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Artigos-->Politicamente corretíssimo -- 06/08/2004 - 16:04 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Politicamente corretíssimo



J.O. de Meira Penna (*)



Ipojuca Pontes é um ensaísta de talento multifacetado. Jornalista, escritor, cineasta, teatrólogo, crítico literário e, ocasionalmente, burocrata, foi igualmente secretário de Cultura, cargo em que encontrou um vasto campo para aproveitar-se em benefício público do vasto leque de interesses que o estimulam. Mas o próprio título de sua coletânea Politicamente Corretíssimos (Editora Topbooks) demonstra que não está disposto a ceder às modas do dia.

Não se importa de permanecer com uma opinião minoritária, desafiando a ideologia que se quer majoritária. Isto em termos: os "bolchevistas" de 1917 se diziam os "majoritários" (do russo bolshe, os maiores), embora houvessem sido derrotados nas únicas eleições do partido marxista conduzidas democraticamente. A ironia transparece pois no título da obra. E, de fato, Ipojuca Pontes adicionou à sua coletânea sueltos em que não hesita em criticar, com estocadas certeiras, os portadores da moléstia ideológica que contamina a grande parte da "intelectuária" tupiniquim.



Neste sentido, o primeiro capítulo da coletânea dedica-se em revelar, "sobre a moralidade de Marx", os verdadeiros sentimentos de um profeta cujos seguidores atuais, ignorantes ou cínicos conforme os casos, desconhecem quão "politicamente incorretíssimo" seria, se fosse hoje publicado. De fato, num artigo na Nova Gazeta Renana, de 1849, o autor do Manifesto Comunista coloca-se francamente do lado dos americanos em relação à guerra recente que havia permitido aos EUA apossar-se das áreas contestadas do Texas, Califórnia e Arizona.



Babando-se de admiração pelos "enérgicos yankees", Marx não se preocupa de sujar suas barbas de guru igualitário utópico, atirando sobre os mexicanos, derrotados e humilhados, o qualificativo de "preguiçosos". O argumento é inflexível de Realpolitik. Não será a primeira vez que o judeu-alemão convertido defenderá posturas hoje julgadas profundamente escandalosas, senão de cunho fascista. Assim, durante a Guerra da Criméia, Marx também se manifestará fortemente a favor dos impérios britânico e francês em sua luta contra os russos.

É com esse desafio ao romantismo nefelibático dos esquerdistas, invocando o próprio Marx, que Ipojuca Pontes enche sua coletânea com algumas jóias de crítica satírica. O livro de quem se define como "anarquista conservador".



Mas, publicados em O Estado de S. Paulo e no "Caderno de Sábado" do Jornal da Tarde, os artigos não se limitam de modo algum a percorrer certos temas de política nacional ou internacional. O cinema e a literatura estão muito extensamente tratados na maior parte dos textos coligidos - e dirigidos a "bêbados, casos, canções, prisioneiros, loucos, andar a pé, falar mal e bem, manhas, mestres, mitos", além de outros, bons e maus.



Outro paralelo, porém, é a postura "liberal" que se manifesta com lógica e consistência objetiva, na escolha dos temas. Acentuo esse aspecto porque dele mereço várias referências nesse precioso livrinho. Certo está que nos movemos em linhas paralelas. O autor se manifesta indignado ao constatar o peso inacreditável que o Leviatã estatal exerce sobre a produção nacional, exercendo-se através do chamado "custo Brasil" com uma ação de freio deletério sobre nosso desenvolvimento. Ele chama a atenção, por exemplo, para o fato que o Banco do Brasil, o número de cujos funcionários é quase o dobro dos que trabalham para o Citicorp, o maior banco do mundo, tem uma folha de pagamento

multimilionária. Na verdade, o Previ, o Fundo de Pensão desse nosso banco estatal, possui um patrimônio calculado em US$ 15 bilhões, o que o torna a maior "empresa" ou corporação brasileira, em termos financeiros. Isso, sem mencionar o fenômeno paralelo da Caixa Econômica, cujas proporções escandalosas são do mesmo tipo. O que não impede que excedam em retórica contra o capitalismo, denúncias aos banqueiros e sua invocação da "justiça social". Eu diria que a Justiça deve começar em casa.



Finalmente, como outro paralelo, não posso deixar de mencionar o cinema.



Forma suprema da arte moderna, o cinema é a grande participação do século 20 na história das artes a que o autor se juntou como crítico e como verdadeiro cineasta. Simpatizo com o arrazoado de seu livro sobre o "Cinema Cativo" quando descubro como esse maravilhoso meio de expressão, ao mesmo tempo imensamente popular e capaz de produzir, para as elites, obras já clássicas na história do espírito humano, poderia receber uma contribuição mais valiosa de nosso gênio criativo, se fosse libertado de qualquer entrave político/financeiro ou ideológico.



Valho-me assim da oportunidade prazerosa de felicitar Ipojuca Pontes, esse paraibano de imenso e variado interesse no campo da cultura, por mais uma valiosa contribuição literária em que concentra a essência de seu pensamento.



(*) José Osvaldo de Meira Penna é embaixador, escritor, presidente do Instituto Liberal de Brasília e membro da Sociedade do Mont Pèlerin.

e-mail: meirapen@zaz.com.br

site: www.meirapenna.org



Obs.: PONTES, Ipojuca. Politicamente Corretíssimos. Topbooks, Rio de Janeiro, 2003.









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