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Poesias-->perdidos -- 10/04/2002 - 10:53 (alvaro netto) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
ACENOS & DESPEDIDAS



Passei quinze anos nesta casa e agora que estou partindo não sei o que quero levar, sequer sei se quero levar algo. Tudo que tenho me lembra as pessoas desta cidade e suas mesquinhas frustrações. Tudo aqui é falso.; da alma à cor dos cabelos. Nenhum abraço é sincero e todo ato esconde um interesse pessoal – isso me enoja. Não quero viver o que ainda me resta de vida negando Caetano e fascinando-me com “Transa” – eu quero muito mais. Talvez leve comigo somente alguns discos, os que ganhei e mais dois ou três. Deixo os livros em uma caixa em um canto qualquer do quarto como um presente anônimo para o próximo morador ou invasor e incinerarei o restante: revistas.; cadernos e fotografias amareladas de pessoas com sorrisos amarelos e poses programadas (Entre tantas desbotando encontrei uma sua.; o jeito esnobe, o olhar tímido, o enquadramento equivocado. Você foi o melhor de mim e isso, por incrível que pareça, não é um elogio). Certamente, jamais me entregarei amiúde a alguém que esboça felicidade e arte-finaliza melancolia.

Anotações. Contas pagas. Agendas. Um poema inacabado sobre fantasmas, poderia guarda-lo, mas o tema não reflete o instante – cesto. Quase uma centena de cartas recebidas no decorrer de três relacionamentos, em comum todas terminavam com um “para sempre” ou “eternamente” e ironicamente todas se foram cedo demais.

Os excessos me constrangeram. As omissões me amarguraram. As quimeras ruíram-se com o tempo, podadas cotidianamente com cada aceno de despedida, com cada beijo de obrigação, com cada música de Arnaldo Antunes. Tudo foi morrendo e apodrecendo dentro de mim, nem mesmo o vazio ficou.

Ouvindo samba.

***

Da janela do carro vejo apenas imagens repetidas. Como num filme de Humphrey Bogart a paisagem parece não mudar. E realmente, nada mudou.

***

Ouvindo Sting.

(Álvaro Neto)





CANSAÇO



Cansei dos olhos

do brilho falso dos olhos

dos cabelos tingidos dos olhos

cansei.

A vida e a morte não me querem

resta apenas caminhar sem sentido

tentando dar sentido ao meu caminho

tentando me inclinar aos bons caminhos.

Cansei do olhar

do desvio do olhar

do branco vestido do olhar

do meu cansar.

Os olhos se perdem de mim

enquanto caminho a esmo,

meu caminho se perde em mim

enquanto os olhos ficam cinza.



O olhar não basta.



(Álvaro Neto)





COMO SOU AGORA



Eu nunca fui tão “As Quatro Estações”

como sou agora

eu nunca fui feliz, eu sei, mas não chorei

nem me entreguei às coisas sem sentido lógico.

Eu nunca fui real, talvez mentira,

nunca fui sombra ou pegadas,

não me considero um fardo,

sou leve e sigo na minha canção.



Eu nunca fui tão Bob Dylan

como sou agora

eu nunca amei, eu sei, mas não temi a solidão

nem fui atroz com os meus sentimentos.

Eu nunca fui Raquel, talvez Dionísio,

nunca me vi nos olhos de alguém

nem estive pronto para o amor.



(Álvaro Neto)



PLACEBO



Estive indiferente ao que pudesse filtrar as mágoas

que retalham minha face toda manhã,

estive predisposto a alguma utopia – cinzas da melancolia.

Sou como flores mortas despetalando em vasos,

sou como pétalas ao redor do vaso.



Doses homeopáticas de sarcasmo

(doce beijo seco)

doses de qualquer coisa doce e forte

madrugada, adeus e nada mais,

madrugada e nem sequer adeus.



Lágrimas caem como pétalas secas

são flores que morrem na sala

são perfumes que não deixam meu corpo.



(Álvaro Neto)



REFLEXOS



No escuro o frio me acalanta

anjos pousam na minha varanda

o vento apaga o incenso e o seu cheiro em mim fica.



Asas mortas adornam o meu corpo

o passado tateia o meu rosto

o outono levou minha flor-de-lis pérfida.



No espelho partido não sou dois

no espelho partido sou um ao meio

no espelho partido não sou dois

com você em mim sou quase meio.



Sou um caso perdido, um lapso,

estou no vácuo juntando os pedaços

do que restou de você

no meu mausoléu de papel.



(Álvaro Neto)



CAIXA-POSTAL



O meu amor é uma carta que voltou,

mas o meu ódio tem endereço certo.



(Álvaro Neto)



UM DELÍRIO



Se o amor é o que importa

(e as rosas morrem rápido como um beijo no inverno)

Eu não tenho com o que me importar.



Já pisei nas flores do seu vestido.

- E o amor?

- O amor foi apenas um delírio.



(Álvaro Neto)

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