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Teses_Monologos-->Apologia ao Silêncio? -- 23/03/2006 - 17:51 (Domingos Oliveira Medeiros) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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APOLOGIA AO SILÊNCIO
(Por Domingos Oliveira Medeiros)

Pensando bem, a Justiça, antes cega, agora, aliou-se aos surdos e mudos. E lenta, para certos assuntos, como a questão da obrigatoriedade dos bancos em alinhar-se às regras do Código de Defesa do Consumidor. Todavia, ágil, para expedir o silêncio de supostos infratores, causadores de enormes prejuízos ao Brasil e aos brasileiros.

Depois do tornado, a calmaria. A pizzaria. Não houve nada. Tudo perseguição política. Caixinha Dois passou a ser coisa de criança. Brincadeirinha. Ilegalidade pequenina. Igual ao tamanho da propina. Se até vinte mil, é coisa amena. Se mais de vinte mil, ninguém comprova. Ninguém sabe e ninguém viu. Se a coisa aperta, o argumento é vil. Quando não se apela para o silêncio ajuizado. Ou, então, renunciar ao mandato. E aguardar os fatos. Manter seus direitos preservados. Sua aposentadoria. O direito da presunção da inocência. Apesar de a culpa beirar a evidência. Ou a quase indecência. Sonho e fantasia. O sossego e a paz de quem acredita que o bom filho a casa torna, um dia. Até lá, quem se lembrará de tamanha covardia?

Mudam-se crenças e valores como se trocam de cuecas. Ou de malas voadoras. Outros, agora, são os roteiros de filmes consagrados. Um dia de cão não é mais um dia da caça e nem do caçador. O silêncio não é mais dos inocentes. É de quem mente. E quem se cala, agora, não mais consente. Tudo em nome da democracia, cada vez mais ausente. Tenra e impotente.

Quebram-se regras e princípios consagrados. Sob argumentos os mais variados. Aprovação de questões na sua totalidade; ou parcialmente, por integrantes do colegiado. Aprovação total, quando o assunto é isolado. Palavra de um membro, apenas. E está livre o indiciado. Livre para não falar o que quiser. Sem prejuízo de sua liberdade de ir e vir. E de fazer o que bem quiser.

Não me parece adequado. Ao meu ver, tudo deveria ser objeto de apreciação coletiva. O SIM e o NÃO proferidos pela maioria absoluta dos votos dos membros de mais altas cortes de justiça, indicados pelo nosso maior mandatário. Membros do Poder Judiciário.

De quem julga, em última instância, com direito ao voto em separado. Isolado. Ou para efeito de desempate. Ainda que por diferença pequena. Sentenças que o poder apequena. Quem estaria certo? Os que dizem SIM, ao contrário, presume-se, da maioria da população, que insiste em dizer NÃO ao furto explícito do erário? Ou os membros, também de notório saber, seus pares,.de ilibada conduta, que votaram NÃO, ao lado da opinião pública?

Não ao fim de cláusulas pétreas. Do direito líquido e certo. Que tudo torna incerto. Não à quebra de contratos. Cobranças indevidas. Para o pagamento de dívidas não contraídas. Como no caso do aposentado. Que teve o desconto dobrado. A promoção ao inverso. Pague duas aposentadorias e leve uma.

Não. Não à overdose de mentiras. Garantir o direito de não prejudicar-se com suas palavras, não deveria sobrepor-se ao direito de investigar quem se supõe lesar a pátria inteira. Mas, vá lá que seja. No entanto, permitir o silêncio total, a ironia, e o desgaste de quem procura saber dos culpados. De quem roubou escancaradamente, e praticou o ilícito amplamente denunciado. E por vezes em público confessado com o teatro de lágrimas de crocodilo, sorridente, zombando do povo brasileiro, esbanjando a certeza da impunidade. Verdadeiro absurdo incontestável.

Para onde caminhamos? Os eleitores não são mais do que peças de um jogo de cartas marcadas que só servem para dar legitimidade ao pleito. No final, elegem verdadeiros adversários, como se fossem seus legítimos representantes. Para onde estamos caminhando, se não se respeitam mais as ideologias, os ideais dos partidos? Sem rostos, inexpressivos, ainda com marcas das rugas por tantas lutas do passado de glórias. De coerência e honestidade de propósitos. De sintonia com o pensamento dos seus militantes e admiradores. E que, justamente por isso, agregam valores a sua história e garantem a eleição dos candidatos?

Tudo isso para quê? Para no final assistirmos ao circo dos horrores das coligações incoerentes. Extravagantes. Do vale-tudo em nome da perpetuação do poder. De interesses escusos. Da luta por ministérios. Cargos e favores. Os meios justificando os fins. Ainda que, pra isso, mudemos a Constituição. Adaptando-a aos interesses de última hora. Contra ou a favor, da verticalização. Mesmo para essa eleição em curso. Esse é o discurso. Que conta na conta das votações secretas, em plenário. Condenações e Absolvições sob suspeita, posto que acobertadas pelo manto do secreto, do escondido travestido de discreto. Este é o dado concreto.

Quem poderá garantir que não houve acordos? Quem votou em quem? Ou contra quem? Ou a favor de quê? E com que argumentos? Como o eleitor poderá aferir o comportamento e atitude de seu eleito? Será que ele votou direito? Votou esquerdo? Votou com medo? Ou fruto de pequeno arremedo?

Mas ainda temos um restinho de democracia no fundo da panela vazia. A fome zero da política interesseira está por um fio. Em forma de voto. A bem da verdade, a última instância deste processo defeituoso poderá ser revisto. Pela mais alta corte de poder e de justiça deste país: o poder que emana do povo e que em seu nome deve ser exercido. Nosso voto, apesar de secreto, é franco e deve ser aberto. Em forma de pressão ou de protesto.

Não vamos reeleger nenhum parlamentar que, direta ou indiretamente, teve seu nome citado em escândalos e falcatruas. Ainda que prejudiquemos alguns inocentes, esta será a regra geral: pagarão os justos pelos pecadores. Mas o sacrifício valerá à pena.

Não votaremos em governante, atual ou mesmo de antes, para que tudo fique, ao final, como dantes, no quartel de Abrantes. Votemos pela rotatividade do poder. É mais sadio e mais prudente. Mais democrático e transparente. Vamos apostar no novo. Gente diferente. Para prefeito, governador e presidente. Para deputado, senador e vereador.

Vamos votar em quem por nós trabalhou. A favor das investigações nas Comissões do Congresso Nacional. E não em quem o tempo todo passou, a defender seus amigos e aliados, antes mesmos de serem investigados, muito antes de saber dos resultados.

E se, por fim, não tivermos em quem votar, faça como eles também fizeram: lavemos as mãos em votos anulados. Sejam brancos ou riscados. Tanto faz. A rigor, não há mais garantia de lados. Certeza, apenas de que, em assim votando, não serão piores os resultados.







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