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Redação-->Dezessete de fevereiro -- 27/09/2011 - 19:54 (Georgina Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Os estampidos dos tiros atravessaram o raiar do dia. Na esposa, a cabeça. Na (cabeça) dele, o ruído ensurdecedor do julgamento alheio. Havia ainda o relativo frescor das cinco horas, que avançou até o fervilhar curioso da cidade. A poeira intensa dos sapatos inquietos temperou o calor de fevereiro.

A prostituta Dolores, único consolo, digna em sua nudez. Putas nunca se cobrem, e ainda que vestidas seguem expostas pelo mundo afora. Dolores, a Geni da cidade, em sua caridade desassistida. O viúvo lhe alcançava com olhos vermelhos, sedento por aplacar a impressão do sangue no travesseiro. O único carinho meio à compreensão que se extinguira.

A esposa e a puta, mulheres na história de José. Onde estarão todos agora? Da cidade interiorana, o pó migrou. Ali não mais o desespero da mulher bonita, nem o consolo benfazejo da Dolores. Dentre as mulheres que José despiu, essas se cruzaram fortemente, meio à insuportável presença da dor.

 

(Recreio/ MG, 17/02/1917)

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