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Cordel-->POEMAS de ARLINDO UGULINO -- 02/06/2003 - 10:03 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
POEMAS de ARLINDO UGULINO (*)

A GOTA DE SUOR DO SERTANEJO
Prof. Arlindo Ugulino

Tanta gota de suor molhando o chão,
Nesta terra queimada do Nordeste,
Na luta dos heróis do meu sertão,
Sertão dos heróis, cabras da peste!

No inverno regular o chão se veste
Das folhas verdejantes do algodão,
E o vento “ARACATI” vem, do agreste,
Beijar os pés de milho e de feijão!

E, assim, com a luz do sol e do luar,
O sertanejo vê a roça prosperar,
Sonhando acordado com a colheita.

Após horas de lutas e canseira,
Volta pro rancho e chama a companheira,
Reza feliz, na rede e, ali, se deita...

Para o querido poeta JOSÉ DANTAS na visita que me fez em João Pessoa, neste dia 01/06/2003 (domingo).


De OTACÍLIO BATISTA, Monstro sagrado da poesia do sertão, numa cantoria realizada em POMBAl com Ivanildo Vilanova:

ARLINDO é tão importante,
Esta figura fiel,
Tem diploma de doutor
E anel de bacharel,
Mas o anel não lhe honra,
Ele é quem honra o anel !

OBS:
Ouvem-se palmas estrondosas após o verso acima,
no local onde a cantoria aconteceu em POMBAL.

(*) Prof. ARLINDO UGULINO é poeta descendente da família de poetas, NUNES e COSTA, bisneto de UGULINO DO TEIXEIRA (Ugulino do Sabugi, um dos primeiros poetas repentistas do Nordeste). É Bacharel em Direito, Professor da UFPB e Promotor de Justiça, Aposentado. Autor do livro “ESTE É O MEU SERTÃO: Pessoas, fatos e paisagens - em prosa e verso.”

Dentre os diversos POEMAS constantes do livro "ESTE É O MEU SERTÃO”, do Prof. ARLINDO UGULINO, destacamos esses quatro:


A MORADA DA PAZ
Prof. Arlindo Ugulino

Não adianta, no mundo, amealhar
Bens e riquezas, dinheiro e posição,
Se, no entanto, vier a lhe faltar
O ar puríssimo pra alma respirar:
A PAZ de DEUS que alegra o coração!

Pode você viver nua mansão,
Ter berço de ouro e nele repousar;
Que adianta o luxo e a louvação,
Ou não saber a dor da precisão,
Se falta a PAZ no espaço do seu lar?

Quando encontrar pomposa construção,
Cheia de luz, de frente para o mar,
Lembre a casinha perdida no sertão,
Sem pavimento, escada e corrimão,
Toda coberta de flor de manacá...

Lembrando as duas, ponha-se, então,
A refletir e passe a comparar:
Quanta pobreza na casa do sertão,
Feita de taipa, sem ferro e armação,
Quanta opulência na casa à beira-mar...

E, assim pensando, surge a indecisão,
Que lhe sugere, logo a indagar:
Onde está mesmo a grande distinção,
Entre a casinha perdida no sertão,
E o palacete virado para o mar?

Não é na parte externa. Não é não,
Que a grande diferença vai achar,
Pasmando ante a vivenda do barão,
Cercada de enorme paredão,
E a choça do sertão, sem copiá...

Seu grande lampadário a brilhar,
Carpetes espalhados pelo chão,
Os móveis e as alfaias a ornar
A alcova e linda sala de jantar,
São os toques de alto gosto da mansão...

Nada, porém, você vai encontrar
Disto na casa de Neco ou de João,
Porque o muito que podem ofertar
É a latada de oiticica e um fogão,
Além de um grande e forte coração,
Sempre afetivo e pronto para amar...

Apesar disto tudo, meu irmão,
Permita-me, agora, declarar,
Que a grande diferença ou distinção
Entre a casa do potente marajá
E a pobre cabaninha do sertão,
Não está nos antigos castiçais,
Mas, está justamente, onde não vemos,
Num adorno que, por prata, não vendemos,
Este adorno tem três letras: é a PAZ...


INFÂNCIA
Prof. Arlindo Ugulino

Solene evocação do meu passado,
Palor da luz difusa ao fim do dia,
Que é, para o poeta amargurado,
Um favo de dulçura que alivia...

Infância é o cravo lindo que sorria
Na grama de um jardim tão delicado,
Que enquanto no horizonte, o sol subia,
O cravo feneceu, ficou crestado...

Relembro, então, os tempos de outrora,
Ah! meu Jesus, se, ao menos, numa hora,
Eu pudesse reviver o que passou...

Porém, quanta saudade no meu peito!
Quero voltar à infância e não há jeito,
Porque muito distante além ficou...


O SORRISO
Prof. Arlindo Ugulino

Sendo a mais fina expressão da alma
O riso exprime vários sentimentos
É lenitivo que, de pronto, acalma,
Tem mais vigor que todos os talentos...

Vezes, na vida, atesta a verdade,
Noutras, porém, esconde a mentira!
Nos lábios ternos, mostra piedade,
Dos lábios maus, a piedade tira...

Ora o riso esconde alguma dor,
Noutro momento, lembra o prazer,
Nos lábios jovens quer dizer amor,
Já, na velhice, expressa o sofrer...

Nos lábios santos da mamãe querida
O riso soa mais que uma canção,
Quando acalenta, ao peito, comovida,
Do seu viver a máxima razão...

Nos lábios do fingido é um punhal,
Do delinqüente, ofende e envenena!
Há riso santo, de aroma angelical,
Outros parecem um grito de hiena...

Assim, o riso espalha, pelo mundo,
A sua mágica e rica expressão,
Pode servir, de alento, ao moribundo,
Pode fazer feliz a multidão...

Com um sorriso é fácil arquitetar
Dias melhores, plenos de amor,
Como, também, é fácil desmanchar
O que, a tantos, valeu suor e dor...

A humanidade deve repensar
Como é possível ao mundo colorir,
Basta que o homem, em vez de se irritar,
Estenda a mão fraterna a sorrir...


A LÁGRIMA
Prof. Arlindo Ugulino

Essa lágrima quente que desliza
Sobre a face marcada de tristeza,
Tão pequena, porém, mede a grandeza
De uma dor que maltrata e martiriza...

Pequenina, contudo, é mensageira
Ou da dor que, de crepe, ao mundo veste,
Ou da justa alegria que reveste,
Da feliz criatura, a alma inteira.

Sintetiza milhares de emoções,
Faz libertos profundos sentimentos,
Tem o brilho e fulgor dos firmamentos,
E o seu brilho ilumina os corações...

Nas manhãs borrifadas de tristeza,
Quando, em cada coração, existe a dor,
Uma lágrima alcança mais fulgor
Que o sol iluminando a natureza...

Marejando nos olhos da criança,
Ou do triste ancião que agoniza,
Uma lágrima vertida simboliza
O começo e o fim da esperança...

Toda dor que o Cristo padeceu,
Só em lágrima de sangue traduziu,
E no fel que lhe deram, pressentiu
Quão amargo foi o cálice que bebeu...

E no pé do calvário, traspassada
Pela dor que ao filho atormentava,
Sua Mãe Amantíssima chorava
No sofrer de Jesus transfigurada...

Assim, em cada lágrima repousa
Um sentido especial de eterno brilho,
Se é belo a mãe chorar ninando o filho,
É bem triste ver, da mãe a eterna lousa...
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