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Crônicas-->Sarapatel de miúdos do Patinho -- 07/08/2020 - 18:20 (AROLDO A MEDEIROS) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Sarapatel de miúdos do Patinho


Aroldo Arão de Medeiros


        Carrega o apelido de “Patinho” porque o irmão mais velho era conhecido nas quadras de futebol de Salão por “Pato”. Quando foi trabalhar num hotel de beira de praia, em Floripa, precisou de uma alcunha que fizesse as crianças e adolescentes, em sua maioria filhos de argentinos, gostarem mais dele. Ele era o recreacionista da Recrear Eventos e o apelido “Patinho” pegou facilmente, na maioria das vezes dito com carinho pelos meninos e meninas, e, inclusive, pelos pais, que depositavam toda confiança no jovem animador.

        Ele é o filho do meio. Diz-se que ele é a salsicha que vai no cachorro quente. Patinho poderia então fazer sanduíches e a crônica seria sobre os componentes que vão entre as duas fatias de pão. O assunto discorreria sobre tomate com mozarela de búfala e manjericão. Poderia também ser sobre ricota, peito de peru, iogurte e cenoura ou ainda bacon e salada. Ficaremos somente nesses três exemplos para não nos estendermos e esquecermos o que ele preparou para nós, no dia de seu aniversário.

        Os irmãos zombavam que ele não sabia cozinhar. Sempre que havia alguma comemoração na casa do patriarca, os irmãos se antecipavam, tomavam conta da cozinha, não dando chance para o “Patinho” exibir suas qualidades culinárias.

        Um dia ele postou nas redes sociais, no grupo da Grande Família, uma foto de uma lasanha com brócolis, afirmando que havia confeccionado sozinho. A esposa confirmou e ainda adicionou que a lasanha ficara saborosa.

        Obrigaram-no, então, a ser o Chef no dia de seu aniversário. Ele aceitou a incumbência, desde que a “cara metade” (ou seria três quartos) fosse sua auxiliar.

        Como a cozinha catarinense (à base de frutos do mar) e a gaúcha (à base de carne de gado) tinham a preferência entre os parentes, resolveu inovar.

        Escolheu sarapatel de miúdos. E no café da tarde seria servido pudim de tapioca.

        Estranha escolha? Não. Ele é casado com uma B B B.     

        Todos irão perguntar: Big Brother Brasil? Não. Ela é, simplesmente, brasileira, baiana e brumadense.

        Chegado o grande dia, ele trouxe os ingredientes e começou a preparar a iguaria, também conhecida como sarrabulho. Em um saco plástico vieram corações, fígados e moelas de galinha. O restante, usou os nossos: tomate, cebola, pimentão, alho, tablete de caldo de galinha e condimentos de nosso cotidiano. Explicou que a única mudança seria usar curry no lugar de pimenta de cheiro, pois havia esquecido de comprar.

        Ficou maravilhoso! Foi aplaudido pelos irmãos e todos que saborearam tão notável prato. E desencadeou alguns comentários: “Estou impressionado”, disse um; “Prato ótimo”, afirmou outro; “Inédito”, alguém assegurou; e ainda um “Bem-vindo à família de cozinheiros”.

        Prepararam-se para o café da tarde, com a certeza de saborearem outra obra admirável. O pudim de tapioca, nunca experimentado por esse pessoal sempre faminto, ficou igual, ou ainda melhor que a refeição principal.

        Ele já está escalado para ser o cozinheiro dos próximos encontros.

        Tentaram tirar a ajudante, mas ele sustentou que, sem a baiana, não faz nada. Afinal, há eu sei respeitar, porque só ele sabe “o que é que a baiana tem”.

 

 

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