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Artigos-->TJN - 009 = Defendendo a minha liberdade ameaçada -- 24/03/2007 - 15:31 (TERTÚLIA JN) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Defendendo a minha liberdade ameaçada



Prejudicado na minha liberdade por causa da canzoada que tomou conta das ruas, praças, passeios e jardins da nossa terra, vou emitir, mais uma vez a minha opinião, que, se bem analisada, evidenciará encontrar-se a meio entre as dos pró caninos e as dos “vamos-limpar-o-sebo-aos-bichos”.

A “minagem” das praças e passeios públicos que nos obrigam a assumir a defensiva atitude cabisbaixa é já coisa muito antiga. Tenho a impressão que já uma vez li em qualquer lado um estudo sobre a alegada tristeza dos portugueses em que este aspecto era focado como uma das causas aparentes – o cabisbaixismo.

Quando me reformei a situação agravou-se:

Primeiro tive que interromper os meus passeios de bicicleta dado que por duas vezes, não contando com os sustos, fui assaltado pelos meus melhores amigos e esparramei-me todo pelo chão. Perante as escancaradas fauces daquelas coisas à solta não há equilíbrio que nos valha.

Depois o médico recomendou-me 30 minutos de marcha acelerada. Ainda perguntei se podia comprar um daqueles zingarelhos rolantes e acelerar na casa de banho, mas ele foi logo dizendo que não – tinha que ser em plena natureza.

Claro que não durou muito tempo. Era meia hora de suplício. A gente vai com um ritmo o bicho aparece a ladrar-nos às canelas, temos que abrandar, quando não mesmo parar e encostados a um poste esperar que o tipo se canse. Não dá.

Mais tarde, mesmo em frente da minha porta um sujeito que passava em animado footing foi atacado por uma coisa dessas. Tivemos que chamar a ambulância e mais tarde, à mangueirada, andei a lavar o sangue que ficou no passeio.

Uns meses antes tive que salvar o meu vizinho dos dentes do seu próprio Boxer, que arreliado com as exigências que ele lhe impunha, um belo dia resolveu revoltar-se.

Coitado, tive que o levar à CATUS onde lhe suturaram o braço com 24 pontos.

Não tivesse eu receio que me viessem repreender por andar a bisbilhotar na Net e acrescentaria aqui uma longa lista de casos como este da mulher que foi assassinada por 4 cães de “marca” Rottweiler quando saía de casa para o trabalho.



E, mais uma vez se volta a discutir qual o melhor método para obviar estes lamentáveis casos que um pouco descontroladamente vão acontecendo por este mundo.

Alguns jornais, por exemplo, até nos aconselham, perante estes encontros inesperados, a não fugir, não fazer movimentos bruscos, falar com dureza ao animal e até, registemos para não esquecer, nunca o olhar de frente! Ele ofende-se e irrita-se muito pois acha que o estamos a desafiar.

Imediatamente aparecem tratadores e treinadores a terçar armas pelos cães - que eles não são perigosos, são amigos, afectuosos dóceis, afáveis, obedientes, submissos e respeitadores.

A culpa é dos donos que não sabem educá-los convenientemente, ou que os educam muito bem, mas expressamente para atacar, morder e matar.



Para não ofender os direitos e a sensibilidade dos animais e por não querer de modo nenhum que tratadores, donos e amigos dos animais me votem ao ostracismo, lembrei-me de sugerir que se faça uma regulamentação própria tendo como modelo a que existe para o uso e porte de arma.

Na verdade uma pistola também não é ameaça nenhuma se ninguém lhe mexer. A gente pode passar a correr, a olhar directamente para o buraco do cano que ela não nos ataca. Só há perigo se alguém a segurar e de dedo no gatilho nos visar.

Há armas a fingir, como por exemplo as de plástico e de fulminantes que poderiam ser equiparadas aos chihauhaus e não necessitariam de licença.

Também isentos de licença estariam o pequinês e a pressão de ar.

O Colt 22 estaria para o setter, assim como walther 6,35 estaria para o boxer e a uma Beretta 7,65 corresponderia o pastor alemão. O pit bull e o rottweiler corresponderiam a uma carabina de caça grossa.

Para estes já seria necessário possuir a respectiva licença que só seria concedida em função da observação de determinadas garantias das quais a sanidade mental seria a mais importante. Sanidade mental do dono como é óbvio.



Os montes de músculo teriam gravado os respectivos números de série a fim de que os seus proprietários pudessem ser identificados e responsabilizados. E devidamente punidos. Porque na verdade se um tipo qualquer adquire um cão destes e o treina para matar só pode apanhar prisão maior, quando um belo dia o aluno resolve praticar num passante tudo quanto o dono lhe ensinou.



Li algures que o possuidor de um rottweiler o ensinou a atacar/matar ao ouvir a palavra “amor”. Pelo menos deveria ter o cuidado de o programar para reagir a um número de 4 algarismos pelo menos, que já seria um código mais difícil de alguém descobrir. Está um casal namorando no parque quando passa o animal no preciso momento em que ela geme (ideia do Figas): - assim não, meu amor.

E ali acabam os dois esfrangalhados à dentada – prisão maior para o proprietário.



Imaginemos que um marido qualquer deseja ver-se livre da mulher, para lhe ficar com o “caroço” e partir com a amante para as Bermudas. Compra um pit bull e treina-o expressamente para esse fim – crime premeditado – pena máxima.

Porque não há pena de morte.

Nem para os cães devia haver.

Aliás foi uma medida errada. Até no aspecto económico.

Vendiam-se os bichos aos chineses e eles resolviam o problema.

Até os comiam!



António José Pereira da Mata

ajmata20@clix.pt

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