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Crônicas-->O piano de Chopin -- 13/10/2020 - 10:38 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

 

 



Em diversas Embaixadas em que servi, notadamente na década dos oitenta, era comum o recebimento de missões parlamentares, cujos objetivos principais eram o melhor conhecimento dos regimes governamentais visitados, bem como o estreitamento das relações parlamentares e de outras instituições entre os países.

Normalmente liderava o grupo multi-partidário - que a rigor era bi, ARENA e MDB... - um Senador que, não raro e não raso, fazia-se acompanhar de sua Excelentíssima esposa e, em alguns casos, até mesmo filhos, já inclinados, ou mesmo em processo de adestramento, à representação popular.

As Embaixadas se mobilizavam e se desdobravam para a realização de uma programação de visitas exitosa. Encontros, coquetéis e jantares formais que reunissem a nata da sociedade, clero, e parte do corpo e copo diplomático, via-de-regra asseguravam esse alvitre.

Por ocasião de uma visita a Varsóvia, capitaneando a missão brasileira, um experimentado ex-Governador, ao discursar no Parlamento polonês  arrancou vivos e demorados aplausos ao inserir em seu inflamado discurso uma alusão ao piano de Chopin que durante a invasão alemã ...teria sido violentamente jogado pela janela...numa abusada e inaceitável tentativa de subjugar e vilipendiar a indomitável cultura da nação polaca...

No jantar que se seguiu na Residência Diplomática, o brinde de nosso Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário, ecoou, com amplitude aquela manifestação patriótica de seu conviva ilustre, para mais aplausos e vivas.

Por meu turno, reles Segundo Secretário então, sentado defronte o jovem filho do referido parlamentar, um mocetão de seus vinte e poucos anos, já também paramentado comme il faut para aquela solenidade, eu, quase a sotto-voce, e para seguir o exemplo dos maiores, coube-me perguntar-lhe, mais protocolarmente:

 - O Senhor é Deputado Estadual ou Federal ?

Ao que, sob o olhar admirado da progenitora, o mancebo respondeu, com a presteza e certeza de um puro-sangue em carreira seguro de que, ao contrário do tango infelicitoso de Gardel, siempre ganaría aún que fuése por una cabeza...:

 - Sô não, mais vô sê...!
 

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