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Artigos-->UM BOI NO TELHADO, LIVRO DE FAUSTO VALLE -- 20/09/2005 - 12:22 (Francisco Miguel de Moura) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
UM BOI NO TELHADO



Francisco Miguel de Moura*



O contista e poeta Fausto Valle, autor de várias obras, a última um livro de contos, “Um boi no telhado,” é um genial contista de contos curtos, não aquilo que alguns acham que o contista deva ser: um contador de histórias. Contar por contar histórias qualquer pessoa faz. Escrever contos com arte é outra história. Alguns dos contos de “Um boi no telhado”, R&F Editora Ltda., Goiânia – GO, 2005, a partir do mais excelente, que abre e dá título ao livro, eu diria que são meio fantásticos, o que chamo de realismo fantástico à brasileira. Em resumo: sem deixar de contar suas histórias, seus remorsos – “toda história é remorso”, segundo Drummond – Fausto Valle trabalha as letras muito bem, embrenha-se pelos sentimentos e seus mistérios e mostra que “tudo vale a pena” quando se sabe dizer. A marca do grande contista está em saber lidar com as pequenas coisas, os incidentes, as emoções recônditas esvaídas no sonho e no viver de cada um.

Destaco uma particularidade do autor, nesta obra (não me lembro se nas demais): Gosta de paisagem, como a maioria dos escritores goianos. E quando falo goiano não tem nada de depreciativo em relação a “escritores brasileiros”. Depois que a capital do Brasil saiu do Rio, tudo virou província, o Rio é província, São Paulo é província, Rio Grande do Sul é província como os Estados do Nordeste: Bahia, Pernambuco, Piauí... Paisagem que se mistura com a alma do personagem, com o momento, com seus desejos, sonhos, esperanças e também pesadelos. Do começo de “Tonho e a Pedra”: “O rio se encachoeirava sobre o leito de pedras, que acolheu suas águas milhões de anos antes que Tonho compartilhasse a solidão com suas ribeiras. Muito antes de Tonho, antas e capivaras, outros bichos, lontras, pacas, ariranhas, todos que gostam de água, ali se compraziam. (...) O peixes, esses confundiam sua vinda com os ermos do tempo”.O conto é parte da vida de Bobo Tonho, que era um desataviado de inteligência, ria à-toa por tudo e vivia de vender “xibius” e “xibiuzinhos” que, ao lado da mulher, encontrava nas areias dos cascalhos. Um dia, Tonho encontra uma pedra de diamante grande, valiosa, e, junto com a mulher, também simplória, resolvem guardá-la em casa, não vendendo ao comprador costumeiro, que a queria por uma irrisória quantia. Pra quê dinheiro? Eram ricos agora, e bastava. Um dia descobriram que a pedra tinha sido furtada. O conto termina:

“Tonho e a mulher não falaram mais no assunto. Continuaram ali, à beira do rio, enfiando as mãos nas locas e chapinhando pedras na água, felizes... felizes... felizes”.

Citei esse conto por causa do seu início, que na primeira leitura me pareceu um nariz de cera. Não é. Tudo tem a ver. Aprofunda a consciência do personagem. Momento e vida. Mas a maioria de seus contos são histórias de ou sobre meninos “vivos”, que brincam e descobrem coisas interessantes, não como os de hoje, que ficam agarrados, presos à telinha, só vendo e ouvindo besteiras.

Na verdade, com a tevê e a internet, o mundo hoje está tão a descoberto que resta pouco para inventar-se. Fausto Valle deve sentir esse drama, mas ao mesmo tempo, porque sabe sentir, pensar e escrever, inventa dentro do inventado e constrói sua contística de modo muito singular.

Gostei do livro e os leitores – tomara que a editora mande-o para as nossas livrarias – também hão de gostar.

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*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, mora em Teresina, e-mail: franciscomigueldemoura@superig.com.br





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