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Artigos-->Pensamentos e Dinossauros -- 17/07/2006 - 11:11 (MARIA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Pensamentos e Dinossauros



Para qualquer diário idiota eu estaria exagerando. Desde as páginas virgens que refletem o branco num cenário convidativo até o resultado que dá preguiça de ler : eu exagero. Mas não para mim.

O caminho dos pensamentos, às vezes desordenados, às vezes lúcidos, condutores, garante a necessidade de fixação em algum terreno liso. Liso de sensações, livre de sentimentos.

Antes, eles virariam dinossauros. E como conviver com dinossauros? São como bichos monstruosos, antigos, fora de época, e no entanto, podem ser fotografados pela câmera da mente até torná-los pequenos, reduzidos e mastigáveis. Poderiam ser ampliados, mas sucumbem à redução que a necessidade predispõe e ordena.

Depois ainda, ao final da redução, podem ser digeridos pelos dentes trituradores. Ou então, eles ficarão esquecidos aguardando energia para reviver. Não sabem nem querem saber o que acontecerá. Não tem “nó sino atrial” como o músculo cardíaco para ficar latejando. Ficam como mortos, desativados e vazios.

Ainda depois, eles podem desaparecer. Sumir, como poeira, esfacelados e feitos pó. O fim inevitável.

Há porém, outro destino possível. Remoto às vezes, mas possível. Após a redução obrigatória, os agora pequenos dinossauros- pensamento devem ficar em celas. Retidos, sem encostar na luz do sentimento.

Se um sentimento chamado por algum fator vivo do presente ousar tocá-los, toda a redução estará perdida.

Convenhamos : é difícil um sentimento conseguir ultrapassar as grades das celas, após invadir o silêncio úmido das comportas escuras dos submundos do ser, onde escondem-se os pequenos monstros detidos.

Mas : existem sentimentos atrevidos.

São como moscas, como insetos voláteis : passam sem ser percebidos por qualquer abertura mínima. São ousados e quentes, voam repentinos como papel picado semelhantes a raios de luz incandescente. Atrevem-se arriscando a própria existência num piscar de olhos, olhos de vigias atentos que são os lúcidos guardiões do coração .

Eles põem tudo a perder.

Tocando os bichos adormecidos, fazem desastres.

O pior é que nascem do dia - a- dia, do contato dos olhos com o mundo, e se não há olhos que vêem, nascem dos cheiros, dos sons, do toque. Nascem de qualquer espaço permitido pela realidade – um instante milésimo de um perfume anunciado, de uma voz -um simples tom de voz! Uma palavra mágica, como “vinho”, “camisa”, “hasta luego”.

Os pequenos acordam para a vida como se fosse possível reviver do interior de uma pedra – basta chegar até o limite da cela, estender-lhes a mão e conseguir tocá-los, encostar numa partícula da casca inerte e, magicamente dar-lhes o alento da vida através da lembrança.

Eles não podem refletir a lembrança.

Se isso acontece, despertam.

Se despertam permitindo os sentimentos atrevidos que atravessam as catacumbas, criam asas, tomam de novo seus vultos enormes, voam no espaço da cabeça, do peito, das entranhas, que precisam se abrir para dar-lhes licença.

Então, a gente chora.

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