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Crônicas-->Entrevero do Gustavo -- 22/02/2021 - 08:10 (AROLDO A MEDEIROS) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Entrevero do Gustavo

 

Aroldo Arão de Medeiros

 

     Depois de me aposentar, virei viajante contumaz. No exterior, passeios inesquecíveis para Amsterdã, Bruxelas, Londres, Lisboa, Oeiras, Sintra, Cascais, Óbidos, Fátima, Coimbra, Aveiro, Vila Nova de Gaia, Porto, Barcelona, Madri, Paris, Milão, Roma, Vaticano, Veneza, Zurique, Berikon e Lucerna.

     Alguns feitos por conta própria e outros com empresas de turismo. Um dos que mais curti foi realizado com uma das agências de viagem. O pacote foi denominado, pela organizadora, Catarinenses no Leste Europeu e Alemanha. Proporcionou conhecermos Frankfurt, Berlim, Praga, Budapeste, Munique, Viena, Potsdam, Salzburg, Karlovy Vary e Nuremberg.

     Durante a estadia de quase vinte dias, fiz amizade com um simpático casal – Vilmar e Maristela – que trabalhou na mesma empresa que eu, mas os conhecia muito pouco, pois as áreas de trabalho não tinham ligação mais direta.

     Outra amizade foi com Teco e a esposa. Através deles conheci um casal paulista que nos acompanhou num almoço e nas cervejas em algumas noites. Fui com o Teco (ex-jogador de futebol no interior paulista) e a esposa conhecer o Allianz Arena, estádio oficial do Bayern de Munique.

     Outra pessoa que foi muito simpática comigo e que me ajudou bastante foi a Melina, pois ela tinha grande conhecimento na aquisição de bilhetes para museus e passeios de barco com preços mais acessíveis e ainda falava um pouco de inglês. Depois a amizade perdurou, graças também à mãe dela, Dona Vali, que sempre a acompanhava e tinha uma predileção por jornais, independentes do idioma.

     De todas as pessoas com as quais tive grande camaradagem um casal se destacou, Paulo Cesar Ferreira e a esposa. Paulinho, como era tratado, por coincidência estudou na mesma faculdade que eu e por ter se formado um semestre depois de mim, não nos conhecíamos. Porém tínhamos um amigo comum, Peco. Este estudou alguns períodos comigo e era natural da minha terra.

     Batemos longos papos até comentar que os jovens de hoje sabem cozinhar melhor que nós. Deu-me alguns exemplos do que seus filhos faziam no encontro de família. Como a esposa é descendente de alemães, os filhos são experts nas comidas típicas germânicas. Falou que o Eisbein (joelho de porco assado) feito pelo filho Cesar, não perde em nada para o que comemos em Berlim. Já Luís (o caçula) gosta de fazer o Schnitzel, um bife grande de vitela, batido, até ficar fino.

     Eu, para esnobar, detalhei o que meu filho Gustavo fazia com o auxílio da semente que se forma dentro da pinha, o pinhão.

     Existe entrevero que não usa pinhão. Gustavo nunca fez porque ao colocar as sementes das araucárias o sabor se destaca excessivamente.

     Gustavo, ao fazer o entrevero de pinhão, usa carne de gado (quase sempre patinho), carne de frango, carne de porco, linguiça calabresa, bacon, cebola, tomate, pimentões coloridos (vermelho, amarelo e verde), alho e molho de soja. Paulinho, me perdoe, ia esquecendo que vai pinhão, senão não seria Entrevero de Pinhão.

     Ele pica todos os ingredientes e os coloca em uma panela de ferro. Antes refoga as carnes pouco a pouco. Reserva. Em uma panela, de preferência de ferro, passa em óleo fervente o bacon, a calabresa. Junta os pimentões e a cebola e frita-os bem no azeite.

     Acrescenta o alho até dourar. Depois adiciona a carne suína, o patinho, o frango, o pinhão e o tomate. Guisa os tomates e os pimentões. Mistura e confere o sal. Acrescenta, de vez em quando, um pouquinho de água para criar um caldinho. Coloca por cima um pouco de salsinha e serve com arroz branco.

     Paulinho, é mais ou menos assim que meu filho faz, pois fico vendo a elaboração para poder repassar aos amigos.

     Pelo que apurei, o termo entrevero vem do próprio significado da palavra: confusão, mistura, desordem e bagunça.

     Pelo que se repara acima, a mistura de ingredientes é grande e, só em escrever os itens, me dá água na boca.

     Nos meses de inverno, o que o Gustavo mais faz é esse prato para a família se deliciar e não fazer confusão nenhuma, pois estão reunidos apenas por duas grandes causas: confraternização e enchimento de pança.

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