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Artigos-->É, realmente! Com certeza! -- 29/05/2004 - 20:37 (Athos R. Miralha da Cunha) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos




É, realmente! Com certeza!

Athos Ronaldo Miralha da Cunha



Quando o Brasil sagrou-se tricampeão na Copa do Mundo de 1970, no México, definitivamente, começou a ser conhecido como o país do futebol.



E foi a primeira Copa transmitida ao vivo pela incipiente televisão brasileira. Éramos noventa milhões em ação... e gritávamos alegremente pelas ruas das nossas cidades a taça do mundo é nossa...

A partir de então, todo garoto acalentou um sonho: ser jogador de futebol.

Eu também desejei ser um craque da área. O patrão da zaga colorada. Não admitia jogar em outro time que não fosse o Internacional de Porto Alegre. Eu jogava de quarto-zagueiro e era fã do Bibiano Pontes. Como não cresci o suficiente para tornar-me uma muralha defensiva, passei a jogar de lateral-direito. Como não jogava o suficiente passei para fora das quatro linhas e amargurei um banco. Não fiquei satisfeito com aquela situação e, precocemente, aos 16 anos, abandonei o futebol.



Naquele time escolar em que joguei, o meu parceiro de zaga tinha uma grande preocupação. A entrevista. Certamente, em nossa carreira futebolística teríamos que enfrentar os ágeis e perspicazes repórteres nos finais dos jogos.

Se hoje o “com certeza” predomina nas entrevistas de jogadores, modelos e entrevistados em geral, naquele tempo era o “é, realmente...” que iniciava a conversa com a imprensa.

O beque, Paulo Marciano, tinha esse nome porque jogava um futebol de outro mundo, tremia só em pensar que em algum momento alguém viria entrevistá-lo. E reafirmava, repetidamente, desde aqueles anos juvenis que jamais iria dizer o é, realmente.



Ao término do seu primeiro jogo como titular da equipe profissional da cidade, dois ou três anos após termos jogados juntos, um repórter vai ao seu encontro.

- E aí, Paulo Marciano, o jogo foi difícil?

Ouvi pelo rádio o ex-companheiro de zaga dizer.

- É, realmente...

Nunca esqueci esse “lance” do Marciano e também nunca o vi jogando em um grande time.



Recentemente em uma entrevista na rádio local uma jovem senhora, Assistente Social de uma entidade beneficente, citou em cinco minutos de conversa, dez vezes, o maldito com certeza. Muita certeza e pouco conteúdo.

Outro dia estava no centro da cidade jogando conversando fora com uma amiga. Centenas de pessoas no calçadão. Um vaivém frenético de final de tarde. Pois, um repórter veio direto a nós com sua arma em punho. E, eu fui o escolhido.

- O senhor poderia conceder-me uma entrevista?

O que respondo?

- Com certeza!





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