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Artigos-->SOBRE NHÁ CHICA, A “SANTA DO RIO DAS MORTES", AINDA... -- 28/06/2006 - 11:26 () Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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O povo do município mineiro de São João del-Rei e do seu distrito do Rio das Mortes relembrou de maneira simples, mas com fé, a data do falecimento de Nhá Chica. Durante as manifestações pelo transcurso do 111º aniversário de falecimento dela, em 14 de junho de 2006, um fato merece maior destaque e é digno de registro: a ação judicial que requer o Registro Civil Tardio de Nhá Chica, protocolizada no Fórum Carvalho Mourão e distribuída para o juízo da 3ª Vara Cível.

O Registro Civil Tardio de Francisca Paula de Jesus (Nhá Chica) foi requerido pelo Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, pelo Rotary Club de São João del-Rei (distrito 4580) e pela Associação de Amparo e Promoção ao Carente do Distrito do Rio das Mortes, tendo como procurador o advogado Wainer Carvalho Ávila, integrante das três entidades.

Como sabemos, o processo de canonização de Nhá Chica encontra-se em adiantada tramitação no Vaticano/Santa Sé. Ela nasceu e foi batizada no distrito são-joanense de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, na primeira década do século XIX. O que se pretende com a ação de Registro Civil Tardio é possibilitar que “a primeira bem-aventurada leiga e genuinamente brasileira”, nossa conterrânea, obtenha a Certidão de Nascimento, haja vista ela possuir apenas o assentamento de batismo, lavrado em 26 de abril de 1810.

Na elaboração do referido processo, a novidade histórica ficou por conta da descoberta, nos arquivos da Paróquia do Pilar, através do escultor sacro e pesquisador Osni Paiva, do assentamento de batismo da mãe de Nhá Chica, Izabel, filha de Roza Benguela (ou Banguela). Izabel foi batizada em 13 de outubro de 1782 na Capela do atual distrito de São Miguel do Cajuru (folhas 190 do Livro de Registros de Batismos, de 1780 a 1784, tomo II). Assim, a mãe de Francisca era natural de São Miguel do Cajuru e esta descoberta está de acordo com os escritos de Monsenhor Luiz Gutierrez, Frei Paolo Lombardo e Irmã Célia Cadorim in “Nhá Chica – A Pérola de Baependi”, pág. 27, onde se lê que “Francisca (Nhá Chica) era filha de Izabel Maria, que era filha de Roza Banguela ou Benguela, (era comum designar os escravos pelo nome da região africana de onde provinham), solteira, escrava de Costódeo Ferreira Braga. No batistério de Francisca – como em quase todos relativos aos escravos – não consta o nome do pai, que terá sido um outro escravo ou alguém proprietário daquelas terras”.

No final da petição, o advogado signatário requereu que “por mandado a ser expedido ao Cartório do Registro Civil de Rio das Mortes, efetue-se o assentamento civil de NHÁ CHICA, constando ali o seu nome próprio – Francisca Paula de Jesus – e o que consta no documento batismal, ou seja, como está no livro de 1808/18, verso, pág. 300, da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar desta cidade”.

Ainda em memória dos 111 anos do falecimento de Nhá Chica, registro as históricas caminhadas feitas em 16 e 17 de junho: a primeira saiu do centro do distrito do Rio das Mortes, rumo aos vestígios dos alicerces da casa onde viveu a “santa”. Lá, naquele sítio sagrado, situado na beirada do Caminho Real, entre o distrito e a sede do nosso município, ouvimos depoimentos de graças obtidas por intermédio da “santinha do Rio das Mortes”, incluindo o relato pessoal da cura de um câncer de pulmão obtida pelo advogado e confrade do IHG de São João del-Rei, Álvaro Bosco Lopes de Oliveira. Infelizmente, para triste registro histórico, há a necessidade de se lembrar da denúncia do advogado Wainer Ávila e do major-caminheiro Murilo Cabral de que o histórico “Caminho do Cascalho”, ao sopé da Serra do Lenheiro, servidão de mais de duzentos anos, parte integrante do trajeto da Estrada Real, trilha mística e religiosa, encontra-se bloqueado por um mega-empreendimento particular que além de configurar-se como invasão do espaço público, parece estar causando impactos ambientais negativos e outros prejuízos ecológicos àquela área .

A segunda caminhada saiu do local da anterior, em direção das ruínas da primitiva Igreja de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno (provável local do batismo de Nhá Chica) e onde, em 1722, instalou-se o Compromisso da Irmandade de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno e, ainda, em 1724, celebrou-se o casamento de Diogo Garcia da Cruz com a ilhoa Júlia Maria da Caridade . As ilhoas foram três irmãs - Júlia Maria da Caridade, Antônia da Graça e Helena Maria de Jesus (depois Helena Maria de Rezende) - naturais da Ilha do Faial, Arquipélago dos Açores, que vieram para MG na primeira metade do século XVIII. A descendência delas deu origem a tradicionais famílias mineiras, tais como os Rezende, Carvalho, Ávila, Ribeiro, Andrade, Junqueira, Ferreira, Guimarães etc.

Acredito que a filosofia existencial de hoje é a filosofia da cultura, dos valores, dos bens criados pela civilização, quer sejam eles materiais, imateriais, religiosos e/ou espirituais. Esses bens são aquisições portadoras de profundo sentido vital e racional, capazes de constituir um rumo para as pessoas, para as gerações e os diversos povos: é a racionalidade da cultura!

Há muita História depositada nas beiradas destes poeirentos caminhos da nossa Estrada Real; torna-se necessário respeitá-la e levá-la a sério, garimpá-la e (re)começar a prestigiar nossas mais profundas raízes familiares, religiosas e culturais. Só assim é que poderemos nos desfazer lentamente daquela velha impressão de que ainda somos um povo sem os devidos cuidados com a nossa memória...

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