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Artigos-->Nós somos iguais? (Uma reflexão sobre a derrota do PT) -- 06/11/2004 - 14:50 (Athos R. Miralha da Cunha) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos






Nós somos iguais?

(Uma reflexão sobre a derrota do PT nas eleições municipais)



Introdução.



O PT e o PSDB emergem das urnas como as duas principais forças políticas no cenário nacional. Os tucanos evoluíram eleitoralmente e colocaram um certo ponto de equilíbrio na disputa presidencial de 2006. São Paulo, como coração financeiro e político do país, será o centro nevrálgico e pautará a próxima eleição. Lula e Geraldo Alckmin despontam como os principais protagonistas desse próximo episódio.



Nesse pleito municipal o PT passou das atuais 187 para 411 prefeituras como cabeça de chapa, e conquistou nove capitais, seis já no primeiro turno. Saliente-se que, apenas, a prefeitura de Belo Horizonte tem importância e significativa representação política na contabilidade de uma grande vitória. Para o PT, as derrotas em São Paulo e Porto Alegre foram fulminantes, inesperadas e profundamente desastrosas. Porto alegre era mais que uma conquista de um modelo administrativo em tempos de globalização, a capital gaúcha era um símbolo do partido. Porto Alegre era um talismã da esquerda mundial. A Meca das esquerdas. E outros adjetivos propalados por efusivos pensadores socialistas. O Brasil tinha o Rio Grande como o Estado vermelho da nação. Lula sempre venceu com os votos dos gaúchos.

Mas, também foi emblemática e catastrófica a conjunção das três derrotas no Rio Grande: Porto Alegre, Caxias e Pelotas. E, paradoxalmente, todas as administrações eram bem avaliadas pela população. O governo de Pepe Vargas em Caxias obteve 90% de aprovação.

Então é chegada a hora de desfiarmos um rosário de explicações em busca das respostas para essa tragédia em dó maior por debaixo dessa pont de emoções. (Com o perdão do trocadilho).



Existe um por quê?

São inúmeros os porquês e as causas desse inconseqüente desastre. Remontam as ações do governo Olívio Dutra no Piratini, compromissos históricos assumidos por Lula e, posteriormente, esquecidos e finalmente, atitudes pessoais e políticas de líderes petistas que não foram assimilados a contento pelo conjunto da sociedade, principalmente a classe média que incorporou o antipetismo e depositou-o na urna. Porto Alegre é um exemplo clássico dessa atitude que se “espraiou” para Caxias e Pelotas.





O governo Olívio.



Quando avaliamos a derrota de Tarso ao governo do Estado colocamos como uma das principais causas a falta de interlocução do governo Olívio com os diversos setores da sociedade. Afirmamos que Olívio fez um governo fechado, estreito e não resolveu conflitos, tanto no campo como na segurança pública. Ainda pesava sobre o governo Olívio a pecha de radical.

Esse reconhecimento foi importante tanto é que o partido escolheu Tarso Genro, em uma prévia disputada com Olívio, para ser candidato ao governo do Estado. O PT entendeu que Tarso faria um governo que transitaria nas várias camadas da sociedade. Talvez tenha sido aí um erro de estratégia e avaliação. A disputa interna com uma prévia poderia ter sido evitada com um consenso aos moldes construído em torno de Raul. Mas não cabe aqui uma maior digressão sobre esse assunto. Mas pode ser uma referência para evitar equívocos futuros. No entanto, se a prévia desgasta e divide, também oxigena o partido em fóruns de discussão que também é fundamental e que, talvez, tenha faltado antes de enfrentarmos essas eleições.





O governo Lula.



Ao assumir o governo federal Lula não comete os mesmos erros de Olívio e, pragmaticamente, escancara seu governo com um abrangente e politicamente perigoso leque de alianças em nome da governabilidade.

Hoje, após o pleito municipal, percebemos que a sociedade não aprovou essas medidas, conservadoras nas relações intrapartidárias e semelhantes a FHC na política econômica. Nesse ponto o partido perdeu a identidade pura da política. Um acúmulo de uma trajetória histórica de vinte anos perdeu-se em contradições e pragmatismo. O PT perdeu a áurea da honra e da seriedade. Quando figuras como Roberto Jéferson, ACM e Sarney transitam com a maior desenvoltura pelas hostes petistas percebemos que o PT mudou e se iguala aos demais. E passamos a ouvir frases em relação ao PT do tipo: Político é tudo igual. Anteriormente retrucávamos com veemência, hoje temos uma certa dificuldade. E o silêncio de alguns petistas é a concordância.



Quando Lula oferece o Banco Central aos social-democratas, começa o governo com o pé esquerdo, ou melhor, com o “pé direito”. E alguns analistas mais atentos percebem resquícios de FHC em Lula.



Posteriormente o episódio Heloisa Helena e demais deputados expulsos sinalizam que o PT encaminha-se em direção ao centro.



Na campanha presidencial Lula, corretamente, acalmou o mercado com a promessa de cumprir os contratos assumidos pelo governo anterior e sem aventuras financeiras ou arrojos políticos. Mas Lula também assumiu sérios compromissos com a sociedade, com as mudanças de base tão sonhadas e melhora na qualidade de vida. Compromissos com os funcionários públicos. Com a transparência. Com a seriedade no trato a coisa pública.

Nesse ínterim como avaliamos o governo Lula?

O governo Lula desapontou uma camada da sociedade que sempre foi sua fiel eleitora. Qual o professor universitário que está satisfeito com o salário e com a reforma na educação? Quanto foi o aumento dos salários dos funcionários do INSS após 90 dias de greve? Quanto foi o aumento salarial dos bancários do Banco do Brasil e da Caixa Federal após 30 dias de greve? As direções do BB e da Caixa sequer tiveram a hombridade de sentar à mesa de negociações. Uma campanha salarial pautada pela arrogância, intransigência e truculência dos representantes dos trabalhadores nessas instituições.

Assim, explicamos porque a classe média, que é formadora de opinião, não votou no PT, mesmo aonde o partido fazia excelentes governos com a aprovação da população como em Caxias, Porto Alegre e Pelotas. Se esses atuais governos são excelentes por que o PT foi derrotado? Onde buscaremos essas respostas? Certamente, o governo de Lula foi julgado pela sociedade quando esta oportuniza derrotas a administrações petistas com razoáveis índices de aprovação, principalmente no Rio Grande do Sul.

Lula, ao assumir a presidência, gerou uma estupenda expectativa na população. Que não foi convertida em satisfação e reconhecimento pelos compromissos assumidos. E esse sentimento de derrota nós sintetizamos nas palavras: desilusão, desencanto, e para muitos, traição. Posso afirmar que os bancários sentem-se traídos por Lula.





Ligações perigosas.



Por fim, é inconcebível que petistas estejam envolvidos em falcatruas ou que não cumpram com a palavra empenhada. Até então a palavra de um petista simbolizava a velha atitude gaúcha do fio-de-bigode.

Quando Tarso renunciou a prefeitura para se candidatar ao governo e antes havia afirmando, peremptoriamente, que cumpriria os quatro anos do mandato de prefeito, o partido cometeu o seu primeiro descaso com os eleitores e desleixo com a política. O PT entra para o rol dos “é tudo igual”.

Claro que essa atitude não está na conta pessoal de Tarso Genro. E sim do PT. Setores majoritários do partido avalizaram essa hipótese e julgou correta. Tarso foi um instrumento, um soldado do PT. Foi uma posição com uma visão conservadora da política e que teve uma parcela no rescaldo das futuras derrotas.

Também devemos salientar o caso Waldomiro Diniz. Temos um escândalo em rede nacional e em horário nobre. Assistimos petistas ilustres tentando que explicar o inexplicável diante das câmaras de televisão. Particularmente, foi difícil explicar aos nossos amigos essas relações perigosas do primeiro escalão da república.

Então temos que engolir que o PT é igual aos demais partidos. Não existe mais virgem na política. Caiu a máscara. Diziam outros. E a gente com parcos argumentos.

Qual a atitude correta e imediata que o PT deveria tomar diante daquelas circunstâncias de denúncia de corrupção e propinas?





Conclusão.



É importante salientar que o PT sai das eleições como um dos maiores partidos do Brasil. E será ator principal nas próximas eleições. Mas a maior lição a ser avaliada é que o PT também sai como o maior derrotado. O PT perde o seu maior símbolo para o Brasil e o mundo: Porto Alegre. A Meca das esquerdas. Cidade berço do Fórum Social Mundial. Cidade da participação popular.

A derrota em São Paulo é significativa e acorda a oposição para o enfrentamento em 2006. Mas Porto Alegre é a perda mais emblemática. Há um sentimento de fim de um sonho. Fim da utopia.



Certamente o PT será outro em 2006, mais maduro e ciente de suas responsabilidades políticas no cenário nacional. Evidentemente, se fizer uma autocrítica e retomar algumas bandeiras históricas e princípios pétreos do partido. E não se deixar envolver pelo pragmatismo eleitoral e fazer alianças a qualquer custo.

A política de alianças será um ponto fundamental nessa discussão. A base militante não deseja ver a fina flor da corrupção nacional lado-a-lado com honrados e históricos petistas, simplesmente porque precisamos vencer uma eleição. Com esse custo eu prefiro perder. A imagem de Maluf junto a Marta Suplicy foi um erro em bronze que jamais será esquecida. Foi surreal. Sobrenatural. Politicamente indecente.



A intenção, evidentemente, que essa reflexão não pretende denegrir a imagem política de quem quer que seja. Pois, todos os citados são valorosos companheiros de luta e ainda tem muito a contribuir com o partido. O PT ainda é o partido que traz no seu bojo a mudança.

Claro que a avaliação é pessoal e não pretendo ser o dono da verdade. Simplesmente, e modestamente, tentar contribuir com esse debate que se prolongará por vários meses, talvez, anos.



Saudações petistas



Athos Ronaldo Miralha da Cunha









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