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Artigos-->TJN - 011 = Pela televisão constato que vamos abortar bem... -- 11/02/2007 - 20:34 (TERTÚLIA JN) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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EM 2007 AINDA HÁ QUEM DIGA

QUE VAMOS PARA ONDE DEUS QUISER








Na montra dos resultados do Referendo, no que aos meus pendores concerne, perdi nitidamente três vezes. Perdi, por que o "sim" foi maioritário; perdi por que não votei e a abstenção eleitoral diminuiu; e perdi ainda sobretudo por em súmula sentir que não me integro na ideia política que claramente se impõe: votem-votem não importa aonde. Eu, sinto que não tenho em quem votar e estou saturado de votar no mesmo sistemático desfecho.



A interrupção voluntária de gravidez (IVG) até às 10 semanas foi despenalizada pela vontade do povo português. Doravante as mulheres portuguesas, seja qual for o motivo, dentro do período de 70 dias após a concepção, poderão optar livremente pela extracção do feto.



Não tenho conhecimentos nem elementos de suporte que me permitam fazer o mínimo juízo sobre o condicionamento "até às 10 semanas". Por consequência não sei ou sequer me urge saber por que os entendidos na matéria estabeleceram tal período. Não seria por aqui que eu, se me tivesse decidido a votar, deixaria de optar pelo "não" na actual circunstância. Sou por convicção íntima e segundo meu discernimento a favor da interrupção de gravidez, sempre sob a exclusiva vontade da mulher (salvo em menores e segundo os progenitores), nos casos em que a concepção é provocada por violação, incesto voluntário ou não e anomalias graves detectadas no feto. O resto, o resto é para mim idêntico a qualquer espécie de crime grave ou menos grave. Crime é irresponsabilidade e ruptura sociais e só muito excepcionalmente poderão não ser, que podem, excepção que tem de ser considerada pela magistratura para além da lei implantada. Pelo que sei, considero o caso "Esmeralda" uma flagrantíssima excepção judicial.



O "sim" determinou. Poderia o "não" ter determinado, mas, quanto a mim, a mesma aberrante situação permaneceria tal e qual permanecerá. Como é soer dizer-se, a entrada para o gato ir às filhós está na mesma franqueada. Por exemplo, a interrupção voluntária de gravidez será crime impune quando a mulher a isso for obrigada sob coartivo silêncio. Será imbróglio judicial logo que tempo adiante decida denunciar a criminosa imposição. Será muito mais coisas a que só as mulheres responsáveis, firmemente dignas e ciosas da sua condição, como desde sempre, escaparão. São de resto essas mulheres que constituem o sustentáculo basilar que resiste incólume à devassidão que a actual libertinagem por todos os cantos promove.



Ah, caras senhoras e caros senhores, o nosso país está a passar neste momento por desmesuradas surdez e cegueira, onde nada adiantam voz, cheiro e sentimentos. Não temos possibilidade alguma de recusar a imposição teleguiada que paira sobre o nosso destino.



Como se verifica, à direita, ao centro ou à esquerda, no parecer dos responsáveis políticos, está tudo bem. Praza que sim, praza que tudo flua com harmonia e nesse sentido voto eu permanentemente. Renovo na expectativa a minha esperança, por que a esperança é uma excelente asa para sobrevoar as vicissitudes da realidade. O nosso primeiro-ministro manifestou-se confiante e congratulado com o comportamento eleitoral dos portugueses. Os líderes políticos são unânimes no reconhecimento de que a democracia portuguesa se demonstrou reforçada.



O que é que quer dizer pragmaticamente "reforçada"? Os mesmos e a mesma coisa? Lembro-me que tivemos disso quarenta anos consecutivos e na decorrência para outro tanto só faltam sete. Siga pois o processo. Afinal está tudo bem e, desde o princípio, foi sempre um português (dois ou três) que mudou e indicou o rumo aos outros todos.



Torre da Guia

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