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Contos-->Represa -- 19/05/2002 - 19:30 (Georgina Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. Clemente era porreta nas jogadas da vida, sobrevivente de uma infância de privações. Veio a recuperar depois o prazer de viver, ele mergulhado em seios quentes e nutritivos, o coração aquecido nas noites e refrescado por cervejas e amigos de bar. Vários corpos envolveram a sua nudez, ora em medíocre prática, ora numa extrema explosão de vida.

Corpos e carne nova...Pensava justamente nisso enquanto a mulher assistia à novela das oito. Sensação de tranqüilidade no balanço da cadeira, a rotina simples já assumida como definitiva. Era feliz e isso era inquestionável. Filhos criados, a esposa lhe conferia dedicação em tempo integral. Não lhe faltavam o travesseiro preferido, o cheiro habitual do café da manhã e a recomendação do guarda-chuva por ocasião das nuvens escuras. Mas... e a carne? Ah!...esta sempre o incomodava no apelo das esquinas, nas bundas das vizinhas que adentravam pela casa, nas lembranças remotas, no amigo Barnabé.

A cumplicidade do amigo legitimava a sua percepção de que o sexo ainda rondava o mundo. Feira, netos distantes e caixa-d’água vazando ficavam obscurecidos por um reconfortante vislumbre de prazer. Barnabé e os peitões da tia da nora que afirmava sugar como um menino faminto. E a “coroa” da outra rua, mulherão que na semana anterior o amigo havia visto dançar nos folguedos noturnos, a “puta” doida para ser comida.O riso brotando na vida de Clemente, os dois homens felizes no controle de um mundo que arriscavam invadir em parceria, cada um ao seu modo peculiar.

Clemente olha para a mulher que se levanta e o lembra de fechar a janela dos fundos. Pensa na sorte de estar são e salvo no meio dessa selva toda de libido desenfreada. Tenta um agrado: -“A gente devia ligar pra sua tia, não é, Zilda? Ver se ela está precisando de alguma coisa...”. A mulher vai à cozinha esquentar a água do chá noturno, este sempre acompanhado de uma breve conversa sonolenta e arrastada. Vidinha tranqüila essa, pensa ele, tão diferente de tudo que já lhe ocorreu.

O banco cheio retarda o pagamento da conta de luz. Tarde quente o convida para um sorvete que aprecia no caminho, visto que Barnabé certamente já o espera em casa. Abre a porta, avista o sofá ainda vazio e percebe ter chegado a tempo. As mãos meladas de sorvete exigem uma água e dirige-se à cozinha. O coração acelera com a visão de sua mulher enlaçada por trás, Barnabé com as mãos afoitas nos seios dela, a boca tentando afastar os seus cabelos para atingir-lhe a nuca. Os dois o olham assustados, a adrenalina confundindo julgamentos e reações.

Zilda e as suas considerações sobre as vizinhas “sem respeito”, o controle das filhas quando por ocasião da adolescência, o comportado pijama de flanela acalmando a tosse crônica.
Ela e os seus peitinhos murchos, as coxas brancas e sardentas, os suores noturnos contrastando com o rubor do gozo fincado no passado. O mundo lá de fora invade Clemente violentamente, um caudaloso rio tomando de volta tudo aquilo que um dia ele
inocentemente represou...
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