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Artigos-->OS FILÓSOFOS DA GRÉCIA ANTIGA -- 18/09/2007 - 13:39 (Paccelli José Maracci Zahler) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
OS FILÓSOFOS DA GRÉCIA ANTIGA



Paccelli José Maracci Zahler



Desde os primórdios da civilização, o homem vive a angústia de saber o seu papel na superfície do planeta Terra e de conhecer a origem das coisas e seres vivos que o cerca.

A partir do século VI a. C., com o surgimento da Filosofia na Grécia Antiga, a busca por respostas começou a ser sistematizada, constituindo-se na base do pensar e viver da civilização ocidental.

Passou-se a construir uma explicação racional e sistemática das características do universo (cosmologia) em substituição à explicação sobre a origem do universo baseada em mitos (cosmogonia).

O objetivo principal era buscar o princípio absoluto (primeiro e último) de tudo o que existe, perene e permanentemente.

Atribui-se a Pitágoras a criação da palavra ‘philosophia’, significando ‘amor à sabedoria’.

Os filósofos originários, também conhecidos como pré-socráticos, particularmente, Heráclito e Parmênides, discutiram a questão da Natureza (Physis).

Para Heráclito de Éfeso, a Natureza é um fluxo contínuo, sendo emblemático o seu aforismo: “Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. Entretanto, para ele, havia uma diferença entre o que nossos sentidos nos mostram e o que nosso pensamento alcança.

Nossos sentidos nos oferecem uma imagem de estabilidade, ao passo que o pensamento percebe a verdade como uma mudança contínua.

O existir é um perpétuo mudar, um estar constantemente sendo e não-sendo, um devir perfeito.; um constante fluir.

Parmênides de Eléia, por sua vez, dizia que só podemos pensar sobre aquilo que permanece idêntico a si mesmo. Para ele, conhecer era alcançar o idêntico, o imutável.

Analisando o pensamento de Heráclito, Parmênides verifica que, dentro da idéia do devir, há uma contradição lógica, pois nenhum ente pode ser e não-ser ao mesmo tempo.; e chega à conclusão de que “o ser é.; o não-ser não é” e que o ser é único, eterno, imutável , ilimitado e imóvel.

Ele afirma que há um mundo sensível, aquele que conhecemos pelos sentidos, ininteligível e ilusório.; e um mundo inteligível, que conhecemos pelo pensamento e que é submetido à lei lógica da não-contradição.; e que as propriedades essenciais do ser são as mesmas que as propriedades essenciais do pensar.

Uma característica dos filósofos originários é a discussão da natureza confrontando o “ser e o não ser”, ou seja, os contrários. Por exemplo, para falar do bem, falavam também do mal.; para falar do frio, contrapunham o quente. Somente pela contraposição dos opostos era possível chegar à Verdade.

Para os filósofos originários, a natureza (Ser) (Physis) “tem inclinação a” ocultar-se, esconder-se. Para conhecê-la, devemos desvelá-la, tirar o seu véu (alétheia). Entretanto, a única forma de compreendê-la seria por meio do ‘lógos’ , termo de difícil tradução por ter vários significados interligados: discurso unificador, explicação, razão.

A partir de Sócrates, houve uma ruptura em relação ao pensamento originário, embora este filósofo não tenha deixado nada escrito e tudo o que se sabe sobre ele ter sido relatado por Aristófanes (As Nuvens), Platão (seu discípulo), Xenofonte (discípulo, porém escreveu sobre o mestre muitos anos depois) e Aristóteles (que fez uma adaptação das doutrinas ao seu próprio pensamento).

Sócrates colocou o homem e seus problemas no centro da reflexão filosófica. Para ele, todas as pessoas deveriam se conhecer e viver de acordo com a sua essência (alma) (psiqué), para isso tinha como lema o aforismo do templo de Delfos “conhece-te a ti mesmo”. Costumava criticar os atenienses pelo culto ao corpo e aos prazeres e pregava o cultivo das virtudes, as quais trariam conhecimento. Os vícios seriam resultado da ignorância, por exemplo, se os maus conhecessem a justiça, eles a praticariam porque ninguém é mau voluntariamente.

Para ele, todos deveriam unir o saber ao fazer, a consciência intelectual à consciência prática ou moral.

Sócrates defendia que toda a discussão deveria começar sem a arrogância de se considerar mais sábio que o oponente. Assim, costumava repetir:”só sei que nada sei”. Por outro lado, esta era a forma que ele encontrava para deixar que o outro falasse e, através de uma série de perguntas, fazer com que o outro chegasse à conclusão de que não sabia tanto quanto imaginava (método dialético). Seu objetivo inicial era desconstruir, nos discípulos, o orgulho, a ignorância e a presunção de saber para ajudá-los a conceber as próprias idéias. Com este procedimento, ele tinha a intenção de tirar a Verdade da alma do interlocutor, da mesma forma que uma criança é gerada no ventre da mãe, cabendo ao filósofo um papel semelhante ao de uma parteira (método de investigação maiêutico).

Discípulo de Sócrates, Platão disseminou as idéias de seu mestre e preocupou-se em buscar uma explicação para as coisas e os acontecimentos do mundo.

Revisando a obra dos pensadores originários (pré-socráticos), Platão não ficou satisfeito porque, para ele, a pesquisa se dava ao nível dos sentidos, embora Heráclito tivesse discutido essa questão e concluído que os sentidos nos enganam e nos limitam.

Para Platão, no universo sensível, as coisas são múltiplas, individuais, contraditórias e estão em constante transformação.; contudo deveria haver um ponto de origem para tudo isso, totalmente diferente do mundo sensível, a que ele chamou ‘mundo das idéias ou das formas (essências) que, por sua vez, era uno, universal e necessário.

Platão usou a alegoria dos marinheiros que chamavam de Primeira Navegação aquela onde bastava abrir as velas que o vento se encarregaria de levar o barco, sem esforço físico, e a comparou com o modo de filosofar dos pensadores originários.

Continuando com a alegoria dos marinheiros, estes chamavam de Segunda Navegação aquela em que os ventos cessavam e eles tinham que usar força física para movimentar os remos – um trabalho duro. Segundo Platão, este seria o trabalho do filósofo ao buscar por meio da razão e da dialética, o mundo supra-sensível, o mundo das idéias, que traria explicação para os fenômenos do mundo sensível.

Em sua obra, Platão propõe que se abandone a Primeira Navegação e se passe para a Segunda Navegação, o que seria feito em duas etapas a) passagem do mundo sensível ao mundo das idéias.; e b) transposição do mundo das idéias para o dos co-princípios – o Uno e a Díade. Assim, toda matéria resultaria da ação conjunta dos co-princípios, sendo que o Uno unificaria o múltiplo e caberia ao verdadeiro filósofo ‘ver o múltiplo na unidade’.

Teríamos uma hierarquia onde o mundo sensível seria explicado pelo mundo das idéias e este pela ação conjunta do Uno e da Díade.

De acordo com MORENTE (2007), Platão considerou as idéias como entes reais, que existem em si e por si, que constituem o mundo inteligível, distinto e separado do mundo sensível.; um mundo a ser contraposto ao mundo sensível.

Há que se reconhecer que a interpretação dos textos filosóficos da Grécia Antiga é muito complexa e tem gerado muitas discussões, principalmente porque eles necessitam ser estudados dentro do seu contexto e, no decorrer da História, muita coisa foi perdida, restando, em muitos casos, apenas fragmentos.

Quando se tem grande parte da obra, como no caso de Aristóteles, o próprio filósofo dificulta o estudo dos pósteros ao dar mais de um conceito para um mesmo tema. Por exemplo, a metafísica ou filosofia primeira, para ele, é constituída por quatro conceitos: a) investigação das causas e princípios primeiros e últimos.; b) indagação do ‘ser enquanto ser’.; c) investigação da substância.; e d) indagação de Deus e da substância supra-sensível.

Aristóteles dizia que se deveria buscar os princípios e causas de toda a realidade, os quais fundariam os entes em sua totalidade. Segundo ele, todas as coisas tendiam para uma causa final, a qual denominou de Primeiro Motor, em outras palavras, as coisas se transformam para se aproximarem do imutável.

Este Primeiro Motor imóvel baseia-se na experiência, na realidade do vir-a-ser, na passagem da potência ao ato, por exemplo, semente é “ato”, árvore é “potência”.. Este vir-a-ser, passagem da potência ao ato, requer um não-vir-a-ser, motor imóvel, um motor já em ato.

A doutrina da “potência” (possibilidade, capacidade de ser, não-ser atual) e do “ato” (realidade, perfeição, ser efetivo) é fundamental na metafísica aristotélica.

Todo ser que não seja o Ser perfeito, é portanto uma síntese – um sínolo – de potência e ato, em diversas proporções, conforme o grau de perfeição, de realidade dos vários entes.

Um ente desenvolve-se, aperfeiçoa-se, passando da potência ao ato e esta passagem da potência ao ato é a atualização de uma possibilidade, de uma potencialidade anterior.





BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1997.

MORENTE, Manuel Garcia. Fundamentos de filosofia. E-book disponível em: http://www.consciencia.org. Acessado em: 14.set.2007.



NICOLA, Ubaldo. Antologia ilustrada de filosofia:das origens à idade moderna. São Paulo:Globo, 2005.



OS PRÉ-SOCRÁTICOS:FRAGMENTOS, DOXOGRAFIA E COMENTÁRIOS. Coleção Os Pensadores. São Paulo:Abril Cultural, 1996.



UCB. UEA 01 – O modo de conceber e fazer filosofia de alguns pensadores gregos. Brasília: Universidade Católica de Brasília, 2007.



http://consciência.org

http://filosofiavirtual.pro.br

http://www.mundodosfilósofos.com.br

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