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Artigos-->PANORAMA DA POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÃNEA - -- 24/12/2001 - 00:50 (ARICY CURVELLO) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
POR AUTORIZAÇÃO DO PROF. FÁBIO LUCAS, TRANSCREVO AQUI O TEXTO DELE QUE TANTO ESTÁ REPERCUTINDO E SENDO DISCUTIDO, POIS, ENTRE OUTROS ELEMENTOS, TRAZ A LISTA DOS POETAS NACIONAIS REPRESENTATIVOS NESTE INÍCIO DO ´SÉCULO XXI. O ÙLTIMO PARÁGRAFO FOI ACRESCENTADO AO TEXTO ORIGINAL PELO PRÓPRIO PROF. F. LUCAS.

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O texto que abaixo se transcreve foi eleito como o mais fundamental e decisivo texto crítico publicado sobre poesia brasileira no ano de 2001, tantas foram as suas transcrições, republicações e menções no Brasil e no exterior. O texto é assinado pelo Prof. Fábio Lucas, unanimemente apontado como um dos três críticos literários mais importantes do Brasil, ao lado de Antônio Cândido e Wilson Martins. O grande crítico expõe o que está ocorrendo com a poesia nacional, pois há muita gente que se julga bem dotada e bem informada, mas no entanto não está compreendendo nada de nada. E o que dizer , no Brasil, das antologias apressadas que estão pretendendo resumir o que houve de mais importante em sua poesia no século XX, sem a necessária distância e sem estudo aprofundado, não passando esses livros de meros empreendimentos comerciais, quando não de ação para, colocando-os junto a grandes poetas, promover amigos apesar de nomes literariamente insignificantes?

O artigo abaixo foi inicialmente publicado no prestigioso tablóide quadrimestral O Escritor- Jornal da União Brasileira de Escritores n. 97, São Paulo, Novembro 2001, p.23. O artigo repercutiu bastante e continua repercutindo. Está sendo repetido em várias das melhores publicações em papel e eletrônicas da Internet, como A Nave da Palavra {www.navedapalavra.com.br, edição (quinzenal) nº 68, de 23/11/200} e Usina de Letras , no link do poeta Aricy Curvello (www.usinadeletras.com.br). O tablóide literário Linguagem Viva (Ano XIII n. 145, S.Paulo) e o suplemento cultural do Diário do Nordeste, de Fortaleza/CE, já o publicaram. Sairá também no próximo número das afamadas revistas Calibán (Rio de Janeiro) e Literatura-Revista do Escritor Brasileiro (considerada a melhor de Brasília), além do conhecido tablóide carioca de poesia Panorama.

Em “A Poesia Desvairada” , artigo de capa do maior suplemento literário brasileiro, o “Prosa e Verso”, de “O Globo”, do Rio de Janeiro, de 24 de Novembro de 2001 ( um milhão de exemplares), o crítico André Seffrin, comentando o livro “100 Anos de Poesia”, referindo-se a graves defeitos da obra, mencionou o presente texto de Fábio Lucas, dando-lhe razão .

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PANORAMA DA POESIA BRASILEIRA

CONTEMPORÂNEA





Fábio Lucas





Sentimos a crise do paradigma sociocultural da Modernidade, sob os efeitos, portanto, do colapso das expectativas. Numa visão retrospectiva, temos que o Romantismo entronizou o individualismo e as manifestações subjetivas do “eu”, disposição do espírito que passou às vanguardas e ao Modernismo.

Mas, nas várias circunstâncias, o paradigma se exprime sob a forma de um cânone que pode ser considerado como sua fração menor.

Na fase atual da poesia brasileira, o que se nota é um aspecto mais fragmentário do que na era do culto do “eu”, de vez que a crise do paradigma representa a erosão do sistema literário. Deste modo, desligado do cânone e desfeito o sistema da literatura, o poeta se sente numa espécie de aurora da gênese, ou seja, liberto de qualquer regra ou convenção literária.

Todavia, como a arte é comunicação e, de certo modo, intersubjetividade, reconstituíram-se certas práticas tribais no dorso do grande gigante urbano. Pequenos núcleos, pequenas publicações, revistas e jornais, acolhem grupos emergentes ante a inércia cultural dos grandes veículos da imprensa, comandados pelo mercado e pela indústria do lucro. Nada há de inocente ou experimental na grande imprensa, mas o desmonte programado das práticas não utilitárias. O pior é que as universidades espelham-se nos jornais capitaneados, quase sempre, por jornalistas e escribas “funcionais”, prisioneiros das regras elementares do sensacionalismo comercial.

E os poetas? Distinguem-se por duas vias tradicionais: o apuro técnico e o respeito pela tradição. Quando leio poetas como Marco Lucchesi, Ivan Junqueira, Armando Freitas Filho, Luiz F. Papi, Lêdo Ivo, Ferreira Gullar, Affonso Rommanno de Sant’Annna, Marina Colasanti, Foed Castro Chamma, Hilda Hilst, Renata Pallottini, Dora Ferreira da Silva, Mário Chamie, Lenilde Freitas, Marcos Accioly, César Leal, Majela Colares, Virgílio Maia, Francisco Carvalho, Jorge Tufic, Nauro Machado, Arlete Nogueira da Cruz, José Chagas, João de Deus Paes Loureiro, Ruy Espinheira Filho, Ildásio Tavares, Miriam Fraga, Sérgio Castro Pinto, Marcos de Farias Costa, Carlos Nejar, Dois Santos dos Santos, Leonor Scliar-Cabral, Alcides Buss, Manuel de Barros, Raquel Naveira, Aricy Curvello, Yeda Prates Bernis, Adélia Prado, e tantos outros do mesmo nível, convenço-me da diversidade de manifestações, mas de consciência literária da melhor qualidade. Todas ausentes de um cânone. Ficam de fora centenas, senão milhares de poetas, lúcidos alguns, muitos ingênuos, distantes todos de qualquer classificação tendencial. Em suma, o panorama da poesia brasileira contemporânea assemelha-se a uma imensa constelação de estrelas solitárias, cada qual com o seu brilho e a sua trajetória.

Tudo isto contém breve explicação de porque a poesia antiga, tão distante do mundo real, era assimilada e entendida por todos, enquanto a poesia moderna, tão presa ao mundo real, tão “realista”, cotidiana e pedestre, ficou tão individualista e hermética, fechada ao entendimento de todos. Daí a radical solidão do poeta do “tempo presente, dos homens presentes, da vida presente”, consagrado nos versos de Carlos Drummond de Andrade. Aliás, em estudo passado, anotamos sobre o poeta itabirano: “todos nós sabemos como é do gosto do poeta a glosa dos fatos do dia” (cf. Minas Gerais, Supl. Lit., 31 de Outubro de 1972).







(Fábio Lucas é escritor mineiro, ensaísta, membro da Academia Paulista bem como da Academia Mineira de Letras. Presidente do Conselho da União Brasileira de Escritores, de São Paulo, de que foi Presidente por vários mandatos. Ex-Diretor do Instituto Nacional do Livro. Apontado como um dos três mais importantes críticos e o mais importante conferencista internacional de literatura brasileira. )







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