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Discursos-->URNAS VAZIAS (7º CAPÍTULO) O PREÇO -- 17/07/2006 - 05:52 (GERALDO EUSTÁQUIO RIBEIRO) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
0 PREÇO
Eu queria uma eleição de urnas vazias.
Eu queria uma eleição de urnas zeradas.
Eu queria que os pobres não votassem.
Que não ouvissem o falatório dos pastores.
Que não ouvissem a voz dos políticos.
Que não ouvissem a voz dos rabinos.
Que não ouvissem a voz dos pais-de-santo.
Que não ouvissem a voz dos padres.
Principalmente daqueles que defendem as elites.
Que escutassem apenas a voz do coração e os gritos de fome e de dor e de desencantos e de tristezas dos seus filhos e dos filhos dos vizinhos que votaram para ter cidadania e não tem direito sequer ao básico para viver..
Eu queria que cada um olhasse no rosto de seus filhos, e de sua mulher ou de seu marido, que dessem uma olhada ao redor e vissem também no rosto do vizinho a desesperança e a tristeza de quem confiou e foi traído, tem certeza que isto irá se repetir a cada eleição.
Que escutassem o lamento dos que morrem na fila dos que esperam meses por uma operação nos hospitais públicos, dos ficam horas no posto de saúde do seu bairro esperando uma consulta que na maioria das vezes não dura mais que um minuto.
Dos que dormem nas calçadas, jogados fora como lixo debaixo de uma marquise qualquer.
Que escutassem os clamores dos que sofrem com a violência no campo e nas cidades onde as chacinas acontecem todos os dias.
Parece que nada vai mudar!
Eu queria que todos os eleitores escutassem a voz das plantas, das matas e dos animais que estão sendo extintos pela violência e falta de compromisso dos órgãos do governo responsáveis pela natureza, que estão morrendo por culpa da corrupção de funcionários públicos que se vendem e fazem vista grossa aos desmatamentos deixando nossa madeira ser levada para fora do país por empresas fantasmas e amparadas por notas fiscais frias e guias de transporte falsificadas.
Eu queria que todos os eleitores escutassem o lamento das águas dos que ainda insistem em correr, do sol cada vez mais forte por causa do raio ultravioleta que ultrapassa camada de ozônio destruída pela poluição que o progresso de olhos voltados apenas para o lucro não consegue enxergar.
Que escutassem o grito de todos os desesperados que clamam por justiça para uma platéia de surdos, cuja surdez é uma doença provocada por mandato eletivo e coletivo para uns poucos privilegiados.
É fácil perceber.
Observe o comportamento dos políticos da sua cidade.
Eu queria que o voto não tivesse o preço de uma telha de amianto, de um pouco de tijolo, de um padrão de luz ou de água, de uma cesta básica feita com os piores produtos das prateleiras dos supermercados, de uma camisa de malha vagabunda com um nome ou retrato que só aparece no barraco de quatro em quatro anos.
Eu queria que o voto não tivesse o preço de uma bola de futebol ou de um jogo de camisas, de uma pinga ou cerveja que se bebem abraçados e depois vão se lavar para não pegar doença de pobre.
Eu queria que o chute inicial fosse dado pelo povo na bunda dos políticos corruptos que ao entrarem em campo dizem apoiar o esporte pensando apenas no retorno financeiro.
Eu queria que o voto não tivesse o preço de uma festa de quinze anos custeada com o dinheiro roubado do povo para eleger uma sacana que vai viver em festa o resto de sua vida.
Eu queria que o voto não tivesse o preço do empréstimo de um galpão que é construído com o dinheiro do povo para ser usado “para o bem da comunidade”.
Eu queria que o voto não custasse o preço de uma consciência.
Casa, água, luz, esgoto, asfalto, escola, hospital e tanta coisa prometido em cima dos palanques, passadas tantas eleições, se estas promessas fossem cumprias já deveríamos estar morando no paraíso.
Eles estão.
Não andam espremidos em metrôs e ônibus, o banheiro de suas casas é maior que muitos barracos onde eles vão comprar o voto de famílias inteiras.
Nenhum deles mora em rua sem asfalto e duvido que sequer esta rua tenha um buraco.
Nenhuma escola nega vaga para seus filhos, mesmo porque, a maioria estuda em escolas particulares e nos vestibulares das universidades publicas mais uma vez deixam os pobres para trás, ocupando a maioria das vagas nas salas de aulas e nos estacionamentos com seus carrões que afrontam a dignidade da maioria das pessoas que um dia sonharam pisar dentro destas instituições.
Eu queria que o voto não tivesse o preço de uma vida perdida em um hospital por falta de remédio ou de outro material que quase sempre está faltando nos depósitos.
Logo depois da última eleição que participei, visitando uma família carente, eles me disseram que votaram em um determinado candidato a vereador, porque faltando três dias para a eleição ele visitou o barraco e fez a clássica pergunte de quem realmente se preocupa com o pobre: O que vocês estão precisando?
A mulher disse que precisava de um botijão de gás e uma cesta básica, que foi providenciado na mesma hora
Esta era e foi a única vez que este cidadão entrou dentro deste barraco.
Mais uma vez eu pergunto: Para que votar em um sacana como este?
Como se eleger sem dinheiro?
Como se eleger honestamente?
Quem estava errado?
Quem pediu?
Ou quem deu?
Quem pediu deveria realmente estar passando por necessidade, mas não precisava votar naquele que comprou o seu voto com quase nada.
Que comprou a sua consciência e sua falta de compromisso com a comunidade com muito pouco.
“Vai chegar o dia em que o homem terá vergonha de ser honesto”.
Isto foi dito um dia e hoje se tornou realidade, no nosso país honestidade é sinal de basbaquice, a lei de Gerson para ganhar um dinheirinho fazendo propaganda de cigarro se sobrepôs à todas as outras: “é preciso levar vantagem”.
Quem não leva vantagem é bobo.
O povo é bobo.
Nunca leva vantagem.
Não sabe a força que tem.
O dia que souber...

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