniteza é meio dote,
Frase boa vira mote,
Quem não herda, não prospera,
Quem espera, desespera,
Cobra sabe dar o bote.

A morte não escolhe idade,
Mal parece, mal padece,
O marinheiro conhece
quando vem a tempestade,
Quem parte, deixa saudade,
quem fica, saudade tem;
Quem não tem, Deus o mantém,
Atenção faz a memória,
Inveja é sombra da glória,
Mais aperta, quem mais tem.

Ser não ser, eis a questão,
Quem na despesa é frugal,
logo aumenta o capital,
A chuva de São João
tira vinho e não dá pão,
Água mole em pedra dura,
tanto bate até que fura,
Em frente, que atrás tem gente,
De tal gente, tal semente,
Com tempo tudo se cura.

Casado não é capado,
Quando se faz uma panela
faz-se um teste para ela,
A bodas e a batizado
não vá sem ser convidado,
Antes morrer de azia
que de barriga vazia,
A mulher muito formosa
ou é boba ou presunçosa
Sapo de fora não chia.

Você pulou uma fogueira
Mal fechado, mal guardado,
É chover sobre o molhado,
Está sem eira e sem beira,
Tapar o sol com a peneira,
Na alegria e no sofrer,
sempre vale é o viver.
Cada qual no seu lugar,
Há tempo para plantar,
há tempo para colher.

Ajoelhou tem que rezar,
Não peças a quem pediu
nem sirvas a quem serviu.
Essa cobra vai fumar,
Vai avistar boi voar,
Perde o velho em não poder
e o novo por não saber,
A água silenciosa
é por demais perigosa.
A dor ensina a gemer.

A água corre pra o mar,
As paredes têm ouvidos
Entre mortos e feridos
alguém terá que escapar
Impossível é encontrar
uma agulha no palheiro,
Lobo em pele de cordeiro
De poeta, médico e louco,
cada um possui um pouco,
Não há amor como primeiro.

Amor não é esquecer,
Mulher é como bolacha,
em qualquer lugar se acha,
Amar, tossir e arder
é impossível esconder,
Quem melhor recompensar,
mais favor há de achar,
Camponesa é a galinha,
vai à mesa da rainha,
Divide para reinar.

Mocidade olha pra frente,
a velhice olha pra trás,
Se solta não volta mais,
Ninguém fica pra semente,
Saudade não mata gente,
mas machuca o coração,
Bom exemplo é o sermão,
A dor passada é esquecida,
A cada dia da vida
se aprende uma lição.

Quem não é um bom soldado,
não será bom capitão,
A afeição cega a razão,
Em trabalho variado,
trabalhador repousado,
Mente que o cu não sente,
O pobre só vai pra frente
quando leva uma topada,
Mais vale o pouco que nada,
Não tem diabo que agüente.

Não sou o dono do mundo,
mas sou o filho do dono.
Povoador é colono,
O eloqüente é facundo,
Proveniente é oriundo,
A arte de agradar
é a arte de enganar,
O riso é o melhor remédio,
Da abundância nasce o tédio,
Só vendo pra acreditar.

Aproveite enquanto dura
toda sorte a seu favor,
Grande amor, grande labor,
Quanto maior a ventura,
tanto menos é segura,
Urubu quando infeliz,
de costa quebra o nariz,
A ovelha da vizinha
dá mais leite que a minha,
Em pouco muito se diz.

Muita gente não pratica
um gesto de gratidão,
Na fome, não há mau pão,
Quem sua vida complica,
seus cuidados multiplica,
Em história mal contada,
traque vira trovoada,
É bom pegar ou largar,
Quem tem com que me pagar
a mim não me deve nada.

O amor segue depressa,
o ódio vai devagar,
Tem chance de terminar,
quem bom trabalha começa,
Se for necessário, peça,
Se queres fortuna e fama,
não te encontra o sol na cama,
A festa de rico é luxo,
a festa de pobre é bucho,
Quem nunca grita não mama.
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