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Crônicas-->Lenda daPiripirioca -- 21/01/2021 - 21:19 (AROLDO A MEDEIROS) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Lenda da Piripirioca

Aroldo Arão de Medeiros

 

        A tribo Manaó vivia na brenha, lugar fascinante da floresta amazônica. A tribo era conhecida pela corralinda das mulheres indígenas. Certo dia um índio estranho pescava no lago próximo à tribo. Era Piripari, apanhando pirás.
        Quando o bando de cunhãs da tribo Manau o avistou, elas arrudiaram-se dele para tentar conhecê-lo melhor. Uma delas falou:
        - De que terra vens, ó caba bonito? Tu és lindo feito a manhã.
        Piripari não as olhou, mas uma das índias, afunhanhada, botou a mão no ombro dele. Mal a mão tocou o moço, ficou toda perfumada. As cunhãs ficaram maravilhadas.

        - Moço, conta para nós qual é o teu segredo. Se não contares, o levaremos preso para nossa taba.
        Mas, ele apenas gritou, aperreado:
        - Meu nome é Piripari! 
        Ao gritar, ele pulou avexado no rio, e na linha de pescar levava três cunhãs.
        As outras moças, arriadas dos quatro pneus, pediam para ele não
aberar.
        - Piripari, não vás, somos amigas e te queremos bem.
        Elas esperaram por muito tempo que ele voltasse. Sentaram-se na praia e aguardaram longamente pelo moço.
        No entanto, Piripari não retornou. Apenas o seu cheiro ficara no vento, um aroma embriagador que envolvia toda a floresta.
        Na baixa da égua, Piripari libertou as moças presas à linha de pesca. Ele disse a elas:
        - Não queiram pensar no meu amor. Ainda não é meu tempo de amar, não me esperem mais, cunhãs Manaus.
        Apaixonadas, as cunhãs permaneceram inconsoláveis na espera.
        Depois de muito tempo, vendo a capionga das cunhãs, apareceu na tribo um jovem feiticeiro chamado Supi. Querendo ajudar as moças, ele disse:
        - Se o cabelo de vocês tocar Piripari, ele ficará preso. Quando a lua cheia vier, vão até a praia onde ele costuma estar e cada uma leve na mão um fio de cabelo para amarrá-lo.
        No dia marcado, as muiés foram para o rio. Elas viram Supi pescando. Supi puxou a linha e tirou um peixe. Ele enterrou o peixe na areia. A lua subia bem alto. Elas notaram que o peixe virava Piripari.
        As cunhãs, só na manha, com os fios de seus cabelos amarraram Piripari. Elas vibravam de contentes.
        Enquanto elas o amarravam, ele olhava para o céu e cantava uma linda cantiga, mas não se mexia. Elas então se queixaram a Supi:
        - Nós o prendemos, mas ele nem se deu conta!
        O feiticeiro tratou de tranquilizá-las:
        - Enquanto ele está cantando a alma dele passeia pelo céu, entre as estrelas. Não toquem no corpo dele, deixem ele ficar no canto, do contrário ele desperta e a alma ficará no céu. Logo que ele despertar, podem levá-lo para casa.
        No entanto, Piripari demorava a acordar. As cunhãs, perderam a paciência e clamaram:
        - Ow, acorda, Piripari.
        Puraê, uma das cunhãs, chegou a tocar no ombro num gesto muito impaciente.
        Nesse momento, Piripari se calou e a lua se tornou escura. Soprou forte um vento frio e as cunhãs caíram em sono profundo.
        Quando as vistosas cunhãs acordaram, no mesmo local onde haviam deixado o corpo de Piripari havia uma pequena planta, uma plantinha apenas, mas de um perfume fuderoso.
        Supi se aproximou:
        - Me escutem, cunhãs Manaus. Quem quiser cheiro de encanto, use no banho esta planta que desde hoje passará a se chamar piripirioca, a planta que nasceu de piripiri.
        E Puraê, a cunhã mais cabrunquenta, de castigo, caiu nos braços de um sapo cururu gigante.
        As outras cunhãs, bem capiongas, voltaram para a taba. Nunca mais Piripari foi visto à beira do rio, nem o escutaram cantar uma cantiga. Até hoje as babaquaras da Amazônia usam a planta cheirosa para conquistar os moços.

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