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Artigos-->Homenagens póstumas -- 26/06/2004 - 19:02 (Athos R. Miralha da Cunha) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos




Homenagens póstumas

Athos Ronaldo Miralha da Cunha



Ao assistirmos alguns instantes dos funerais de Ronald Reagan, nós percebemos porque é forte o sentimento pátrio do povo americano.



As homenagens tinham um forte conteúdo emocional. O cerimonial suntuoso. E, convenhamos, o homenageado merecia, afinal, era a despedida de um ex-presidente.

O ritual para colocar a bandeira americana sobre o caixão era solene, quase monótono.

Os militares mantiveram ações lentas respeitosas e dedicadas diante do féretro. Os soldados, em trajes de gala, levaram lentamente a bandeira estendida sobre o caixão, após em conjunto cobriram-no. Os passos dos soldados eram entremeados por uma pausa.

Quando o esquife de Ronald Reagan foi levado, os cadetes mantiveram os mesmos gestos pausados e sincronizados com deferência e devoção. Uma marcha lenta, ritmada cadenciada e constante.

Assim, percebemos o porquê de os americanos externarem o seu patriotismo em qualquer ocasião. Há um respeito patriótico pelos seus símbolos, principalmente a bandeira.



Fiquei imaginando quando tivemos no Brasil uma solenidade semelhante. Os funerais de Tancredo Neves e Airton Sena foram de comoção nacional, mas a lembrança se restringe aos desfiles em carros de bombeiros e multidões chorosas. O cerimonial pomposo, solene, evocativo e meditativo é modesto diante da grandiosidade dos entes queridos. Embora a forte emoção proporcionada pela solidariedade das pessoas simples na multidão, que também nos emociona e nos enternece.



No entanto, as homenagens a Leonel Brizola os brasileiros resgataram o mais profundo sentimento pátrio e reconhecimento e apreço ao adeus a um cidadão.

A mídia nos mostrou nos mais variados detalhes as despedidas no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em São Borja. E foram emocionantes e, fundamentalmente, merecidas.

Os brasileiros, em especial os gaúchos, protagonizaram uma das mais belas homenagens a um brasileiro que era amado pelo povo. E tinha, em seu passado, atitudes heróicas. Talvez, Brizola tenha sido o nosso último herói.



A chegada do féretro ao Palácio Piratini ao som da canção “Querência amada” de Teixeirinha emocionou a todos. Foi impossível conter a lágrima. Os gestos simples dos populares também nos comovem; um lenço branco na janela, o aceno trêmulo de uma anciã, uma tarja preta na lapela ou o beijo sincero na bandeira.



Porto Alegre parou para dar adeus ao velho trabalhista. O hino rio-grandense demonstrou que nós temos o coração do tamanho do Rio Grande. O hino a Legalidade mostrou que nós reverenciamos nossa história. Nesse sentido devemos salientar que as bandeiras estiveram sempre presentes, a do Brasil, a do Rio Grande do Sul e ao do PDT. E foi de suma importante.



Entretanto, entre todas as homenagens a que mais me emocionou, foi protagonizada pelos cadetes da Polícia Militar, que tiveram a incumbência de levar o esquife de Brizola.

O andar lento e compassado com o caixão sobre os ombros sob o toque da marcha fúnebre, foi uma das mais belas atitudes já vistas. Diante do silêncio ou do aplauso, reverência e consideração ao comando da voz. A cena encerra um forte conteúdo emocional e de despedida. Nesse momento o céu de Porto Alegre também chorou.



Merece um destaque especial e cumprimentos aos cadetes da policia militar pela performance respeitosa, responsável e patriota diante do compromisso com os sentimentos de uma despedida. Um memorável adeus.

Talvez seja essa a última ação de Leonel Brizola. Na sua despedida, despertar o mais profundo e ardoroso sentimento pátrio nos brasileiros. A brasilidade a flor da pele e envolta emocionalmente em lágrimas.





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