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Crônicas-->A carne de Onça da Analy -- 26/01/2021 - 15:34 (AROLDO A MEDEIROS) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Carne de onça da Analy

 

Aroldo Arão de Medeiros

 

     Analy estava dentro do avião que seguia para Frankfurt, sem escala alguma, quando a passageira ao lado perguntou:

     - Você está indo para Frankfurt?

     - Não, eu peguei o avião err...

     Ela quase respondeu grosseiramente para a interlocutora, mas a mãe lhe ensinou bons modos, que ela tenta aplicar. A mulher, que descobriu chamar-se Conceição, continuou puxando assunto os mais variados possíveis.

     Até chegar em um que Analy gosta demais, gastronomia. Analy teve que repassar a receita de Carne de Onça, que é sua especialidade.

Começou explicando a história da iguaria, já que a faladeira, apavorada, perguntou como caçavam o bicho, que gosto tinha e outras coisa pertinentes ao animal.

     - Não é nada disso que a senhora está pensando. Uma das versões de como surgiu esse prato, é a seguinte: Lá pela década de 40, o peladeiro Ronaldo Abrão, o Ligeirinho, lá no botequim Toca do Tatu contava o seguinte: Eu jogava no Britânia e, após as partidas, o time se reunia no Toca, cujo proprietário era o diretor do clube. Como o diretor não pagava pelas vitórias, servia para todo mundo a carne crua sobre fatias de broa. Então, um dia, o goleiro da equipe reclamou que nem onça comeria aquela carne. A partir daí, o nome pegou.

     - Que legal essa história.

     - E tem mais, Carne de Onça é um prato muito consumido na “Cidade Ecológica do Brasil”.

     – O que é isto, cidade ecológica?

     – Falo do meu querido e amado torrão natal. Falo dos parques e dos bosques, os grandes cartões-postais de minha cidade. Falo, com orgulho, de minha Curitiba, a Cidade Verde.

     – Verdade?

     – Claro, temos mais de trinta parques de vários tamanhos e belezas distintas. Dentro desses locais, de passeio e descanso, existem lagos que para o turista parecem decorativos, mas têm a função de segurar a água. Criatividade essa que é de grande ajuda para evitar alagamentos.

     – O que isto tem a ver com a Carne de Onça?

     – São três os pratos principais do povo da “Cidade Sorriso”: o barreado, o pinhão e a carne de onça.

     – Interessante.

     – Dona Conceição, a Carne de Onça é feita de carne bovina magra moída. No açougue, pede-se para tirarem nervo e gordura. Hoje, só digo que é para fazer a carne de onça, que o meu amigo açougueiro já sabe como deve me oferecer. Racapeta, é como a chamam no Brasil. Na Alemanha, é comida típica de verão, chamada Hackepeter.

     Conceição, ansiosa que só vendo, perguntou quais os outros ingredientes.

     – E o que mais se usa para preparar a carne de onça?

     Analy quase estourou, mas, uma vez mais, aguentou firme lembrando da educação dada pela mãe e, com um sorriso amarelo, falou.

     - Vai pimenta do reino, sal, azeite de oliva, cebola e cebolinha. Como a minha sogra gosta muito de alho, faço uma parte com um pouco mais do que o necessário. É só misturar tudo, deixar descansar por cinco minutos e servir.

     - Estou percebendo que você está viajando sozinha. É solteira?

     - Não. Falando nisso lembrei do meu pai e do meu esposo. O papai gosta muito de beber conhaque e ia esquecendo que se coloca esse destilado do vinho na Carne de Onça.

    - E todo mundo gosta?

    -  Até hoje o único que não gostou foi meu sogro, porque nem experimentou a comida preparada por mim.

     – Que pena! Insista para ele provar.

     – Sabe, Dona Conceição, acho que um dia eu vou fazer escondido dele e pedir para que ninguém diga o que é, só para ver ele apreciar essa refeição apetitosa.

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