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Artigos-->O MESSIAS JUDEU E O MESSIAS CRISTÃO -- 05/06/2006 - 19:01 (ANTICRISTO) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


O messias judeu deveria ser um rei poderoso, capaz de destruir os grande impérios que oprimiam aquele povo. O messias cristão, por sua vez, foi um herói executado transformado em deus. Os cristãos conseguiram convencer o mundo de que esse homem, chamado de filho de deus, ou deus filho, era o ungido previsto pelos profetas judeus, e, ainda, que ele retornará para estabelecer o reino eterno.



O Budismo originou-se das idéias de um príncipe que abandonou as glórias do reino para viver uma vida pobre. O Confucionismo é a transformação em religião da filosofia de um sábio chinês. O Islamismo foi criado por um visionário que ditou um código de conduta acreditando ou fazendo o povo acreditar que esse código procedesse do deus verdadeiro. O Judaísmo é o resultado da incorporação pelos hebreus de princípios e crenças de vários povos entre os quais eles viveram. O Cristianismo, por sua vez, embora de origem cada vez mais duvidosa, tornou-se muito mais forte do que todos os outros credos por duas razões: em primeiro lugar, passou ao mundo a idéia de que o único deus verdadeiro enviou seu filho à Terra e este morreu pela salvação do mundo e ressuscitou dentre os mortos. Em segundo, prometendo a ressurreição dos mortos e um reino eterno, tornou-se mais atraente do que todas as demais crenças. Assim não foi difícil conquistar o Império Romano tornar-se a maior religião do mundo.



Os judeus, na Idade Antiga, sempre viveram oprimidos por impérios poderosos, mas sempre acreditaram que seu deus lhes daria o domínio do mundo.



Quando a Assíria era o império dominante da região onde os judeus viviam, e Israel vivia no exílio sob esse império, eles acreditaram ter uma promessa divina que fatalmente se cumpriria dando-lhes o domínio de todos os povos da Terra. A Assíria seria derrotada e o povo escolhido do deus Yavé dominariam para sempre.



Um visionário chamado Miquéias apresentou a promessa que criam vir do verdadeiro deus:



“Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto os entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá, e apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão, porque agora ele será grande até os fins da terra. E este será a nossa paz. Quando a Assíria entrar em nossa terra, e quando pisar em nossos palácios, então suscitaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Esses consumirão a terra da Assíria à espada, e a terra de Ninrode nas suas entradas. Assim ele nos livrará da Assíria, quando entrar em nossa terra, e quando calcar os nossos termos. E o resto de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho da parte do Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem aguarda filhos de homens. Também o resto de Jacó estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leão novo entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, as pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre. A tua mão será exaltada sobre os teus adversários e serão exterminados todos os seus inimigos. Naquele dia, diz o Senhor, exterminarei do meio de ti os teus cavalos, e destruirei os teus carros; destruirei as cidade da tua terra, e derribarei todas as tuas fortalezas. Tirarei as feitiçarias da tua mão, e não terás adivinhadores; arrancarei do meio de ti as tuas imagens esculpidas e as tuas colunas; e não adorarás mais a obra das tuas mãos. Do meio de ti arrancarei os teus aserins, e destruirei as tuas cidades. E com ira e com furor exercerei vingança sobre as nações que não obedeceram.” (Miquéias, 5: 2-15).



Isso foi escrito, pelo menos está dito que foi, “nos dias de Jotão Acaz e Ezequias reis de Judá” (Miquéias, 1: 1). A Acaz, sucederam: Ezequias (16: 20), Manassés (18:21), Amom (18: 21), e Josias (21: 24).



“No ano décimo quarto do rei Ezequias, subiu Senaqueribe, rei da Assíria, contra todas as cidades fortificadas de Judá, e as tomou. Pelo que Ezequias, rei de Judá, enviou ao rei da Assíria, a Laquis, dizendo: Pequei; retira-te de mim; tudo o que me impuseres suportarei. Então o rei da Assíria impôs a Ezequias, rei de Judá, trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro” (II Reis, 18: 134, 14).



Josias, o rei bisneto de Ezequias, parecia ser o ungido predito por Miquéias. Ele planejava libertar o povo de Israel do poder a Assíria e formar aquele reino eterno com a união de Judá e Israel. Pois o reino teria que ser estabelecido com a queda da Assíria. "... ele nos livrará da Assíria, quando entrar em nossa terra, e quando calcar os nossos termos. E o resto de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho da parte do Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem aguarda filhos de homens”, teria dito o profeta.



Provavelmente para reforçar a fé do povo na luta contra o opressor, Josias determinou uma reforma do templo e lá apareceu um livro que foi denominado Lei de Moisés (II Reis, 22: 1-8). “Então disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o livro da lei na casa do Senhor. E Hilquias entregou o livro a Safã, e ele o leu” (v. 8). O livro era composto do que hoje são os livros de Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio. Ao que parece, livros como Juízes e alguns outros apareceram também nessa reforma. Segundo os referidos livros, Yavé, o único deus verdadeiro, teria criado o universo havia menos de três milênios e meio e teria escolhido homens justos entre os pecadores, dos quais teria surgido os judeus e israelitas. Dadas as incongruências existentes na história pregressa, a conclusão de alguns analistas é que esse livro da lei não fora encontrado, mas elaborado pelos escribas do reino e posto ali a mando de Josias (Ver detalhes).



Havia até a seguinte predição:

“E o homem clamou contra o altar, por ordem do Senhor, dizendo: Altar, altar! assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias; o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que sobre ti queimam incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti” (I Reis, 13: 2). Tudo parece ter sido elaborado, com todos os assombrosos prodígios divinos e a predição sobre Josias, para levantar o ânimo do povo na luta para reunificar o reino.



Josias não conseguiu formar o reino eterno; mas os judeus não perderam a fé. Continuaram acreditando que um dia o messias (hebraico "mashiah"="ungido) viria. Nem deram atenção para o fato de que ele era previsto para derrotar a Assíria.



Cada vez que um poder opressor chegava ao fim, aquele povo se via submetido a outro dominador, mas havia alguma profecia apontando para o fim daquele poder e o estabelecimento do reino eterno do povo eleito de Yavé. Assim seria com a queda de Babilônia; seria com a vitória dos macabeus sobre o exército siro; e não poderia deixar de ser com o fim do império Romano.



Nos dias do domínio romano, houve algumas tentativas de libertação, mas todos os heróis foram abatidos, e os judeus continuaram aguardando seu ungido.



Um grupo de judeus divulgou ao mundo que um dos heróis executados pelos romanos era os ungido libertador previsto. Em vez de derrotar os romanos e estabelecer o reino eterno, ele teria morrido pelos pecados do mundo e, tendo ressuscitado, retornaria um dia para estabelecer o reino. E essa doutrina com o tempo ganhou o império e depois formou a igreja mais poderosa do mundo.



Eis algumas diferenças entre os dois messias:



O messias anunciado pelos profetas judeus



a) deveria surgir quando a Assíria entrasse nas terras de Judá; mas a Assíria se acabou sem que o messias surgisse;

b) deveria livrar o povo de Judá e reunir a ele o restante, Israel, estabelecendo um reino mundial, destruindo as nações que não adorassem a Yavé; porém, Josias tentou fazê-lo, mas foi morto, e os hebreus continuaram sendo massacrados pelos gentios.



O messias cristão



a) surgiu cerca de mais de seis séculos depois da época prevista;

b) não libertou seu povo, mas foi morto pelos romanos, e o povo caiu em uma situação pior do que todas as anteriores: foi disperso pelo mundo.



Os profetas judeus nunca disseram que o messias iria ser morto pelo inimigo, mas os mestres cristãos usaram textos descontextualizados das escrituras hebraicas para passar essa idéia ao mundo.



Nunca houve previsão profética ou promessa na lei de Moisés de que o sacrifício de animais fosse um dia ser abolido e substituído por outro tipo de sacrifico. Todavia, os cristãos conseguiram persuadir o mundo a crer que a morte do líder dos cristãos era um sacrifício divino a substituir os sacrifícios de cordeiros.



Vejam a seguir alguns dos textos que foram utilizados pelos apóstolos para convencer o mundo de que Yeshua (Jesus) fosse o prometido libertador.



A "VIRGEM"

Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco” (Mateus, 1: 22, 23).



Vejam o verdadeiro contexto, que os religiosos não conhecem:



“Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem. Pois antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, será desolada a terra dos dois reis perante os quais tu tremes de medo. Mas o Senhor fará vir sobre ti, e sobre o teu povo e sobre a casa de teu pai, dias tais, quais nunca vieram, desde o dia em que Efraim se separou de Judá, isto é, fará vir o rei da Assíria.” (Isaías, 7: 14-17).



Prossegue um pouco adiante:



“E fui ter com a profetisa; e ela concebeu, e deu à luz um filho; e o Senhor me disse: Põe-lhe o nome de Maer-Salal-Has-Baz. Pois antes que o menino saiba dizer meu pai ou minha mãe, se levarão as riquezas de Damasco, e os despojos de Samária, diante do rei da Assíria.” (Isaías. 8: 3).



Aí está o verdadeiro contexto da profecia: A VIRGEM referida era a profetisa, com quem teria coabitado o profeta. E isso teria ocorrido nos dias em que a Assíria se apoderou de Israel. Nada tinha a ver com uma virgem nos dias do Império Romano.





O UNGIDO DE BELÉM

“e, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo. Responderam-lhe eles: Em Belém da Judéia; pois assim está escrito pelo profeta:

E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel”
(Mateus, 2: 4-6).



Vejamos o que dissera o profeta judeus:

“Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto os entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá, e apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão, porque agora ele será grande até os fins da terra. E este será a nossa paz. Quando a Assíria entrar em nossa terra, e quando pisar em nossos palácios, então suscitaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Esses consumirão a terra da Assíria à espada, e a terra de Ninrode nas suas entradas. Assim ele nos livrará da Assíria, quando entrar em nossa terra, e quando calcar os nossos termos. E o resto de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho da parte do Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem aguarda filhos de homens. Também o resto de Jacó estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leão novo entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, as pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre. A tua mão será exaltada sobre os teus adversários e serão exterminados todos os seus inimigos. Naquele dia, diz o Senhor, exterminarei do meio de ti os teus cavalos, e destruirei os teus carros; destruirei as cidade da tua terra, e derribarei todas as tuas fortalezas. Tirarei as feitiçarias da tua mão, e não terás adivinhadores; arrancarei do meio de ti as tuas imagens esculpidas e as tuas colunas; e não adorarás mais a obra das tuas mãos. Do meio de ti arrancarei os teus aserins, e destruirei as tuas cidades. E com ira e com furor exercerei vingança sobre as nações que não obedeceram.” (Miquéias, 5: 2-15).



Nos dias em que esse texto foi escrito, o reino de Israel estava subjugado pela Assíria, que era uma ameaça também para Judá. O profeta então afirmou que no dia em que a Assíria entrasse na terra de Judá, tudo isso se cumpriria, e o "Messias" (ungido), além de destruir a Assíria, estabeleceria um reino poderoso, exercendo "vingança sobre as nações que não obedeceram".



Nada disso aconteceu, mas o povo continuou esperando que um dia surgisse esse Messias. Para os judeus, que liam as profecias, Jesus não devia ter nada que os fizesse pensar que ele fosse o referido messias. Contudo um grupinho se ajuntou a ele e, após sua morte, através dessas montagens de textos, convenceu o mundo de que ele fora o cumprimento das predições de Miquéias e de vários outros textos, alguns dos quais nem eram predições, como o texto analisado a seguir.



DO EGITO CHAMEI MEU FILHO



Mateus, 2: 15: “e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho.



Agora, vejam o texto completo, que nada tem de predição sobre um filho chamado, mas o relato de um fato em que acreditavam os judeus:



“Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei a meu filho. Quanto mais eu os chamava, tanto mais se afastavam de mim; sacrificavam aos baalins, e queimavam incenso às imagens esculpidas. Todavia, eu ensinei aos de Efraim a andar; tomei-os nos meus braços; mas não entendiam que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas, e me inclinei para lhes dar de comer. Não voltarão para a terra do Egito; mas a Assíria será seu rei; porque recusam converter-se. Cairá a espada sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos; e os devorará nas suas fortalezas. Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; ainda que clamem ao Altíssimo, nenhum deles o exalta. Como te deixaria, ó Efraim? como te entregaria, ó Israel? como te faria como Admá? ou como Zeboim? Está comovido em mim o meu coração, as minhas compaixões à uma se acendem. Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não virei com ira. Andarão após o Senhor; ele bramará como leão; e, bramando ele, os filhos, tremendo, virão do ocidente. Também, tremendo, virão como um passarinho os do Egito, e como uma pomba os da terra da Assíria; e os farei habitar em suas casas, diz o Senhor. Efraim me cercou com mentira, e a casa de Israel com engano; mas Judá ainda domina com Deus, e com o Santo está fiel" (Oséias, 11:1-12).



Quem era o "filho" citado? Israel, não Jesus. Quando Yavé teria chamado o filho. Nos dias em que Moisés os teria tirado do Egito. E, qual foi a promessa contida no texto aí citado? Buscar os israelitas que estava em servidão na Assíria e no Egito e os fazer "habitar em suas casas", reunidos com o povo de Judá, que estava ao lado do deus Yavé.



Observem que nem isso se cumpriu. Judá, que estava ao lado de Yavé, foi dominado pelo Egito, sendo seu fiel rei Josias morto pelo faraó Neco, e, após a submissão ao Egito, todos caíram sob Babilônia (II Reis, 22 a 24).



Constata-se aí que o texto nada tinha a ver com um messias nos dias dos romanos; mas os cristãos distorceram o sentido do texto para fazer crer que Jesus fosse esse messias.





MATANÇA DOS MENINOS



Mateus, 2: 16-18: “Então Herodes, vendo que fora iludido pelos magos, irou-se grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo que havia em Belém, e em todos os seus arredores, segundo o tempo que com precisão inquirira dos magos. Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta Jeremias: Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem”.



Primeiramente, vale lembrar que, segundo o evangelho de Lucas, não houve nem magos, nem perseguição e matança de crianças, mas Jesus viveu em Nazaré indo com seus pais a Jerusalém por ocasião da páscoa todos os anos, pelo menos até os doze de idade (Lucas, 2: 1-42).



Em segundo lugar, se um rei mandasse matar todos os meninos de uma cidade e seus arredores, isso passaria despercebido como fato corriqueiro? Claro que não. Se não houve nenhuma menção dessa barbaridade por ninguém da época, só sendo várias décadas depois, o mais racional é concluir que nada disso ocorreu. O texto utilizado pelo autor do evangelho de Mateus está no capítulo 31 de Jeremias. Fala do sofrimento dos israelitas sob o cativeiro assírio e contém a promessa de libertação daquele povo e estabelecimento de seu reino seguro, permanente, imbatível, o que não se cumpriu, tendo em vista que, após a queda da Assíria, eles foram dominados por Babilônia; após a queda de Babilônia, em lugar daquela nova Jerusalém gloriosa, caíram sob o domínio medo-persa, depois o grego; depois dos gregos, vieram os romanos, que destruíram de vez a pátria hebraica.





A GRANDE LUZ



“...para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías:

A terra de Zabulom e a terra de Naftali, o caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia dos gentios, o povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz; sim, aos que estavam sentados na região da sombra da morte, a estes a luz raiou. Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”
(Mateus, 4: 14-17).



O texto citado pelo evangelista está no capítulo 9 de Isaías. Nos dias desse profeta, o povo de Israel estava subjugado pela Assíria. O profeta prometia um livramento do povo.



Entretanto, o povo nunca viu a grande luz prevista. Saiu do jugo da Assíria e caiu sob o de Babilônia. Escapou posteriormente da Babilônia, teve um pouco de folga sob o domínio medo-persa, mas caiu em seguida sob os gregos e posteriormente sob os romanos, que, nos dias cristãos, os dispersou pelo mundo. Nada do texto poderia aplicar-se a Jesus.





ELE TOMOU SOBRE SI AS NOSSAS ENFERMIDADES



“para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças” (Mateus, 8:17).



Esse é um dos mais citados textos do Velho Testamento como se referindo a Jesus (Isaías, 53). Entretanto, se o leitor continuar nos capítulos seguintes, verá que tudo que o profeta dizia deveria ocorrer nos dias de Babilônia. E seria construída uma nova Jerusalém, que não seria mais subjugada. Todavia, o que sabemos é que ela foi reconstruída tempos depois, mas permaneceu por muito pouco tempo, sendo destruída novamente, contrariando as previsões.





O SERVO DO SENHOR



“para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:

Eis aqui o meu servo que escolhi, o meu amado em quem a minha alma se compraz; porei sobre ele o meu espírito, e ele anunciará aos gentios o juízo”
(Mt 12:17, 18).



O texto aí citado está no capítulo 42 de Isaías. Se lermos até o capítulo 43, vemos que a referência era a alguém livraria o povo do cativeiro de Babilônia.





FALANDO EM PARÁBOLAS



“para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo” (Mateus, 13:35).



As palavras aí citadas fazem parte de um hino contido no Livro dos Salmos, cap. 78. Não tem qualquer natureza de predição sobre ninguém que deveria vir, mas é um relato de uma história em que criam os judeus.





O REI HUMILDE MONTADO EM JUMENTO



“Ora, isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu Rei, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de carga (Mateus, 21: 4, 5).



Vejamos o caso:



Nos dias do Império Medo-Persa, um dos profetas hebreus predissera:



“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei; ele é justo e traz a salvação; ele é humilde e vem montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta. De Efraim exterminarei os carros, e de Jerusalém os cavalos, e o arco de guerra será destruído, e ele anunciará paz às nações; e o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o Rio até as extremidades da terra... O Senhor dos exércitos os protegerá; e eles devorarão, e pisarão os fundibulários; também beberão o sangue deles como ao vinho; e encher-se-ão como bacias de sacrifício, como os cantos do altar” (Zacarias, 9: 9, 10, 15).



Segundo o profeta, o salvador "viria montado sobre um jumento". Mas esse salvador iria dominar o mundo "de mar a mar, e desde o Rio até as extremidades da terra" e estabeleceria a paz mundial. Sabemos que nada disso ocorreu.



Nos dias Império Romano, que também diziam estar levando a "pax romana" a todas as nações, surgiram alguns salvadores, que reuniram após si muitas pessoas, mas caíram diante dos guerreiros de Roma.



Entre esses, parece que houve um chamado Yeshua, em alguns lugares chamado de “nazareno”, em outros dito ter nascido em Belém. Não há nenhuma referência extra-evangélica a Yeshua em seus dias, o que põe em dúvida a sua existência. Talvez esse nome até tenha sido idealizado e dado a algum dos que se revoltaram contra Roma, uma vez que o nome significa "o que salva".



Conhecedor da profecia, Yeshua (Iesus em latim, Jesus em português) procurou mostrar ao povo que seria ele o ungido predito, conforme escreveu um dos seus seguidores:



“Quando se aproximaram de Jerusalém, e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ela; desprendei-a, e trazei-mos. E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei: O Senhor precisa deles; e logo os enviará. Ora, isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: ‘Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu Rei, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de carga.’



Indo, pois, os discípulos e fazendo como Jesus lhes ordenara, trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram os seus mantos, e Jesus montou. E a maior parte da multidão estendeu os seus mantos pelo caminho; e outros cortavam ramos de árvores, e os espalhavam pelo caminho. E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!



Ao entrar ele em Jerusalém, agitou-se a cidade toda e perguntava: Quem é este? E as multidões respondiam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia.



Então Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores”
(Mateus, 21: 1-13).



Isso nos dá uma idéia mais exata do que era plano desse líder: ser mesmo um rei como o povo esperava. Não reinou; mas os cristãos esperam que um dia reine.





AS TRINTA MOEDAS DE PRATA



“Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, a quem certos filhos de Israel avaliaram, e deram-nas pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor” (Mateus, 27:9, 10).



Nessa, o evangelista se enganou até quanto ao autor do texto citado. Não foi Jeremias, mas Zacarias que falou das trinta moedas de prata. Só que o texto nada parece com o mencionado episódio de Judas Iscariotes. Veja abaixo:



"Abre, ó Líbano, as tuas portas para que o fogo devore os teus cedros. Geme, ó cipreste, porque caiu o cedro, porque os mais excelentes são destruídos; gemei, ó carvalhos de Basã, porque o bosque forte é derrubado. Voz de uivo dos pastores! porque a sua glória é destruída; voz de bramido de leões novos! porque foi destruída a soberba do Jordão. Assim diz o Senhor meu Deus: Apascenta as ovelhas destinadas para a matança, cujos compradores as matam, e não se têm por culpados; e cujos vendedores dizem: Louvado seja o Senhor, porque hei enriquecido; e os seus pastores não têm piedade delas. Certamente não terei mais piedade dos moradores desta terra, diz o Senhor; mas, eis que entregarei os homens cada um na mão do seu próximo e na mão do seu rei; eles ferirão a terra, e eu não os livrarei da mão deles. Eu pois apascentei as ovelhas destinadas para a matança, as pobres ovelhas do rebanho. E tomei para mim duas varas: a uma chamei Graça, e à outra chamei União; e apascentei as ovelhas.

E destruí os três pastores num mês; porque me enfadei deles, e também eles se enfastiaram de mim. Então eu disse: Não vos apascentarei mais; o que morrer morra, e o que for destruído seja destruído; e os que restarem, comam cada um a carne do seu próximo. E tomei a minha vara Graça, e a quebrei, para desfazer o meu pacto, que tinha estabelecido com todos os povos. Foi, pois, anulado naquele dia; assim os pobres do rebanho que me respeitavam, reconheceram que isso era palavra do Senhor. E eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o que me é devido; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário, trinta moedas de prata. Ora o Senhor disse-me: Arroja isso ao oleiro, esse belo preço em que fui avaliado por eles. E tomei as trinta moedas de prata, e as arrojei ao oleiro na casa do Senhor. Então quebrei a minha segunda vara União, para romper a irmandade entre Judá e Israel. Então o Senhor me disse: Toma ainda para ti os instrumentos de um pastor insensato. Pois eis que suscitarei um pastor na terra, que não cuidará das que estão perecendo, não procurará as errantes, não curará a ferida, nem apascentará a sã; mas comerá a carne das gordas, e lhes despedaçará as unhas. Ai do pastor inútil, que abandona o rebanho! a espada lhe cairá sobre o braço e sobre o olho direito; o seu braço será de todo mirrado, e o seu olho direito será inteiramente escurecido" (Zacarias, 11: 1-17).



Isso era um tipo comum de ameaça dos profetas ao povo no passado, mas não encontramos aí sequer uma frase a que possamos dar o significado que o evangelista quis dar.





NENHUM DOS SEUS OSSOS SERÁ QUEBRADO



"Porque isto aconteceu para que se cumprisse a escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado" (João 19: 36).



Esse foi outra vez que um evangelista chamou de profecia o que era apenas um hino do salmista. Vejamos um pouquinho mais dele:



"O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra. Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei ao Senhor, vós, seus santos, porque nada falta aos que o temem. Os leõezinhos necessitam e sofrem fome, mas àqueles que buscam ao Senhor, bem algum lhes faltará. Vinde, filhos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor. Quem é o homem que deseja a vida, e quer longos dias para ver o bem? Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem dolosamente. Aparta-te do mal, e faze o bem: busca a paz, e segue-a. Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu clamor. A face do Senhor está contra os que fazem o mal, para desarraigar da terra a memória deles. Os justos clama, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angústias. Perto está o Senhor dOS QUE TÊM O CORAÇÃO QUEBRANTADO, e salva OS CONTRITOS DE ESPÍRITO. Muitas são as aflições do justo, mas de todas elas o Senhor o livra. Ele lhe preserva todos os ossos; nem sequer um deles se quebra. A malícia matará o ímpio, e os que odeiam o justo serão condenados. O Senhor resgata a alma dos seus servos, e nenhum dos que nele se refugiam será condenado. (Salmos, 34: 7-22).



O que vemos aí é um hino que apresenta um deus justo, que protege os seus seguidores de todos os males e pune os ímpios. Mas a realidade que vemos é bem outra, que coincide com o que disse outro dos escritores bíblicos:



Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: que a todos sucede o mesmo" (Eclesiastes, 9: 2 e 3).



Com todas essas distorções e mais algumas outras, os mestres cristãos lograram êxito em convencer muita gente de que o seu líder morto era o ungido previsto pelos profetas para libertar Israel. E, como o povo não tinha os textos dos profetas para conferir e descobrir o verdadeiro contexto, isso passou como verdade. Quando a doutrina chegou a conquistar a maioria da população do império, o imperador romano achou um bom negócio adotar essa religião como oficial do império. Foi aí que a situação começou a inverter-se. Aqueles que antes eram perseguidos passara a ser os perseguidores. A corrente cristã dominante em Roma baniu todas as outras, e tornou-se o cristianismo católico romano. Assim, o mundo passou a crer que um dos líderes judeus executados pelos romanos era verdadeiramente o messias que os profetas judeus haviam predito, quando ele não foi nada do que Miquéias havia predito. O messias de Miquéias simplesmente nunca existiu, e o líder cristão morto tornou-se aos olhos do mundo o messias anunciado.



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