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Artigos-->Aquisição da Linguagem à luz do Modelo Gerativista -- 21/09/2006 - 17:31 (vicente martins) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos


Aquisição da Linguagem à luz do Modelo Gerativista



Antônio Rômulo Bezerra de Sousa e Roberta Farias Paiva



O presente trabalho tem por finalidade, fazer um apanhado de três aspectos relacionados ao inatismo e também ao racionalismo. O primeiro deles é com relação ao Modelo Gerativista, este explica que aquisição da linguagem é inata, ou seja, nasce com a criança e a aquisição da língua materna é o amadurecimento desta, com relação à língua.

Termos como competência e desempenho, também são relacionados à aquisição da língua. A Competência é o conhecimento que o falante tem da gramática de sua língua e o Desempenho é o uso desse conhecimento.

Esta hipótese defende ainda, que as produções das crianças não são simples imitações de adultos, pois existem produções que não se verificam na fala dos adultos, por isso são originais. Portanto estes defendem que as crianças possuem suas próprias regras de fala, mas que com o convívio com os adultos vão moldando sua fala as regras deles.

Segundo Chomsky adepto do gerativismo, a criança possui um Dispositivo de Aquisição da Linguagem, DAL e que é acionado através de frases ou falas, IMPUT, dos adultos, gerando assim a gramática a qual a criança está contextualizada. Mas neste sistema somente algumas regras serão ativadas, pois a criança escolhe quais regras serão usadas para uso da língua nativa, descartando as que não se adequão.

Um outro assunto abordado, é a Gramática Universal, a criança já nasce com uma gramática em sua cabeça, onde se guardam todas as regras, de todas as línguas, uma enorme quantidade de conteúdo. Mas a criança transforma esta gramática, na gramática de sua língua, retirando só o que necessário para o uso e aprendizagem da mesma e descartando o restante.

O último assunto a ser abordado é a teoria dos Princípios e Parâmetros, estes são na verdade uma releitura da Gramática Universal, devido a novas descobertas na área e também por causa de vários questionamentos a respeito. Então se postula que a gramática é regida por Princípios ou “Leis”, que são constantes usadas em todas as línguas, contendo os Parâmetros ou “Leis” que tem representações nas línguas em que se encontrem, ocasionando divergências entre as línguas e a transformação dentro de uma mesma língua.

Tentando desvendar como se dão os valores aos Parâmetros três hipóteses são propostas: A primeira diz que no inicio os parâmetros não estão completamente presentes só com o aprofundamento da linguagem é que eles aparecem, os mesmos foram organizados geneticamente, devendo ocorrer de acordo com o amadurecimento, cujos fatores são responsáveis pela transcrição da gramática universal e gramática da língua nativa. A segunda está dividia em dois aspectos: a da competência plena/total, o entendimento que se tem é que os princípios estão presentes desde o inicio do processo, caso não ocorra é por algum problema, como por exemplo à memória. A aprendizagem lexical, os princípios estão completamente presentes, a evolução sintática só depende da interiorização morfológicas e lexicais novas, o que necessita da interação com o meio. A explicação porque as fontes de suporte são tão escassas a resposta de Chomsky é na existência da gramática universal enquanto conceitos inatos, biologicamente determinados que constituem a mente humana. Outra questão é a dissociação dos dispositivos de aquisição da linguagem das demais instâncias cognitivas comportamentais, a aquisição da língua se por meio de gramática universal, e a definição dos parâmetros não são obrigatoriamente atrelados aos sistemas cognitivos.

Pretendemos aqui levantar algumas questões relacionadas a aquisição da linguagem pela criança dento de uma perspectiva racionalista ou mais especificamente inatista, buscando explicitá-las de uma maneira simples, a fim de que se tenha uma visão dos princípios defendidos por essa tendência teórica lingüística.

Desse modo, o trabalho em pauta está divido em cinco partes. Na segunda parte abordaremos o Modelo gerativista, que postula a existência de um dispositivo de aquisição da linguagem, com o qual a criança já nasce possuindo, utilizando-se desse, para em contato com uma língua mãe, amadurecer sua capacidade inata de se comunicar. Sustenta ainda, que as línguas, indistintamente, são dispostas em estruturas, das quais a mais importante é a estrutura profunda ou o sentido, tendo como principal defensor Noam Chomsky.

Na terceira parte iremos trabalhar com a Gramática Universal, também legado de Chomsky, onde a resposta para a, de certa forma, rápida aprendizagem de uma língua por uma criança, deve-se a presença de uma Gramática composta de todas as regras possíveis de todas as línguas, inserida na estrutura da mente do homem e a qual é parte exclusiva da carga genética da espécie humana tomando a linguagem como uma faculdade inerente ao ser humano, portanto, essa gramática é universal.

Na quarta, iremos discorrer a respeito da Teoria de Princípios e Parâmetros, cuja representou uma adequação dos conceitos já postulados pela Gramática Universal, sendo que nessa abordagem, não se afirma mais que as crianças nascem dotadas com todas as regras das línguas, mas com parâmetros, os quais terão seus valores definidos pela língua a que a criança será exposta.

Na quinta parte elaboraremos algumas conclusões a respeito dos três assuntos trabalhados no artigo, a fim de apreendermos e compreendermos melhor o que de mais significante essas tendências tem a oferecerem para o estudo e para aprendizagem da linguagem.



O MODELO GERATIVISTA



Seguindo uma tendência Inatista e, por sua vez Racionalista, o modelo gerativista se propõe explicar as manifestações da aquisição de linguagem partindo do principio de que a criança já nasce dotada de ”... uma capacidade inata de aquisição da linguagem”. Nessa abordagem a aquisição de uma língua materna é o resultado direto do amadurecimento dessa criança, ou seja, uma conseqüência de sua capacidade de formular suposições, respostas às questões que lhe surgem e de procurar e encontrar algumas semelhanças presentes na língua a ser adquirida.

Desta forma, quanto maior for à capacidade cognitiva da criança, maior será o número de suposições formuladas por ela e mais próxima da linguagem do adulto ela estará. Com efeito, essa teoria dá mais importância para a sintaxe, em detrimento de morfologia e fonologia, descrevendo a aquisição da linguagem termos de competências e desempenho. A competência pode ser entendida como “...o conhecimento que o falante tem de gramática de sua língua...” e o desempenho como “...o uso que a fonte faz desse conhecimento.”

Segundo a hipótese gerativo-transformacional, as frases produzidas pelas crianças não são simples imitações aproximativas da fala dos adultos, mas que essas possuem algumas disposições e ordenações que não se verificam na fala dos adultos, portanto são produções originais da criança. Baseado nisso, o gerativismo sugere que a fala da criança é ordenada por regras próprias, mas que em contato com as regras da fala dos adultos, as crianças vão moldando o seu sistema de regras.

Para Chomsky, adepto do gerativismo, a criança possui um mecanismo que lhe permite adquirir a linguagem, chamado de Dispositivo de Aquisição da Linguagem (DAL), o qual é parte da herança genética de sua espécie e que esse é acionado pelas frases ou falas (imput) dos adultos, com as quais irá atuar, gerando assim a gramática da língua na qual a criança está contextualizada.

No gerativismo é sustentada a concepção de que

“... as línguas comportam uma estrutura profunda que se transforma, por meio de regras, numa estrutura superficial. Essas regras têm como domínio estruturas intermediarias entre a estrutura profunda e a estrutura superficial”.

Por isso, no decorrer do processo de aquisição da linguagem, a criança nota as disposições que há na língua e adiciona a sua gramática.

Ainda segundo Chomsky, esse dispositivo constitui-se de um conjunto de regras, sendo que somente algumas dessas serão ativadas, uma vez que a criança escolhe, baseada na influência que sofre da língua nativa, quais as normas devem ser usadas na língua que está adquirindo especificamente e quais devem ser descartadas. Após esse processo, segue-se produção das falas da criança.



A GRAMÁTICA UNIVERSAL



Na visão inatista de Chomsky é proposto que a criança “...possui uma Gramática Universal incorporada à própria estrutura de sua mente.” , isto é a criança já nasce biologicamente (geneticamente) equipada com uma gramática onde se encontrem todas as regras possíveis da todas as línguas, um enorme conteúdo de informações, isto é, uma gramática universal.

Essa abordagem postula que a criança realiza operações mentais que transforma a gramática universal na gramática da língua a que está exposta, da seguinte forma: a gramática universal constitui-se de um conjunto de regras, das quais a criança irá selecionar as que serão empregadas para que possa efetivamente adquirir a linguagem que está submetida e excluir todas as demais.

Chomsky pauta seus argumentos para validar a teoria da gramática universal desta forma:

“...a criança, que é exposta normalmente a uma fala precária, fragmentada, cheia de frases truncadas ou incompletas, é capaz de dominar um conjunto complexo de regras ou princípios básicos que constituem a gramática internalizada do falante. (...). Um mecanismo ou dispositivo inato de aquisição da linguagem (...), que elabore hipóteses lingüísticas sobre dados lingüísticos primários (isto é, a língua a que a criança está exposta), gera uma gramática especifica, que é a gramática da língua nativa da criança, de maneira relativamente fácil e com um certo grau de estantaneidade. Isto é, esse mecanismo inato faz “ desabrochar “ o que “já está lá”, através da projeção, nos dados do ambiente, de um conhecimento lingüístico prévio, sintático por natureza”.

Assim, a linguagem é atrelada a características inerentes a espécie humana, o que reafirma seu caráter universal, tomando a linguagem como um fator biológico e cognitivo. Ao assumir essa postura admite-se que o ser humano por natureza é detentor de uma gramática universal que possui princípios universais que fazem parte da faculdade da linguagem e parâmetro que serão definidos pela influencia do meio e/ou da língua nativa.



A TEORIA DE PRINCÍPIOS E PARÂMETROS



Elaborada por Chomsky, em 1984, a Teoria de princípios e parâmetros significou uma adequação dos conceitos da gramática universal face aos questionamentos surgidos em torno da mesma, bem como diante das novas descobertas na área da aquisição da linguagem. Nessa releitura “...postula-se que a criança nasce pré-programada com princípios (universais) e um conjunto de parâmetros que deverão ser fixados ou marcados de acordo com os dados da língua a que a criança está exposta. A criança não escolhe mais as regras, nesta versão da teoria de princípios e parâmetros, mas valores, paramétricos”.

Em outras palavras podemos dizer que se passou a acreditar que a gramática universal é disposta por princípios ou “leis” que são constantes e que são usadas igualmente em todas as línguas; contendo também parâmetros ou “leis” que tem representações definidas pela língua que se encontre, ocasionando as divergências entre as línguas e as transformações dentro de uma mesma língua. Nessa teoria a função da criança é analisar todas as partes do imput e depois processá-lo a fim de atribuir o valor que cada parâmetro deve possuir.

Para um melhor esclarecimento, vamos exemplificar do seguinte modo: partindo da concepção de que todas as frases, indistintamente da língua, requerem um sujeito, contudo esse sujeito não necessariamente tem que estar explicito, sendo esse parâmetro ou valor que deve ser fixado. A criança, dependendo do sistema lingüístico em que se encontra, decidirá se o sujeito deve ou não constar obrigatoriamente na frase realizada.

Entretanto, muitas perguntas sobre a problemática dos parâmetros ainda esperam por uma explicação, tais como: ”...quantos são os valores dos parâmetros? no estado inicial da GU, um dado parâmetro já tem uma marcação especifica ou não tem marcação alguma? é possível haver reparametrização? o que desencadearia a parametrização?...”

Buscando desvendar como se dá à atribuição dos valores aos parâmetros temos três hipóteses que se propõem da conta de tal questão. A primeira afirma que no começo do processo os parâmetros não estão completamente presentes e só com o prosseguimento da aquisição da linguagem é que esses surgem, crendo também que os mesmos são organizados geneticamente, de modo a ocorrerem em determinadas etapas do amadurecimento do individuo, cujos fatores motivadores de tal processo são responsáveis pela transcrição da gramática universal para a gramática da língua nativa.

A segunda hipótese divide-se em duas perspectivas, a da competência plena/total o entendimento que se teve é que todos os princípios estão presentes no começo do processo, caso não ocorra à delimitação logo, o motivo pode ser um problema de memória, por exemplo, na referida delimitação. Já a hipótese de aprendizagem lexical explica, segundo Pinker (1984), que os princípios estejam completamente presentes, a evolução sintática depende da interiorização de partes morfológicas e lexicais novas, o que pressupõe a interação com o meio que rodeia o individuo.

Outras partes primordiais da teoria de parâmetros da aquisição da linguagem é a explicação da aprendizagem da língua, vista as fontes que dão suporte as crianças são tão escassas. A resposta de Chomsky fundamenta-se exatamente na existência da gramática universal enquanto conjunto de “...princípios inatos, biologicamente determinados, que constituem o componente da mente humana – faculdade da linguagem”. ( Há também a questão da dissociação dos dispositivos de aquisição da linguagem das demais instâncias cognitivas comportamentais, ou seja, a aquisição da língua deu acionamento da Gramática Universal e da definição de parâmetros não são obrigatoriamente atrelados aos outros sistemas cognitivos, memória por exemplo, bem como a interação social.



CONCLUSÃO



Conclui-se a partir do que foi lido e discutido nesse artigo, acerca dos estudos de Chomsky, discutimos três vertentes de seu pensamento: o modelo gerativista, a gramática universal e o modelo dos princípios e parâmetros.

O modelo gerativista se fundamenta no inatismo e também no racionalismo, que acreditam que a criança já nasce dotada de uma capacidade inata de aquisição da linguagem, e que o aprendizado da língua materna é o resultado de um amadurecimento dessa criança, isto é, uma conseqüência de suas suposições, respostas ou conclusões, a respeito da língua a ser adquirida.

Então, quanto maior for à capacidade cognitiva, maior será a possibilidade de suposições levantadas por ela, e mais perto ficará da língua do adulto. A aquisição da linguagem possui ainda termos de competência e desempenho. A competência seria o entendimento que se tem da gramática de sua língua e o desempenho é como se usa esse conhecimento.

A hipótese gerativo-transformacional diz que a fala da criança não é simples imitação da fala do adulto, pois possue fatos que não aparecem na língua do adulto, então a fala das crianças é original possui suas próprias regras, que através da convivência com o adulto é que vão se moldando.

Para Chomsky, a criança possui um dispositivo de aquisição da linguagem chamado de DAL, que lhe permite adquirir a linguagem, que é acionado através de fala ou frases, IMPUT, de adultos, ajudará no desenvolvimento da língua a que a criança esta inserida.

Chomsky diz ainda, que nesse processo de desenvolvimento da língua a criança irá conhecer muitas regras, mas escolherá somente aquelas que usará no contexto da língua em que esta inserida e que eliminará as outras.

A respeito da gramática universal, Chomsky afirma que esta já nasce com a criança, cheias de regras de todas as gramáticas que esta usará. E que esta se transforma em gramática da língua, a partir do momento que a criança separa as regras que usará em determinadas línguas, ou seja, na língua em que está inserida.

Quanto à teoria dos princípios e parâmetros, é uma releitura da gramática universal, esta postula que língua possui princípios ou leis, que são usados igualmente por todas as línguas, e parâmetros ou leis que possuem representações na língua em que se encontre, a partir disso cabe a criança selecionar o imput que melhor se adeque e depois processar o valor de cada parâmetro.

Para solucionar essa teoria, três proposições acerca do assunto foram propostas. A primeira delas diz que no começo os parâmetros não estão presentes, só com o processo de aquisição da língua é que eles aparecem, e que são organizados geneticamente e são programados a aparecerem em determinadas fases do amadurecimento das crianças, cujos fatores responsáveis por tal processo é que transformam a gramática universal em gramática da língua. A segunda hipótese é dividida em duas fases: a da competência plena/total é que todos os princípios estiveram presentes desde o começo, caso a delimitação não ocorra desde o começo é porque houve algum problema com por exemplo memória. A outra é a da aprendizagem lexical que diz que os princípios estão completamente presentes, mas que a evolução sintática depende da interiorização de partes morfológicas e lexicais novas, o que exige uma interação com o meio. Outra é a explicação porque as fontes de suporte são tão escassas, a reposta de Chomsky sobre o assunto é na existência da gramática universal enquanto conceitos inatos, biologicamente determinados que constituem a mente humana. Outra questão é a dissociação dos dispositivos de aquisição da linguagem das demais instancias cognitivas comportamentais, a aquisição da língua se dá por meio da gramática universal, e a definição dos parâmetros não são obrigatoriamente atrelados aos sistemas cognitivos.



BIBLIOGRAFIA



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5. MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina. (Orgs.). Introdução a Lingüística: domínios e fronteiras, v.2. São Paulo: Cortez, 2001. pp. 203-232.

6. SANTOS, Raquel. A aquisição da linguagem. FIORIN, José Luiz (org.) Introdução a Lingüística: I. objetos teóricos. São Paulo: Contexto, 2002.

7. SCARPA, Ester Mirian. Aquisição da linguagem. In MUSSALIN, Fernanda; Bentes, Anna Christina. (Orgs.). Introdução à lingüística: domínios e fronteiras, v.2. São Paulo: Cortez, 2001. pp. 203-232.



O presente trabalho, sob a orientação do professor Vicente Martins., da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará, contou com a elaboração das alunas do Curso de Letras Antônio Rômulo Bezerra de Sousa e Roberta Farias Paiva







































































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