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Artigos-->OS INDICADORES DE QUALIDADE DE VIDA -- 03/01/2007 - 10:07 (Paccelli José Maracci Zahler) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Os Indicadores de Qualidade de Vida



Por Paccelli José Maracci Zahler



Os indicadores são instrumentos de medida que podem ser aceitos e compreendidos por todos e entendidos como critérios aceitos para avaliar mudanças (SENAC, 2006).

Na opinião de HERCULANO (1998), são informações usadas, simplificadas e quantificadas que facilitam a comunicação, comparações e o processo de decisão.

De acordo com PFEIFFER (2000), um indicador é uma situação ou característica que serve como sinal comprobatório de outro fato.

O estabelecimento de indicadores, particularmente nas ciências ambientais e sociais é complexo, pois é necessário tornar tangível o intangível. Eles devem ser especificados de tal forma que sua mensuração seja independente de opiniões pessoais, mas baseadas em fatos e evidências. Tal complexidade foi discutido por HERCULANO (1998).

Os indicadores têm por função caracterizar mais detalhadamente os objetivos e resultados, estabelecendo o que e quanto se pretende alcançar, e fornecer uma base para o acompanhamento e a avaliação do planejado (PFEIFFER, 2000).

No caso dos indicadores de qualidade de vida, é necessário quantificar o acesso a um meio ambiente saudável, ao emprego, à educação, ao saneamento básico, à saúde, à moradia, ao lazer, à segurança. Sua avaliação vai depender do que se considera um nível adequado de “qualidade de vida”.

A “qualidade de vida”, particularmente no século XX, foi confundida com “padrão de vida” (SENAC, 2006). Este conceito refletiu-se nos indicadores utilizados atualmente como o Produto Interno Bruto (PIB), que avalia o desenvolvimento dos países pela quantidade de riqueza gerada, não levando em conta a concentração dessa riqueza nas classes mais altas e não garantindo o bem-estar da população, embora o objetivo do desenvolvimento seja garantir uma vida digna e satisfatória a todos os cidadãos.

De modo semelhante comporta-se o Produto Nacional Bruto (PNB), que não faz distinção entre atividades econômicas diferentes.

Em 1990, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) propôs o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o qual engloba a expectativa de vida, a taxa de alfabetização, os anos de escolaridade e o PIB per capita. Sua escala varia de 0 a 1 e considera os países ou Estados com IDH menor que 0,5 como de “baixo desenvolvimento humano”, entretanto, não considera os indicadores de sustentabilidade ambiental (SENAC, 2006).

Após a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, o Centro de Estudos para a Sustentabilidade do México e o Conselho da Terra, elaboraram o índice denominado “Pegada Ecológica”, com o objetivo de calcular e medir o impacto ambiental total realizado por uma nação. Este índice incluiria o quanto de natureza uma nação usa e o quanto de área biologicamente produtiva é explorado por ela, permitindo descobrir o quanto, em média, cada cidadão de determinado país utiliza dos recursos naturais disponíveis. A medida é feita em hectares, mas não representa um pedaço de terra, pois devido ao comércio internacional, todos os cidadãos usufruem dos recursos naturais de outras nações. Ela permite comparar a situação ecológica ano a ano, tal qual os indicadores econômicos, em qualquer escala (globo, país, cidade, campo, empresa), permitindo saber se determinado local está longe ou perto da sustentabilidade.

Um outro índice para medir o uso e o impacto do homem sobre a natureza seria o PIB Verde (ou PIB Real), que expressaria monetariamente os custos e benefícios das atividades econômicas para o meio ambiente. Ele é defendido por economistas do mundo todo, pela Organização das Nações Unidas (ONU), pelo Banco Mundial e pelo Fundo Mundial pela Natureza (WWF), como uma forma de incluir o meio ambiente na economia, uma vez que isso não é levado em conta pelo PIB mundial.

HERCULANO (1998) propõe que seja adotado o Índice de Qualidade de Vida (IQV). Para ela, a “qualidade de vida” deveria ser definida como “a soma das condições econômicas, ambientais, científico-culturais e políticas coletivamente construídas e postas à disposição dos indivíduos para que estes possam realizar as suas potencialidades”. Isto implicaria medir os níveis de conhecimento e tecnologia já desenvolvidos e os mecanismos para o seu fomento; os canais institucionais para participação e geração de decisões coletivas e para a resolução de controvérsias; mecanismos de financiamento da produção; mecanismos de acessibilidade ao consumo (renda, alimentação, água, luz, saneamento); canais democratizados de comunicação e de informação; proporção de áreas verdes para a população urbana; proporção de áreas de biodiversidade protegida; organismos governamentais e não-governamentais para a implementação da qualidade de vida.

Embora tenha indicado o que deve ser feito, HERCULANO (1998) não indigitou como isso deve ser feito.

Diante do exposto, verifica-se que as propostas para quantificar e analisar a “qualidade de vida” são muitas, porém carecem de consenso. Isso evidencia a necessidade de estudos interdisciplinares mais aprofundados para se saber quem está sendo beneficiado e o quanto está sendo beneficiado pela exploração sustentável do meio ambiente, proporcionando “qualidade de vida” para os seres humanos.







BIBLIOGRAFIA CONSULTADA



HERCULANO, Selene C. Qualidade de vida e seus indicadores. Revista Ambiente e Sociedade, ano 1, nº 2, Campinas:Nepam, 1998.

PEGADA ecológica: quanto de natureza usamos? Revista Senac & Educação Ambiental, Rio de Janeiro,ano 8, nº 1, 1999. p. 12-16.

PFEIFFER, Peter. O quadro lógico: um método para planejar e gerenciar mudanças. Revista do Serviço Público, Brasília, ano 51, nº 1, p.81-122.

SENAC. Meio ambiente, desenvolvimento e cidadania. Bloco temático III. E-book do Curso de Educação Ambiental, Brasília, Distrito Federal, 2006.
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