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Artigos-->A favela de segurança máxima -- 13/04/2004 - 21:49 (Athos R. Miralha da Cunha) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos




A favela de segurança máxima

Athos Ronaldo Miralha da Cunha



Para que servem os muros? Senão para separar, ocultar e proteger.

Salvo os aramados e muretas que delimitam o lote do nosso terreno com o do vizinho. Os demais muros são, por vezes, ridículos e impostos.



O mais escandaloso muro construído pelo homem foi o muro de Berlim, dividiu uma cidade porque tinha que separar ideologias e pensamentos. Os capitalistas de um lado e os comunistas do outro. Mas também marginalizou famílias, isolou corações e destruiu sonhos. O muro da vergonha, como ficou conhecido, ruiu a golpes de picaretas pelo povo que não suportou mais o apartheid ideológico. Ruiu como estão ruindo a insensatez e a hipocrisia dos homens desse mundo, dito, moderno.



Atualmente a sociedade constrói muros quando quer separar e demarcar espaços. E cada vez mais altos e fortes. São verdadeiras fortalezas com tecnologia pós-moderna. Os condomínios horizontais e fechados incluem ricos e segregam pobres. E esquecem, muitas vezes, que são as mãos dos pobres que os edificam.



Mas há muros que são virtuais e estão encarcerados nas mentes e na cultura dominante. São intransponíveis e indestrutíveis e esses muros não têm visibilidade física. São os muros do preconceito, da concentração de renda, da exclusão social, da “terceirização” dos pobres e negros nas faculdades privadas. Esses muros são os mais perversos porque são inatingíveis, hipócritas e não são palpáveis. E são ungidos pela desfaçatez.



Certa vez um saudoso amigo falou. – Morro e não vejo tudo!

A governadora Rosinha e seu garotão, o Garotinho, propuseram construir um muro em volta da favela da Rocinha. Como o meu amigo, reafirmo. – Morro e não vejo tudo!

Brilhante! Bravo!

Teremos no Rio de Janeiro o maior condomínio fechado da América Latina. Se fosse uma proposta de um dos membros da turma do Didi, acharíamos engraçada e jocosa. Mas como é de uma personalidade política, é, no mínimo, anódina, demagógica, pra não dizer fascista.

Mais uma vez a índole segregacionista e preconceituosa salta a flor da pele para salvaguardar a fina flor da nossa sociedade. Uma tentativa de isolar e marginalizar pessoas. Ou será que na Rocinha só existe bandido?



Mas podemos aprimorar a proposta. Como a idéia retrocede a Idade Média, poderíamos acrescentar tecnologia atual aos moldes daquela época. Sugiro que seja colocada, junto ao muro, uma cerca elétrica com tensão de 10.000 volts. Uma vala com quatro metros de largura com jacarés famintos. E, finalmente, uma ponte móvel na entrada da favela.

Assim, transformaremos a Rocinha na maior prisão de segurança máxima do Brasil.

E o Garotinho, hein!

... Ele queria ser presidente.







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