Usina de Letras
Usina de Letras
17 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 62153 )

Cartas ( 21334)

Contos (13260)

Cordel (10448)

Cronicas (22529)

Discursos (3238)

Ensaios - (10339)

Erótico (13567)

Frases (50555)

Humor (20023)

Infantil (5418)

Infanto Juvenil (4750)

Letras de Música (5465)

Peça de Teatro (1376)

Poesias (140788)

Redação (3301)

Roteiro de Filme ou Novela (1062)

Teses / Monologos (2435)

Textos Jurídicos (1958)

Textos Religiosos/Sermões (6177)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Infantil-->A Cortina -- 30/09/2001 - 00:34 (Alzira Chagas Carpigiani) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A menina que vivia atrás da cortina não tinha pressa pra nada. Ela vivia no mundo do "é tudo sempre igual."
Sabor de sorvete? Sempre igual - gelo, açúcar e falta de contentamento.
Brincadeira de rua? Pra quê? - A menina puxava bem a cortina e para garantir que não haveria risco de querer sair dali, fechava bem os olhos.
E as cores desse mundo da menina chamada Carolina? Cores nada. Só uma cor, cinza desbotado. Já viu que mundo mais sem graça esse?

Se estourasse um rojão na Rua do Sabão, Carolina não estava nem aí. Queria só curtir o silêncio, as sombras e os medos daquele mundinho fechado atrás da cortina.

Um dia, Carolina falou para a mãe:

- Mãe, eu quero um vestido.

Carolina querendo alguma coisa? Que fantástico! E a mãe - que era uma boa mãe diga-se de passagem - quis logo atender o desejo da filha.

- Claro, filha. E como você quer que eu faça o seu vestido?

- De cimento. Bem cinza.

- Que estranho! Tem certeza, Carol? Cimento é o tipo de coisa que pesa muito, minha filha.

- Não faz mal. Eu não me importo.

E poucos dias depois, Carol apareceu na sala de sua casa, arrastando um pesado vestido de cimento, exatamente do jeito que ela tinha pedido. E toda vez que ela tentava dar um passo, o que todo mundo ouvia era:

- Ai, ai, ai ... - quase que o tempo todo.

O vento achou que aquela nova ocupação da Carol ia lhe dar chance de fazer umas travessuras e fez. Ventou com gosto e levantou a cortina da menina bem alto.

O sol achou que aquela nova ocupação da Carol ia lhe dar chance de fazer umas travessuras e fez. Brilhou raios dourados nos olhos verdes da menina.

- Minha cortina... minha cortina ... - Reclamou Carol, mas aquele vestido pesava tanto que ela acabou deixando a cortina pra lá.

As crianças da vizinhança acharam que aquela nova ocupação da Carol ia lhes dar chance de fazer umas travessuras e fizeram. Prenderam a cortina da Carolina com uma tiara de flores, amarraram miosótis, margaridinhas, rosas e cravos pela cabeleira dela.

As crianças cantavam:

- Carolina não tem mais cortina, Carolina tem cabeleira, Carolina tem uma cachoeira de flores na cabeça!

Carolina se acostumou com o vento, se acostumou com os raios do sol, se acostumou com a beleza das flores e com a risada das crianças também.

O dia que ela pediu pra tirar o vestido de cimento não chegou a ser surpresa para ninguém. Surpresas, todas as pessoas só ficaram quando ouviram a voz fina e ardida da Carolina cantar bem alto, cheia de alegria:

- Carolina não tem mais cortina, Carolina tem cabeleira, Carolina tem uma cachoeira de flores na cabeça!

Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui