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Artigos-->Um pedaço de couro inflado com oxigênio -- 01/01/2005 - 23:31 (Athos R. Miralha da Cunha) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos




Um pedaço de couro inflado com oxigênio

Athos Ronaldo Miralha da Cunha



Há uma inversão de valores nesse mundo feito por instantâneos nos fast food. Há um quê de banalização nas honrarias e inconsistência ao reverenciarmos algumas personalidades.



Recentemente, Ronaldinho Gaúcho foi eleito pela Fifa o melhor jogador de futebol do mundo. Foi a senha para ser idolatrado como gênio. Orgulho dos gaúchos. Herdeiro dos ideais farrapos. Um feito! Ainda mais sendo ele de origem humilde.

Para homenageá-lo, o Estado, na pessoa do governador, concedeu ao craque a comenda Negrinho do Pastoreio, a mais alta condecoração do Rio Grande do Sul.

Não querendo desfazer a profissão do ilustre cidadão, mas ele só sabe chutar um “pedaço de couro inflado com oxigênio”. E, por sinal, chuta muito bem.



E é justamente aí que reside essa quantificação de valores indevidos e imperfeitos. Temos uma crise de heróis e faltam ídolos justificáveis com passado e presente. O futebol é supervalorizado. Rege nossas paixões e, por vezes, passamos indeléveis pelo ridículo, filosofando semanas a fio, sobre o impedimento ou cartão vermelho mal-aplicado. Os atletas de futebol são deuses da Era moderna. Nessa constelação de celebridades sobra pouco espaço para outras profissões. O futebol tem o monopólio de nossa idolatria.



Quais seriam nossos verdadeiros ídolos? A quem você pediria um autógrafo? Tudo bem! Pode ser o craque da bola, a bela da passarela, a dupla sertaneja ou o galã da novela. Mas ainda assim temos valores a serem perseguidos e dignificados.

Ou será que os perseverantes anônimos pesquisadores das nossas paupérrimas universidades públicas, também não mereciam honrosas condecorações. Não seria herói um trabalhador que recolhe o lixo na noite de 31 de dezembro. Não seriam heróis os brasileiros que ainda não perderam a esperança.



É possível que esse ceticismo com relação aos ídolos seja traduzido por uma saudade tremenda de minha adolescência, da minha imemorável e adormecida veia anarquista ou da inveja por não ter sido um craque da bola. Confesso, eu também sou um apaixonado por futebol. Tentei ser um craque, ficar famoso, cheio da grana, mas a minha total falta de criatividade e habilidade em chutar um “pedaço de couro inflado com oxigênio” fez com que abandonasse o futebol, precocemente, no auge dos meus 17 anos.



Enfim, também tive ídolos na minha juventude, o último deles chamava-se Valdomiro e jogava na ponta direita do Internacional na década de setenta.







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