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Cartas-->CARTA AO MEU IRMÃO AMADO -- 16/02/2002 - 12:26 (Alan Carlos Dias) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. Olá, meu querido irmão,

Quanto tempo faz que agente não se ver. Lembro-me como se fosse ontem, aquela tarde ensolarada que você chegou em casa, montado na motoca envenenada que tanto gostava, e que te levava para os cantos mais distantes de nossa cidade.
Foram tantos e tão bonitos os nossos momentos que passamos juntos. Embora, ficássemos mais distantes um do outro do que próximo. Mas sabes, o porquê de tudo isso. É que escolhemos destinos diferentes para seguir. O meu, foi encontrado no interior do Amapá, onde, mesmo lá, em meio a toda aquela natureza que ainda me circunda, não te esqueci e não te esqueço um só segundo dos meus dias.
Não sei como estás agora. Mas eu sei como me sinto longe de ti. Falta uma parte de mim. Algo tão importante, que nem mesmo todas as conquistam que conseguir após a tua partida foram capazes de me tornar completo novamente.
Não esqueço o quanto me protegias e me chamavas orgulhoso de irmão. Todos os teus amigos, também eram os meus, pois assim o desejavas, e a eles, me apresentavas com o teu maior exemplo, mesmo sendo tu, o meu irmão mais velho, eras vós que me elogiavas e não duvidavas de que eu ainda iria muito longe, nas conquistas da vida.
Mas de repente tudo isso mudou. Aquele teu sorriso ímpar desapareceu de teu lábios, e tão triste eu fiquei, pois ainda que te amasse, não tinha contemplado a densidade de tua importância. Mas agora eu sei. Descobri naquela tarde do dia 13 de fevereiro, o quanto a vida é frágil. O quanto somos pequenos neste universo de máquinas. O quanto somos insignificantes para os próprios homens se não temos status social. Vê-te daquela forma num leito de hospital, sem vida, sem sorriso, sem face, sem cor. Foi a pior imagem de minha vida.
O quanto lamentei naquele instante, os dias que não sorrimos um para o outro.Mas já era tarde. O tempo não para. Não volta atrás. Nem pude te dizer adeus, pois já não me escutavas. Ainda que eu fosse tão próximo aos teus ouvidos e tentasse como tentei te fazer vivo, sem novidade.
Tu partiste dentre nós. O que pensavas?O que te passou pela mente nos últimos segundos de vida, antes do encontro com o chão? Não sei. É triste!
Querias tanto a motoca e ela acabou levanto-te para longe de mim e daqueles que também te amavam. Mas foi provado que não foi imprudência tua, ao menos sei, que mesmo na partida, foste justo, não causaste dor proposital no outro, nem mesmo a que sinto agora, foi involuntária.
Há meu irmão um alguém que chora insistentemente a tua ausência. Aquela que preferia estar mil vezes no teu lugar. Nossa mãe, que no dia de tua partida (16.02.99), também morreu um pouco. Há todos os dias uma tristeza infinda em seu olhar. Ainda que eu tente alegra-la, não encontro resultados. Pois nada te trás de volta, nem mesmo o amor que te dedicamos. Amor que nunca perdeu o brilho e não se apagará jamais, nem após a nossa morte.
Sabes, meu irmão que a maior tristeza da vida além de te perder, foi ultrapassar a tua idade. Nunca me imaginei mais velho do que vós. Impossível. Não!Aconteceu. Nunca o desejei que o fosse assim. A cada dia espero o nosso reencontro, pois além de não saber ainda hoje, quem foi o nosso pai, agora sou mais órfão sem você que era a minha maior família. Mesmo sangue, mesma cor.
Cada dia é uma espera, mas ela secará no dia do nosso reencontro. E neste dia, não mais haverá mágoas, saudades, nem mesmo uma lágrima de tristeza, só a certeza de que precisamos um do outro para ser novamente completos outra vez. Até lá, descansa meu irmão e não nos deixa desanimar em nossa trajetória, para que o nosso encontro não tarde tanto.
“Tudo na terra nasce, cresce e morre, só a alma do homem é imortal”.

Ao meu irmão: José Irlan Dias.

a.c.d.alcarias@bol.com.br
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