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Teses_Monologos-->ETERNO VESTIBULANDO -- 09/02/2006 - 20:32 (Domingos Oliveira Medeiros) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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LULA, O ETERNO VESTIBULANDO
(Por Domingos Oliveira Medeiros)

Inegavelmente, ele é, antes de tudo, um forte. Aliás, como todo nordestino. Não entregou os pontos. De sacola nas costas, na carroceria do caminhão, comendo a poeira que o diabo soprou, rumou para o “sul maravilha” em busca de melhores condições de sobrevivência. Pisou no chão das fábricas da grande metrópole. Fez curso no SENAI e arrumou emprego de torneiro mecânico. Bom contador de histórias, e hábil no processo de negociação, logo se tornou líder sindical.
Deixou a barba crescer. Pegou gosto pelo discurso de improviso. De cima de nova carroceria e de novos objetivos, passou a atirar pedras, cobras e lagartos nas vidraças alheias. Tudo ia dando certo, até que o passarinho azul mordeu-lhe o ego, despertando sua atenção para voar mais alto. Fundou um partido político, e fez sua inscrição para o vestibular mais concorrido: o da Presidência da República. Perdeu
muitas eleições e resolveu, mais de duas décadas depois, mudar de estratégia para
alcançar seus objetivos.

Assim, recomeçou a luta pelo poder. Conheceu a poderosa ferramenta do marketing. Apaixonou-se pelas técnicas de vendas. Publicidade e propaganda. Pesquisas de mercado. Produtos, preços, embalagens... Apelou para a mudança de imagem. Trocou o macacão pelo terno. Passou a usar gravatas de seda e sapatos de “marca”. Adotou um sorriso largo e confiante. Baixou o tom de voz. Mudou o discurso: de amargo e pessimista para o doce e otimista. Fez muitas promessas. Aprendeu a dizer o que o povo gostaria de ouvir. Agradou a todos. E, finalmente, Lula chegou lá. Sem medo de ser feliz. Eleito presidente, com a faca e o queijo na mão para realizar tudo que pregara durante vinte e cinco anos de lutas sindicais.

Mas, tão logo assumiu o poder, a primeira surpresa: governar um país como o Brasil, apenas com promessas e discursos, não era tarefa das mais fáceis. Sentiu que precisava continuar seus estudos. Só a propaganda não resolveria. E voltou-se, num primeiro momento, para a linguagem e a literatura. Usou e abusou de metáforas e aforismos. Fez da narrativa o seu estilo preferido. Contou histórias. Esbanjou otimismo. Minimizou desacertos e insucessos de alguns Programas, como o Fome-Zero, seu cavalo de batalha. A menina de seus olhos. Não deu certo.

Mesmo assim, insistiu no marketing. Lançou outros programas assistencialistas e de impacto, como o “Bolsa Família”, o “Primeiro Emprego”, tudo temperado com a promessa de gerar 10 milhões de novos postos de trabalho. Prometeu realizar todas as reformas iniciadas no governo de FHC. Da Administrativa à Política, passando pela Fiscal e Tributária, Agrária, até a polêmica Previdenciária. Garantiu três refeições diárias para todos os brasileiros. Nada dava certo.

Foi então que optou pelo curso de Psicologia. Precisava oferecer soluções para os eleitores que se mostravam impacientes e arrependidos com a eleição do governante. Tentou afastar o fantasma do medo, que já assombrava crianças, jovens e adultos, renovando as esperanças da população, com mais promessas e mais discursos. Mas, ficou claro, apesar de sua boa vontade, de seu bom humor e de inegável carisma, a Psicologia não era sua melhor aptidão. Desistiu da idéia e partiu para a área da música. Tocou de tudo: tambor, violino, piano...Queria tornar-se maestro. Entretanto, sem compreensão das pautas musicais, era praticamente impossível realizar mais este sonho. Ademais, mostrou-se desafinado frente à sua enorme orquestra: trinta e cinco músicos desarticulados, desarmônicos e tocando de “ouvido”. Verdadeiros analfabetos das setes notas, vale dizer, nenhum deles, tal como o presidente, sabia ler as pautas e traduzir as claves de sol e de fá, para início de conversa.

Lula, mesmo assim, chegou a fazer dupla com a prefeita de São Paulo, improvisando um concerto, - até hoje, sem conserto -, de arranjos políticos para reeleição de Marta Suplicy. Em vão. A prefeita acabou levando um sonoro gongo do eleitorado e perdeu a eleição em São Paulo. Pensou em abraçar a carreira de piloto. Chegou a comprar um luxuoso avião. Nele, deu a volta ao mundo e encantou-se com as sutilezas e benesses da diplomacia. Mudou de opinião. Pensou em ingressar no Instituto Rio Branco. Imaginava-se diplomata nato. Um estadista e perfeito líder mundial. Com direito a sentar-se ao lado dos conselheiros da ONU. Não demorou para desistir do sonho. Sem dominar, pelo menos, duas ou três línguas estrangeiras, incluindo o idioma pátrio, não teria a menor chance. E nosso presidente, mais uma vez, desistiu. Voltou para o Brasil. Quem sabe a faculdade de educação física ? Passou a correr com as reformas. A tributária e a da Previdência chegaram rapidamente ao Congresso Nacional. Porém, ali estagnaram. Não receberam boa acolhida. Os projetos eram parciais e prolixos. Mais tempero do que comida. Ainda não era essa a sua melhor aptidão.

Resolveu tentar a carreira de economista. O tiro saiu, novamente, pela culatra. Economia e Educação Física , definitivamente, não combinavam com o seu perfil. O gosto pelos prazeres da mesa, agora mais fartos, fez crescer a barriga do presidente, não lhe sobrando forças para a prática do salto em altura. A decepção foi total. Os juros e o endividamento externo foram seus principais concorrentes. Subiram no pódio da economia mal construída e mal conduzida. Dissociada dos interesses da população. E nosso presidente jogou a toalha para o ministro da Fazenda e para o presidente do Banco Central.

Passou um tempo calado. Praticando meditação oriental. Principalmente, depois que os escândalos dos jogos do bingo e tantos outros vieram à tona. Lembrou-se de algumas palestras sobre ética e moral. Ainda assim, fez de tudo para impedir a instalação da CPI do Bingo. E tem atrapalhado, de certa forma, via aliados, as investigações das Comissões. Parece que o mundo das leis e das normas não fazem a sua cabeça. Apenas as decisões que lhe são favoráveis, e o abuso da edição de medidas provisórias , guardam sintonia jurídica com os seus interesses. Bacharel em Ciências Jurídicas, nem pensar! Talvez, quem sabe, acabe cursando engenharia no IME – Instituto Militar de Engenharia. Desse modo, poderia colaborar com os trabalhos da operação tapa-buracos, pavimentando as rodovias que estão em petição de miséria. Desde o governo passado, é bom que se diga, mas que o atual presidente, somente agora, depois de três anos de governo, em plena campanha para a reeleição, resolveu tomar para si tal responsabilidade. Na verdade, embora o presidente negue, só falta, agora, Sua /excelência inaugurar cada buraco tapado, no vale-tudo em que se transformou a corrida pela reeleição. O ministro Jobim que o diga.

Por fim, parece que o nosso presidente ainda pensa em algo ligado à carreira esportiva. Vive praticando boxe; dando socos em todos que se colocam contra as suas idéias. Defendendo, com unhas e dentes, os amigos do pleito e do peito. E já manifestou, várias vezes, seu interesse pela religião. Admitiu sua vocação para padre. Provavelmente, para ver se consegue, dessa maneira, desencalhar o milagre do crescimento. Muito embora, mais recentemente, tenha manifestado interesse pelo circo. Chegou a sugerir que poderia inovar como ajudante do atirador de facas, quando declarou a experiência pessoal de ter sido apunhalado pelas costas. Coisa que nenhum dono de circo acreditou.

O presidente precisa, urgentemente, retirar os óculos cor de rosa e trancar a matrícula do único vestibular em que foi aprovado. Enquanto é tempo. Até descobrir que o problema não é de vocação profissional e nem guarda relação com o tamanho do mandato. O problema é que não existe programa. E sem programa não há rumos. Agravado pela incapacidade gerencial que tem caracterizado todas as ações do governo. É preciso estabelecer ações capazes de promover as mudanças mais urgentes, apontando, com clareza, aonde o presidente pretende chegar. A começar pela política econômica, passando pela apresentação de alternativas de solução ante o enorme passivo social de que se recente nossa sofrida população.

Até quando o povo terá que conviver com desculpas desencontradas, discursos vazios, escândalos crescentes, blefes, mentiras, engodos, mesmices, conchavos, obviedades, casuísmos, cinismos, vaidades, teimosias, arrogâncias, destemperos e por aí afora? Uma resposta poderia ser: até o dia em que o povo entender que, de fato, não existe milagre. Que o único milagre passível de agregar desenvolvimento crescente e sustentável, começa, necessariamente, pelos trilhos da educação, passando pelas estações do bom-senso e da responsabilidade; duas paradas nas quais poderemos refletir acerca do processo de escolha de novos e bem preparados maquinistas, capazes de conduzir, com competência e honestidade de propósitos, os destinos desta grande Nação.







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