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Artigos-->Reflexões sobre o Dia Internacional da Mulher -- 08/03/2007 - 10:15 (MARIA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A TODAS AS MULHERES AMIGAS, INIMIGAS, CONHECIDAS, DESCONHECIDAS- A TODAS (E A TODOS OS HOMENS) QUE QUEIRAM LER.



Reflexões sobre o Dia da Mulher



Se ainda não percebeu, estamos distantes.Embora tenhamos feito muita coisa, e as nossas mudanças sejam reais, muitas delas são apenas teóricas, idealizadas.Ainda continuamos a esperar príncipes encantados, a pensar nos relacionamentos como “dando certo”apenas se prolongados.Se olharmos com atenção, as fêmeas do planeta ainda procuram desesperadamente a aceitação dos machos. Uma questão de garantia. E estabelecem ou contribuem muito para manter os códigos arcaicos que determinam o “certo” e o “errado” nas relações heterossexuais . Quem sabe até, nas homossexuais, os modelos se repitam, estereotipados ou não, procurando consolidação no mundo das normas sociais aceitáveis.Se ainda não percebemos, é bom reparar : a maioria dos príncipes a quem permitimos que esbarrem nos nossos vestidos de “Barbies” são marcados pela banalidade e seus contornos não podem atingir dimensões muito profundas, sob pena de perderem o encanto.O jogo de sedução que aprendemos é pobre, marcado pelas rédeas do certo e do errado como limites criados pelas diferenças entre os sexos, onde existem atitudes que as mulheres não devem ter por serem mulheres, e outras que homem é obrigado a ter para alimentar sua fama de macho.Ainda assusta o sorriso feminino aberto, estilo Leila Diniz. Sorriso que nada tem a ver (ou que tudo pode ter a ver ) com dar gargalhadas, mas com o espaço permitido ao prazer de viver- e poder rir do próprio ridículo – porque é muito melhor poder estar vivo(a).Ainda longe de ser aceito, é bem condenável fazer propostas no universo das cinderelas : propostas são riscos a serem corridos apenas pelos príncipes. Ainda assusta dizer que sim de cara : um sim aberto e cheio de vida, com todos os riscos embaixo do braço. Um “sim” que permita ser momentâneo, passageiro. Voraz e verdadeiro- não por isso duradouro- mas real. Que atravesse os encantos de outros “sim”, de outras propostas : queremos o “sim” ainda amarrado, aprisionado- e quando solto, solto apenas para os machos da espécie.Fora isso, temos mulheres que continuarão parindo porque não tem como impedir, como se fosse essa a única e melhor proposta da natureza para nossas existências. Como sina, como obrigação natural, como tatuagem social para a fome e o desespero porque não há outro caminho – aprende-se a dar o que não se tem porque se é mulher- o que nestas realidades, sejamos justos, nem sempre caracteriza apenas o universo feminino. Com uma questão sim, apenas feminina : nós parimos. Embarrigamos, amamentamos, desesperamos, alimentamos, cuidamos.E abraçamos as ditaduras com especial retoque de suavidade : da moda, dos padrões físicos que alguém inventa, da beleza fabricada, da juventude eterna, da domesticidade.

Mas também é verdade:se ainda não percebemos, estamos perto.

Conquistamos espaços, liberdades, possibilidades, aberturas, caminhos novos, compromissos, responsabilidades, dificuldades, facilidades. É bem verdade :em muitos terrenos, pobres, ricas, mais ou menos, ou nem mais nem menos- conquistamos o direito de chutar o balde. E chutamos. Mas nos mesmos terrenos, algumas de nós ainda suplicam para que nenhuma tenha a idéia de chutá-lo.

Talvez : -quando desconfiemos que depende de nós – muito do que não nos permitimos, depende de nós - que o precipício ancestral criado para nós não é de verdade, mas que foi inventado para nos ensurdecer, para que negássemos nossa enorme capacidade de olhar o outro, de entender a vida, de achar saídas, de encontrar respostas, de criar, de fazer propostas, de assumir riscos...Talvez,se desconfiássemos,

olharíamos mais para dentro. E descobriríamos o quanto temos, o quanto podemos, chutaríamos o balde sempre que fosse preciso,sem titubeios.Isso na cama, na mesa, na porta, na cara. Na vida.Sem medo de ficar só, de chorar, de rir. Perderíamos mais ainda o medo de lutar. O medo de perder.Mas principamente, perderíamos com felicidade o medo de ganhar!
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