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Artigos-->UFOLOGIA -- 14/05/2000 - 12:51 (Paccelli José Maracci Zahler) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
REFLEXÕES SOBRE A UFOLOGIA



Paccelli M. Zahler



1. INTRODUÇÃO



Os avistamentos de objetos estranhos sobrevoando os céus, fazendo manobras bruscas, praticamente impossíveis para o nível de conhecimento tecnológico do homem, bem como os relatos de pessoas que tiveram contato com seres diferentes dos humanos, que falam de acontecimentos futuros e que determinam missões aos contatados, têm sido uma constante no decorrer da História.

As lendas, os "causos", muitas histórias da Bíblia e até mesmo dos indígenas parecem mostrar que existe um "algo mais" que ainda não se sabe muito bem o que é, mas que interfere nas atividades humanas.

Com o desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia, o que era apenas um relato , passou a ser fotografado, filmado, acusado nas telas do radar e testemunhado por pilotos altamente qualificados e por pessoas respeitáveis. Assim, a partir de 24 de junho de 1947, quando Keneth Arnold avistou e descreveu o deslocamento de objetos voadores não identificados sobrevoando o monte Rainier, nos Estados Unidos da América, as coisas começaram a mudar.

Surgiram relatos de avistamentos de objetos voadores não identificados pelo mundo inteiro, alguns pesquisadores se interessaram pelo estudo do fenômeno e nasceu a Ufologia ou Ovniologia, isto é, a ciência ou o estudos dos objetos voadores não identificados.

O objetivo do presente trabalho é discutir a Ufologia como ciência e, principalmente, os métodos por ela utilizados no seu campo de estudo.



2. UFOLOGIA E METODOLOGIA CIENTÍFICA



O elevado número de relatos e testemunhos, os filmes, as fotografias e sinais de radar ao redor do mundo, inclusive a manifestação de autoridades, em especial de comandantes da Força Aérea de diversos países, atestam que o fenômeno dos objetos voadores não identificados existe. Por outro lado, os estudos da maioria dos casos de avistamentos e contatos são meramente descritivos e, muitas vezes, assemelham-se a contos de realismo fantástico, que acabam provocando medo em algumas pessoas e chacota em outras, a despeito da seriedade do pesquisador, da coerência das várias testemunhas e das semelhanças na forma de contato.

Não se pode negar que a existência de muitos pesquisadores despreparados, em busca de renome e notoriedade, tem contribuído para o descrédito da Ufologia junto à população e à comunidade científica. Isto é agravado pelo fato de não haver provas materiais que possam ser analisadas em laboratórios oficiais, quantificadas e comparadas com provas coletadas nas diferentes partes do mundo, como exige a Metodologia Científica.

Dessa forma, sem provas além do testemunho das pessoas, a Ufologia pouco difere da Religião, na qual existem dogmas que "explicam" o que não é compreendido. O restante é uma questão de se ter ou não Fé, de acreditar ou não acreditar. Principalmente, com o surgimento do "ufocultismo" e dos "mistagogos" - elos de ligação entre os seres extraterrenos e os terráqueos que estão em busca de um caminho, em busca de luz em sua vida de sacrifícios e dificuldades econômicas.

É interessante observar que algumas perguntas continuam sem resposta: Por que, em todas as civilizações, a salvação vem dos Céus? Por que e do quê o homem precisa ser salvo? Por que algumas pessoas têm contato com "deuses" e tornam-se seus porta-vozes? Por que existem "missões" a serem cumpridas?

Assim, nenhum pesquisador sério arriscaria a sua carreira e a sua credibilidade envolvendo-se com um estudo que, apesar do esforço de alguns poucos ufólogos respeitáveis, não incorporou a Metodologia Científica em seu trabalho; e onde os leigos e "donos da verdade" se apropriam e destróem as possíveis provas, não contribuindo em nada para o avanço do conhecimento.

Isto faz lembrar os primórdios da Ciência, onde se especulava sobre os fenômenos naturais e "autoridades" escreviam tratados, resultantes de elocubrações filosóficas, e elaboravam "leis" que foram seguidas por anos a fio pelos "cientistas", com provas cabais inclusive, como foi o caso da "geração espontânea".

Atualmente, já se conhece bastante sobre os fenômenos naturais e, no entanto, a Ciência não escapa das fraudes. Em 1912, por exemplo, Charles Dawson, advogado que se dedicava à Geologia nas horas de folga, anunciou a descoberta de um fóssil de crânio humano e mandíbula de macaco, na comarca de Piltdown, e que seria o "elo perdido". Os pesquisadores debruçaram-se sobre a "descoberta" por cerca de 40 anos até atestarem a fraude. Já em 1974, William Summerlin disse ter resolvido o problema de rejeição nos transplantes. Mais tarde, verificou-se que ele havia pintado a pele das cobaias com caneta hidrográfica, as quais, logicamente, não apresentaram rejeição à pele que (não) foi "transplantada".

Pode-se perguntar : Se na Ciência formal e oficial, onde todos os trabalhos são feitos com todo o rigor e passam por uma equipe de consultores renomados antes de ser publicados e são passíveis de ser repetidos em outros laboratórios para confirmação dos resultados, ocorre fraude, o que se pode dizer da Ufologia, onde o fenômeno é único, ou seja, não há possibilidade de ser repetido, depende da disposição e do estado psicológico das testemunhas, do nível de instrução, do discernimento e da vaidade do pesquisador, mesmo que tenha sido fotografado e filmado? A probabilidade de fraude é bem maior!

Alguns ufólogos têm acusado as autoridades governamentais de omissão quanto ao fenômeno, de esconderem provas (que provas?), de não apoiarem e dificultarem as investigações. Para este caso, também vale a observação feita acima, isto é, nenhuma autoridade ou instituição governamental vai arriscar a sua credibilidade frente à comunidade internacional, tomando partido de um estudo, até o presente momento, especulativo (com poucas exceções), no qual não existem provas concretas, tampouco quantidade suficiente de estudos sérios e comprovados, apenas relatos. Serio como apoiar o Espiritismo, a Astrologia, a Umbanda e a Magia.

Mas o fenômeno existe! Correto. Nesta exposição isto não foi negado. Contudo, procurou-se mostrar que o fenômeno não tem sido estudado cientificamente e com o rigor necessário para Ter a credibilidade de ramo da Ciência. E por Ciência entende-se "todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigido ao sistemático conhecimento com objetivo limitado, capar de ser submetido a verificação" (FERRARI, A . F. 1982. METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA. São Paulo, McGraw-Hill. 318 p.)





3. CONCLUSÕES



Existem centenas de relatos de avistamentos e de contatos com objetos voadores não identificados com características comuns, tornando possível a elaboração de uma hipótese a respeito do fenômeno.

Deve-se esgotar todas as possibilidades nos campos da Sociologia, da Psicologia, da Antropologia, da Física, da Química e da Biologia, deixando de lado os "argumentos de autoridade", o maniqueísmo e as especulações, para que o fenômeno seja considerado extraterreno.

A partir daí, será necessário um esforço concentrado no levantamento de provas reais, que fiquem à disposição de especialistas competentes, que sejam analisadas em laboratórios oficiais, que sejam comparadas com o material coletado em outros países para verificação de sua natureza espacial ou terrena; ou que sejam armazenadas em local segura para exame futuro, quando a Ciência tiver avançado mais alguns passos.

Somente assim, a Ufologia será considerada um estudo científico.



(Publicado na Revista BRASÍLIA nº 61, julho/agosto de 1993, p. 22-23)







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