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Infantil-->PÉ NO BOLO VAI À IGREJA -- 10/05/2008 - 13:02 (Germano correia da Silva) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

PÉ NO BOLO VAI À IGREJA
(Por Germano Correia da Silva)

Semanalmente, especificamente aos domingos, o garoto Pé no Bolo tem comparecido à igreja de sua comunidade em companhia dos seus pais e irmãos para participar das atividades religiosas e ali fazer suas orações.

Os pais dele o procedem dessa maneira desde a época em que moravam num vilarejo da zona rural, logo, eles vêm mantendo essa rotina religiosa há bastante tempo, bem muito antes de mudarem para um bairro da periferia de uma pequena cidade.

Durante muito tempo tem sido esse o ritual rotineiro de um pai muito devotado à aplicação dos ensinamentos religiosos aos membros de sua família, tentando com isso, conduzir a sua prole pelos caminhos do amor e da fé em Cristo.

O garoto Pé no Bolo, apesar do seu temperamento irrequieto, arteiro, sempre eivado de atitudes de uma criança traquinas, tem uma verdadeira devoção pelas práticas religiosas.  Tem sido comum vê-lo a fazer suas preces mirins, em momentos que outras crianças de sua idade estariam a ocupar tal espaço com folguedos e traquinices de uma forma bem natural.

Certa vez, justamente em um dia em que quase todas as pessoas de sua família tinham saído para participar de uma festa alusiva ao aniversário de seu bairro, ele decidiu ir sozinho à igreja.

Sem muito alarde, apanhou seu catecismo e lá se foi o pequeno garoto em direção à igreja local, parecendo um devoto adulto, decidido a colocar em dia todas as suas orações atrasadas.

Andando a passos largos, não demorou muito chegar à igreja e, da mesma forma, quando chegou lá, não perdeu tempo: em poucos minutos, abriu várias vezes o seu catecismo, em páginas diversas, como se estivesse à procura de uma prece especial, algo diferente daquilo que seus pais costumavam orar.

Depois de alguns instantes, absorto em pensamentos e com um olhar e semblante decididos, ficou a fitar atentamente uma imagem de Cristo, estampada numa das paredes daquele altar e, naquela sua conversa com Cristo, assim falou:

“Ó meu Jesus Cristo, filho de Deus do Céu, há muito tempo eu tenho tentado falar com o Senhor. Eu queria tanto que o Senhor me ajudasse a ajudar as pessoas deste mundo que precisam de ajuda. Agora mesmo, eu tenho duas coisas urgentes para lhe pedir e outras duas para lhe encomendar para depois.

As urgentes, se o Senhor puder resolvê-las logo, eu ficarei muito agradecido; as outras, menos urgentes, se o Senhor puder anotá-las no seu caderno, e depois com mais tempo analisá-las, eu prometo entrar em contato com o Senhor na primeira oportunidade e falaremos mais sobre elas.

Se o Senhor tiver tempo disponível na sua agenda, poderá ser amanhã, pois como se trata de um feriado, as pessoas adultas estarão ocupadas durante todo o dia com os seus compromissos e atividades de lazer rotineiro e, por certo, lembrarão bem pouco de lhe pedir alguma coisa, principalmente para as pessoas que estão precisando de ajuda.

Senhor, primeiramente eu gostaria muito que me ajudasse a entender esses meus dois pedidos. O primeiro deles, por mais que eu me esforce, eu não consigo entender porque está faltando esta “coisa” entre as pessoas de todo o mundo.

O que eu sei a respeito dela é que se trata de uma procura constante dos homens do mundo inteiro. Todos eles vivem em busca dessa “coisa” que a chamam de “paz”, mas todo mundo sabe que essa “coisa” chamada “paz” depende muito da boa vontade dos homens, principalmente daqueles que não gostam de fazer guerra.

A outra “coisa” que os homens que “mandam no mundo” não conseguem dar jeito, e que eu acho um absurdo, é a luta pelo combate da fome das pessoas mais necessitadas.

- Meu Papai do Céu, essa é, no meu entender, a mais complicada delas. Às vezes eu fico aqui pensando que se todas as pessoas que têm comida, em vez de comer três vezes ou mais por dia, comessem apenas duas vezes, com certeza, sobraria um pouco mais de comida para aqueles que têm um pouco menos ou para quem nada tem.

- Meu Jesus Cristo, filho de Deus, mais uma vez eu lhe peço: ajude-me, o mais rápido possível, a entender tudo isso. Não permita que os homens continuem fazendo guerras, essas “coisas” que matam muitas pessoas inocentes e nem permita que pessoas de qualquer parte do mundo continuem morrendo de fome.

- Meu Jesus Cristo, filho de Deus e que hoje está morando no Céu: meus pais andam dizendo constantemente que o Senhor estará voltando qualquer dia desses para nos ajudar a cuidar das pessoas que precisam de ajuda e seria muito bom que isso acontecesse...

Aproveitando essa nossa conversa, eu vou lhe pedir outra coisa: quando isso for acontecer, não mande avisar não; uma boa parte das pessoas dessa comunidade onde eu moro, e de outras espalhadas por este mundo de Meu Deus, poderão não entender bem a razão do seu retorno, mas seja como for, seja bem-vindo!”

Terminada a sua conversa, em forma de oração, ele fez o sinal da cruz, agradeceu ao seu grande amigo Jesus Cristo, aquele estampado naquela parede, principalmente por ter dispensado um pouco de Sua atenção ouvindo os pedidos dele e, sem perder tempo, voltou correndo para sua casa.

Mal se aproximou da porta da casa dele, jogou o seu catecismo por uma das janelas que se encontrava entreaberta e aproveitou parte do seu tempo ocioso para brincar com algumas crianças de sua vizinhança.

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