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Infanto_Juvenil-->A boneca de pano -- 12/11/2019 - 20:07 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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O trinco deu um estalo e a porta do quarto se abriu. Corina vê a boneca embrulhada em panos de dormir. — Vovó! Emília está aborrecida comigo. — Por que sua boneca está brava contigo? — Dei uma palmada no bumbum dela. Corina fez uma retrospectiva do que ocorrera naquele dia, e se recorda  de que, ainda cedo da manhã, “acariciara” o traseirinho de Ravenala, com uma palmada, por  causa de uma travessura. — Durma, minha filha! Assim que o sol nascer,  você pedirá desculpas a Emília! — E se o sol não nascer de novo? Tenho medo de escuro! Não deveria haver noite! Vultos vagueiam. Vampiros e lobisomem passeiam na escuridão. — Isso é lenda! — A carimbamba também é lenda? Tenho medo da carimbamba. — Às vezes,  a ficção avança os muros da realidade ou a realidade penetra o labirinto da ficção. O que hoje é ficção, amanhã pode ser realidade, mas monstros não existem. Eles são obras criadas por mentes doentias. Ravenala insiste. — A carimbamba existe?  — Quando se acredita numa coisa, ela passa a existir de verdade. Mas a carimbamba só existe em teus medos. E agora que ela se casou com a mocinha camponesa, o encanto foi quebrado. — E a velhinha? — Bem, a velhinha faz parte da técnica utilizada pelo autor, para que a história nunca acabe, continue viva e passe de geração para geração. A ficção mostra-se  tão real, que  personagens dos contos de fadas saem dos livros e vão morar em mundos reais, como a tua  boneca. Sabes de onde ela  veio? — Emília  me falou que seu pai era  um homem bom, e foi preso, porque escrevia livros. Se eu escrever um livro, também serei presa? — Não dê crédito a tudo  que diz uma boneca. Agora, durma, Princesinha. Corina retirou-se.  Seus passos lentamente se afastavam, até desparecerem do alcance auditivo da neta. — Pode acordar,  Emília, a vovó já foi. — Ufa! Já estava cansada de fingir. A boneca Maria  Emília fechou as cortinas do silêncio e dormiu.  Não  sem antes questionar: "Já não sei se sou   personagem da ficção, vivendo a realidade humana, ou um ser humano, vivendo uma ficção.     *** Adalberto Lima, trecho do livro "Estrela que o vento soprou"    




Adalberto Lima


Enviado por Adalberto Lima em 12/11/2019 Reeditado em 12/11/2019

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