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Redação-->OBRIGADO, DONA ELISA -- 14/10/2005 - 17:33 (Domingos Oliveira Medeiros) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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A Cartilha da Infância
(Por Domingos Oliveira Medeiros)

Inesquecível o meu primeiro livro. O primeiro livro escolar. “A Cartilha da Infância”. Não me lembro o nome do autor. Mas conservo sua imagem gravada na mente. A capa era de um verde garrafa. Um verde claro. Desbotado. O titulo era em preto. Um preto forte, que formava um belo contraste com o verde fraco. E tinha uma foto de um menino e de uma menina. De corpo inteiro e de mãos dadas. Eram parecidos, respectivamente, com o Pedrinho e a Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Nas primeiras páginas, os primeiros ensinamentos. O contato com as letras; vogais e consoantes, nesta ordem. Depois, com as sílabas, evoluindo para as palavras. Do meio para o final, textos pequenos e simples. Quem chegasse por lá já teria sido abençoado com o milagre da leitura. Um mundo novo ali começava. Foi desse jeito que comecei a conhecer melhor o meu mundo novo . O mundo que se descortinava para mim. A historinha estava lá na cartilha. E foi contada para a turma toda, numa sexta-feira, por dona Elisa, nossa professora de infância. Elisa Augusta Rodrigues. A quem devo muito das boas coisas que ame aconteceram de lá para cá.

Sexta-feira era dia de contar histórias. Sempre havia um ensinamento ético e moral por trás das mesmas. A voz macia da professora, invadia nossos ouvidos, reforçando valores universais. E, aos poucos, contribuía para solidificar nossa personalidade. Despertando o interesse e o entusiasmo pelas coisas da vida. Mostrando-nos os bons e os maus caminhos. E ajudando-nos no processo decisório a que somos obrigados, durante toda a vida, de escolha dos atalhos e rumos mais indicados para o nosso caminhar.

Obrigado dona Elisa, pelas aulas de canto orfeônico, de jardinagem, de artes e artesanato com papelão, cartolina, madeira, barros e tantos materiais que se transformavam, em nossas mãos curiosas, em figuras geométricas, animais e figuras nascidas de nossa imaginação. Obrigado, dona Elisa, pelo conceito de disciplina e amor à pátria, colhidos no dia-a-dia, no pátio da escola, onde, enfileirados, cantávamos o hino nacional, e, em datas próprias, o hino à bandeira, à independência, e assim por diante. Obrigado por estas e muitas outras coisas. Que, tal como a história do soldadinhos de chumbo, carrego comigo até hoje, em belas lembranças que rememoro a história que nunca esqueci. E o que com ela aprendi. .

Seu título era “Os soldadinhos de Chumbo”. Contava a história de dois irmãos. João e José. De idades aproximadas. Por volta dos oito a dez anos. João ganhara de Natal um conjunto de soldadinhos de chumbo. Com formatos diferentes. Uns com rifles , outros agachados, rastejando, prestando continência, marchando; e diversas outras posições militares. Este presente era o cerne da história. Na verdade, uma fábula. Naturalmente, com tempero brasileiro.

O José, que era bastante invejoso, certa noite, sorrateiro, foi ao quarto do seu amigo e irmão e roubou alguns soldadinhos de chumbo. Com pressa, colocou no bolso da calça e foi dormir. No outro dia, acordaram cedo e, como de costume, foram para o quintal da casa brincar de subir em árvores. Uma das brincadeira preferidas.

José, o mais ousado, subiu primeiro. Enquanto o João ficou aguardando sua vez. De repente, começaram a cair do bolso do José os soldadinhos de chumbo. José desceu da árvore envergonhado. Sem saber o que dizer para o irmão. E o João também não sabia o que dizer para o José. Calado, recolheu os soldadinhos, e foi guardá-los na caixa de presente. Nesse dia os dois irmãos não mais brincaram e nem se falaram. A história terminava com uma frase que expressava uma mensagem contra o ato de furtar. Sugerindo que o crime jamais compensa.

Foi a minha primeira experiência de vida com atos delituosos. Com as nossas imperfeições.
De lá para cá tenho visto muitos soldadinhos de chumbo e de outros metais bem mais preciosos serem roubados. E nunca são encontrados.

Aos roubos e furtos agregaram-se as mentiras e a hipocrisia. Ambas apelidadas de “alibis”. E a gente vai perdendo, até mesmo, o sentimento de indignação. Tantos são os casos de corrupção, roubos e furtos. Cada vez mais banalizados. Agravados, muitas vezes, pela sensação de impunidade.

Sensação que, de fato, tem contribuído para a quebra de conceitos éticos e morais. Destruindo crenças e valores. Destruindo pessoas. Destruindo famílias. Desmoronando instituições e autoridades. Implantando a descrença. Acabando com o convívio sadio em nossa sociedade. Sociedade que, por tudo isto, está de pernas para o ar. Onde o que mais se vê são soldadinhos - civis e militares -, caindo de bolsos os mais diversos. Inundando o nosso chão de uma sujeira que gruda na alma e no corpo e parece que não tem mais fim.

Sujeira que ameaça a própria natureza. Tal como o petróleo que é derramado nos oceanos. Tal como o desmatamento e a indiferença para com o verde de nossas matas. Sujeira, aliás, de todas as cores. De todas as bandeiras. De todos os lugares. Do mundo inteiro. Sujeira globalizado.

Singela hoimenagem pelo 15 de Outubro, Dia dos Mestres.

Comentários

RÔMULO OLIVEIRA MEDEIROS  - 07/08/2020

LINDO, MARAVILHOSO. CONVIVI COM ESSE TEMPO DO AUTOR, POIS SOU SEU IRMÃO E AMIGO

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