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Artigos-->Campanha de Lulla recebeu US$ 3 milhões de Cuba -- 31/10/2005 - 15:03 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Campanha de Lula recebeu US$ 3 milhões de Cuba, diz revista "Veja"



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Bons companheiros: Dia 9 de janeiro de 1989, Lula, então candidato à presidência, se encontra com Fidel Castro em Havana. Já presidente, em 26 de setembro de 2003, é recebido pelo líder cubano no aeroporto de Havana





São Paulo - A campanha eleitoral do então candidato a presidente pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu US$ 3 milhões vindos de Cuba, entre agosto e setembro de 2002, segundo reportagem de capa que a revista Veja publica esta semana. A revista sustenta a revelação em depoimentos do advogado Rogério Buratti, ex-assessor do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do economista Vladimir Poleto, integrante da administração municipal de Ribeirão Preto, na época em que Palocci era o prefeito.



A matéria diz que ao chegar a Brasília, por meios que a revista não conseguiu identificar, o dinheiro ficou sob os cuidados de Sérgio Cervantes, um cubano que já serviu como diplomata de seu país no Rio de Janeiro e em Brasília.



Bebidas



De Brasília, o dinheiro foi levado para Campinas, a bordo de um avião Seneca, acondicionado em três caixas de bebida. Eram duas caixas de uísque Johnnie Walker, uma do tipo Red Label e outra de Black Label, e uma terceira caixa de rum cubano, o Havana Club. Quem levou o dinheiro foi Vladimir Poleto.



Em Campinas, o dinheiro foi apanhado no aeroporto de Viracopos por Ralf Barquete, também ex-auxiliar de Palocci em Ribeirão Preto. Barquete chegou a bordo de um automóvel Omega preto, blindado, dirigido por Éder Eustáquio Soares Macedo. De Viracopos, o carro foi para São Paulo, para deixar as caixas no comitê de Lula na Vila Mariana, aos cuidados do então tesoureiro Delúbio Soares.



"Fui consultado por Ralf Barquete, a pedido do Palocci, sobre como fazer para trazer 3 milhões de dólares de Cuba", disse Buratti, em entrevista à Veja. O advogado referia-se ao ex-secretário da Fazenda de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto, falecido em junho de 2004.



Assessor de Palocci não sabia



Quanto a Poleto, a revista diz que ele admitiu ter transportado o dinheiro de Brasília a Campinas, voando como passageiro em um aparelho Seneca em que estavam apenas o piloto e ele. Ele ressalvou que, na ocasião, não sabia que levava dinheiro e achava estar transportando bebida. "Eu peguei um avião de Brasília com destino a São Paulo com três caixas de bebida. Depois do acontecimento, fiquei sabendo que tinha dinheiro dentro de uma das caixas", disse. "Quem me disse isso foi Ralf Barquete. O valor era 1,4 milhão de dólares".



A revista informa ter relatado a Palocci a história contada à revista pelos seus ex-auxiliares e o ministro comentou: "Nunca ouvi falar nada sobre isso. Pelo que estou ouvindo agora, me parece algo muito fantasioso". O outro personagem do episódio, o cubano Sergio Cervantes, é descrito pela revista como "agente do Ministério do Interior", conforme informação atribuída a "um diplomata brasileiro que o conhece pessoalmente".

Abraço fraternal



A revista ressalta que Cervantes é "íntimo dos petistas" e cita um exemplo desse relacionamento: "Em março de 2003, quando deixou o cargo na embaixada, Cervantes, que é amigo de Fidel Castro e dirigente do Partido Comunista de Cuba, fez questão de dar um abraço fraternal de despedida no presidente Lula e no então ministro José Dirceu."



Também ouvido pela revista, Cervantes nega que tenha havido ajuda financeira de Cuba para Lula. "Cuba está é precisando de dinheiro. Como é que pode mandar?", disse. "Isso não é verdade."

Veja destaca na reportagem que a Lei 9.096, aprovada em 1995, proíbe um partido político receber recursos do exterior. "Se isso ocorre, o partido fica sujeito ao cancelamento de seu registro na Justiça Eleitoral. O candidato desse partido - o presidente Lula, no caso - não pode ser legalmente responsabilizado por nada, já que sua diplomação como eleito aconteceu há muito tempo", informa a matéria.



Atentado à soberania do País



No entanto, a revista acena com outras conseqüências, depois de atestar a gravidade do episódio com o professor Walter Costa Porto, especialista em direito eleitoral e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "É tão grave, mas tão grave, que é a primeira das quatro situações previstas na lei para cassar o registro de um partido político. Isso é um atentado à soberania do País. É letal", comenta o ex-ministro.



A revista diz: "Caso as investigações oficiais confirmem que o PT recebeu dinheiro de Cuba, e o partido venha a ter o registro cancelado, o cenário político brasileiro será varrido por um Katrina: isso porque os petistas, sem partido, não poderiam se candidatar na eleição de 2006. Nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva."







Obs.: Leia reportagem completa na revista Veja nº 1929 (2/11/2005).

Se tal dinheiro chegou ao Brasil, provavelmente deve ter vindo através de mala diplomática para a embaixada cubana em Brasília. Como todos sabem, acordos internacionais garantem que a correspondência das embaixadas seja inviolável, não pode ser vistoriada. Assim, pode passar tudo: armas, ouro, pedras preciosas e, obviamente, dólares (F.M.).



***



Kamaradas,



Sergio Cervantes é Sérgio Julio Cervantes Padilla, Oficial do Departamento América (órgão de Inteligência do Comitê Central do PC Cubano). Chegou ao Brasil desde antes do reatamento das relações diplomáticas Brasil/Cuba por Sarney. Após o reatamento permaneceu no Brasil como Conselheiro Político. Conheço essa figuraça pessoalmente, pois ele esteve presente no IX Coingresso do PCB, realizado na UERJ em maio/junho de 1991. Em 1993 foi substituído no cargo de Conselheiro Político por Jorge Antonio Ferrera Diaz, também do Departamento América, que herdou todos os contatos de Cervantes. Ferrera Diaz, em julho de 1997 participou, em Porto Alegre, do 7º Encontro do Foro de São Paulo, sendo de ressaltar que, nessa oportunidade, o Documento Central então aprovado, teve por base o Documento de Análise de Conjuntura, redigido em Havana e apresentado ao Foro pela delegaçção cubana, composta por 14 pessoas. Em fevereiro de 1999, Jorge Antonio Ferrera Diaz foi substituído. Por quem? Por Sergio Julio Cervantes Padilla. Em abril de 2003, Cervantes foi substituído. Por quem? Por Jorge Antonio Ferrera Diaz. Na época do recebimento e transporte para São Paulo das caixas de bebida, apanhadas no apartamento de Cervantes, em Brasília, ele residia na SQS 106, Bloco H, ap 206. Finalmente, agora, em outubro de 2005, Sergio Julio Cervantes Padilla esteve presente, como delegado do Partido Comunista Cubano, no 11º Congresso do PC do B, realizado em Brasília.



Azambah (Carlos I. S. Azambuja - historiador)











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