Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
210 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 58655 )
Cartas ( 21223)
Contos (12990)
Cordel (10256)
Crônicas (22146)
Discursos (3159)
Ensaios - (9331)
Erótico (13465)
Frases (45857)
Humor (19094)
Infantil (4322)
Infanto Juvenil (3486)
Letras de Música (5467)
Peça de Teatro (1335)
Poesias (137970)
Redação (3032)
Roteiro de Filme ou Novela (1059)
Teses / Monologos (2423)
Textos Jurídicos (1940)
Textos Religiosos/Sermões (5384)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Redação-->O presépio de Osvaldo André -- 08/12/2020 - 23:50 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
.

 

 

 

 
   
 
 
 
 
 
 
 
 

Presépio

Para Frei Bernardino Leers

 

Ao redor do lago de espelho,
a exuberante plantação de arroz.
A serragem verde de anilina representa
grande parte da vegetação do presépio,
porém deixa emergir tufos de avencas,
dinheiro-em-penca, begônias e áreas sombrias de lodo.
A gruta foi cuidadosamente construída, usando-se
jornal recoberto por grude e tinta de sapato,
salpicado de malacacheta em pó,
preparando-se o topo para dependurar o Anjo Gabriel
com a sua faixa GLORIA IN EXCELSIS DEO e o nicho
para o galo cantar. No relevo mais alto da paisagem,
acaba de pousar a estrela-guia, Lá no caminho serpeante,
aproximam-se os Reis Magos. As encostas,
reservadas para as ovelhas e os carneiros pastarem,
à música de flauta dos pastores.
O interior da gruta, guarnecido de flores secas, musgos,
líquens, conchinhas do mar, caramujos da terra
e outras opacidades para destacar o laminado da estrela de papel.
Da serraria até a estrebaria, as raspas de madeira,
ao natural, viram feno, ali no cercadinho, onde já comparecem
o burro e o boi que não param nunca de adorar
a sagrada ausência na manjedoura.
Maria e José pressentem toda a azáfama da família reunida,
a natureza que se transforma, a alegria reinventada,
mas não cessam jamais de contemplar a luz divina
que se manifesta e cresce na manjedoura.
Uma legião de serafins e querubins em púrpura
sobrevoa a lapinha e canta a glória de Deus,
na terra dos homens em paz.
As trilhas descem as encostas da gruta,
vão dar no caminho que serpenteia o enorme descampado
e termina na borda frontal
do presépio exatamente para receber o visitante. 
Agora, há cisnes deslizando no imóvel lado de espelho.
As galinhas com seus pintinhos ciscam à sombra de renda
das avencas. Contudo, de repente, faz-se um agudo silêncio.
A vida se cristaliza cheia de graça neste novo presépio.

Nasceu o Deus Menino, o Salvador.

 

Osvaldo André de Mello

 

 
 
Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Seguidores: 24Exibido 16 vezesFale com o autor